Proust: O Tempo do Trabalho

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Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust (Paris 1871; 1922)

A mais óbvia das lições que Marcel Proust nos deixou foi a de que o tempo só pode ser recuperado pela evocação.

A mente estimulada, seja por uma Madeleine, seja por um simples trecho de música, nos traz de volta sensações e atmosferas. Podemos refrear mentalmente o transcurso do tempo vivendo com intensidade e coerência, ou deixar a vida escoar na tolice das distrações e no esforço sem sentido.

Quando imersa na realização da tarefa, a mente se ausenta do tempo. Surpreendemo-nos ao nos darmos conta do intervalo transcorrido enquanto absorvidos pelo trabalho. Também nos surpreendemos, na maturidade, ao nos darmos conta do tempo gasto no esforço desprovido de significado.

O trabalho não pode ser figurado. Como a música, que só pode ser representada por algo que ela não é – pautas, notas, gráficos – o trabalho só pode ser expresso por aquilo que ele não é: os bens, as riquezas, o corpo e a mente esgotados ou saciados. Da essência do trabalho retemos a lembrança do momento vivido: o esforço com significado e a sensação do tempo inventivo.

Proust, Marcel (1981) Em busca do tempo perdido; Tradução Mário Quintana; Porto Alegre; Editora Globo

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