Sem planos

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man business planSteve Blank, um dos profissionais mais qualificados da esfera corporativa e professor da Columbia Business School, tem feito fortuna acadêmica e prática desde que “descobriu” o que todo empreendedor – o tipo mais interessante de trabalhador – sabe há séculos: se há uma coisa inútil no mundo do trabalho autônomo esta coisa chama-se  “Business Plan”.Empreendedorismo, ensina Blank, é basicamente empreender: ter uma ideia, testá-la e trabalhar 24 horas por dia até o negócio funcionar. Figura de capa da edição de maio deste ano da Harvard Business Review, ele sustenta a noção (óbvia) de que os aspirantes a empreendedores devem conhecer seus produtos, mercados e públicos e sair testando hipóteses. Primeiro, mediante levantamentos, entrevistas pessoais e diretas com 10 a 15 pessoas por semana. Depois, literalmente metendo a cara, ou refazendo tudo, ou mudando de ramo. O que ocorria é que o empreendedor entrava em depressão quando o famigerado BP falhava. Agora, sem ele, muda, transforma, e, como sempre fizeram os verdadeiros empreendedores ao longo da história, recomeça ou, no limite, vai procurar emprego.business plan

Mais de uma dúzia de escolas de negócios americanas e internacionais já adotaram o Lean LaunchPad, o método de Blanck, inclusive (ou principalmente) as que treinam cientistas. No meio acadêmico, o êxito do artigo (1) de Brent Goldfarb, da Universidade de Maryland, sobre como ninguém lê plano de negócios, corrobora a antiga sabedoria de que fazendo é que se faz. Goldfarb mantém uma linha ainda mais direta, que apenas atualiza a forma tradicional de começar um novo negócio. Uma das técnicas, por exemplo, consiste em procurar alguém que tenha uma alta pontuação Klout (uma medida de presença em redes sociais) e pedir conselhos. Exatamente como se fazia nos tempos remotos do capitalismo com os mais experientes, os professores, seus próprios botões, o Velho da Montanha, etc.

O BP estará com seus dias contados? Pelo menos para o empreendedor individual parece que sim. Deo gratia.

(1)    David Kirsch, Brent Goldfarb and Azi Gera, “Form or Substance? The Role of Business Plans in Venture Capital Funding”, (2009) Strategic Management Journal 30: 487–515.
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