O Coro dos Contentes

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sousandrade2aJoaquim de Sousa Andrade, ou simplesmente Sousândrade, (Guimarães, 9 de julho de 1832 — São Luís, 21 de abril de 1902) poeta, engenheiro, jornalista e político maranhense morreu louco e na miséria. Mas não de tédio, com certeza. Produziu obstinada e errantemente, embora sem reconhecimento. Resgatado na década de 1960 pelos irmãos Campos, a sua obra revela-se como precursora da vanguarda de meio século adiante. Sousândrade foi tudo, exceto monótono.

Alguém que escreveu “..no ar circunvoando/vivo-escarlatas/indolentemente…”, sabia que a rotina mata a vontade de trabalhar. Para que o desejo de trabalhar desperte e se mantenha é essencial o inesperado. Somos arrastados ao trabalho pela necessidade, mas incitados a trabalhar pelas possibilidades em aberto. A necessidade, Ananke para os gregos da época clássica, é a mãe do destino, de Moros, um deus cego. Tike, a deusa do acaso, também é cega, mas carrega a cornucópia da abundância. Abre-se positivamente para o imprevisível.

Para que o trabalho não nos mate de tédio é imprescindível que estanque a monotonia da vida psíquica, que desarrume a ordem burguesa da vida social, que desafine “o coro dos contentes”, como queria Sousândrade.

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