O trabalho e a corrosão do caráter

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0,,20918984,00Richard Sennett, professor da New York University e da London School of Economics, autor de A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo, Rio de Janeiro, Record, 2004 e de O Artífice, Rio de Janeiro, Record, 2009, é um especialista mundialmente respeitado. Abaixo alguns dos resultados das suas pesquisas, relatados em uma entrevista à Philosophie Magazine nº 68.

Carreira. Nos anos 60 havia mais demanda por trabalho do que oferta de trabalhadores. Nos anos 80 o desemprego em massa se consolidou. Desde a virada do século pontifica a insegurança no trabalho. A precariedade do vínculo com as organizações foi internalizada. O trabalho já não se insere no tempo pessoal. A ideia de carreira tornou-se obsoleta: o que há é uma sucessão de empregos.

Conteúdo e vida pessoal. O trabalhador vive um presente perpétuo, sem uma narrativa que faça sentido, sem uma aspiração profissional. O trabalho na atualidade perdeu o sentido de vocação e de projeção para o futuro, perdeu-se o Beruf, termo alemão que associa esforço produtivo e confiança.

Produtividade. As competências laborais são adquiridas nos mercados, inclusive os internacionais. Houve a esperança, principalmente a partir da experiência holandesa, que a disputa por trabalho incrementasse a produtividade. Mas o resultado tem se demonstrado perverso. Primeiro porque o trabalhador se esforça para conseguir e manter o emprego, não necessariamente para produzir. Segundo porque o aumento da produtividade levou a que as populações dos centros mais desenvolvidos se tornassem mais numerosas do que a quantidade de postos de trabalho disponíveis para estas mesmas populações.

Solução. A solução mais apoiada pelos intelectuais é a da renda mínima garantida pelo Estado associada a um tempo máximo de horas trabalhadas, de modo que todos possam trabalhar e progredir profissionalmente.

A se evitar. O exemplo a ser evitado é a da “academia”. As competências necessárias para ingressar e se manter no meio acadêmico da atualidade são conseguir financiamentos e atingir metas que nada tem a ver com o saber, [muito menos com o saber técnico ou o erudito]. Os jovens professores/pesquisadores simplesmente não têm tempo de fazer ciência nem permissão para serem inventivos e criativos.

[Nota circunstancial: quem se comprometeu a produzir rapidamente uma vacina para ebola foram os laboratórios, não as universidades. Coisas como esta não rendem para o ranking.]

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