Conceitos – Dissonância cognitiva

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Em 1959, os psicólogos norte-americanos Leon Festinger (New York 1919-1989) e James M. Carlsmith (New Orleans, 1936 – New York, 1984) (*) descreveram pela primeira vez o fenômeno da dissonância cognitiva, o de se ter e manter simultaneamente duas cognições (ideias, crenças, opiniões) incompatíveis.

A forma corriqueira de se superar o desconforto resultante desta discordância é a obliteração psíquica involuntária. A forma intelectualmente mais honesta é a do abandono de uma das cognições. A mais desonesta, e frequente, é a da formação adaptativa de preferências: a negação das provas de incongruência.

As distorções de percepção (captação do real), a ignorância dos conhecimentos científicos, o falseamento da memória estão entre os expedientes de produção de uma conformidade inexistente. A dissonância cognitiva é um fenômeno psíquico. Mas não necessariamente individual. É possível identificar a obliteração coletiva de contradições coexistentes. Por exemplo, a negativa de militantes ideológicos em aceitar as evidências de falhas morais dos seus heróis, as invenção de “fatos” históricos, as inconsistências nas ideias que professam.

Na esfera do trabalho, a dissonância cognitiva se manifesta com maior frequência:

1. Na racionalização (a racionalidade post-factum), por exemplo, na repetição do discurso oficial da organização sobre valores, ocorrências e práticas que o trabalhador sabe nulas, fantasiosas ou inexistentes;

2. Na redução da relevância dos fatos, por exemplo, na postulação da desimportância de adotarem-se técnicas, tecnologias e procedimentos obsoletos, inaplicáveis ou inúteis;

3. Na adição de elementos de consonância, por exemplo, na ideia de que se não fizer algo ilegal, ilegítimo ou imoral “outro” o fará;

4. No paralelismo indevido, por exemplo, na justificação de que o afrouxamento moral é mais grave em outras organizações ou segmentos da economia e da sociedade;

5. Na separação arbitrária das cognições dissonantes, por exemplo, a postulação de que os clientes/usuários têm a liberdade de não consumir é separada do fato de que os clientes/usuários não têm como saber que o produto/serviço é desnecessário, obsoleto ou nocivo.

(*) Cognitive consequences of forced compliance

UTILIZE E CITE A FONTE.

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