Trabalho e segregação tecnológica

CATEGORIA TR

colonialismo-tecnologico

Em uma obra que não cessa de congregar simpatizantes[i], Andrew Feenberg, professor canadense de Filosofia da Tecnologia, propôs a democratização da tecnologia como emancipadora da colonização da vida sócio psíquica pelo universo técnico.

Os que alentam ingenuidades como estas costumam esquecer que devem justificá-las. A ampla gama de autores em que Feenberg se baseia – de Marx a Jacques Ellul – não são unânimes sobre a possibilidade ou a utilidade política do combate ao apartheid tecnológico. Além disto, os casos que cita são mais especulativos do que empíricos. Omitem que os imanes, pajés e cientistas a serviço do establishment sempre detiveram ciumentamente o acervo de conhecimentos julgados válidos. Encobrem que fanáticos, patifes e políticos sempre os instrumentalizaram.

A democratização e a infiltração na vida psicossocial são fenômenos interdependentes. A impossibilidade da clivagem dos processos sociais de liberalização de acesso e de manipulação tem sido demonstrada na esfera social pelas cadeias de televisão e pelas redes. No espaço organizacional, pelas intranets e equivalentes[ii]. Sempre houve quem pregasse um e exercesse o outro, seja no campo das técnicas, seja no campo das informações, seja no campo dos armamentos.

No ambiente restrito das organizações é evidente que a democratização da técnica não pode ampliar a participação dos trabalhadores na determinação do conteúdo das diretivas. Só acelerar os processos decisórios segundo as linhas previamente demarcadas da sua operacionalização.

Na esfera do trabalho, como na esfera mais ampla da vida social, o vetor que conduz à democratização se situa na eliminação do impedimento do acesso aos núcleos de disponibilização de técnicas e na desobstrução do ingresso aos controles de irradiação dos saberes. O motor da democratização é o acesso à geração e ao controle da irradiação da tecnologia, não a participação nestes processos.

 


[i] Feenberg, Andrew (2002) Transforming Technology: A Critical Theory Revisited; Oxford, Oxford University Press.

[ii] Cherques, Hermano Roberto Thiry (2010). Intranets: A semiological analysis. Journal of Information Science, v. 36, p. 705-718

 

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