O sonho do jovem Karl.

Perplexidades & Filosofia.

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Para os que olham com o distanciamento que só a perda da fé proporciona o Marx da juventude, o Marx dos Manuscritos econômico-filosóficos, é infinitamente mais interessante que o da maturidade, daquele o senhor barbudo que escreveu O Capital.

Ao apresentar a deterioração da individualidade como consequência imediata do trabalho que “aliena a natureza do homem, aliena o homem de si mesmo, o papel ativo, a sua atividade fundamental, aliena do mesmo modo o homem a respeito da espécie; transforma a vida genérica em meio da vida individual.”[1] Marx, o moço, pintou uma imagem trágica do trabalho não criativo em qualquer época e, contrariamente ao que ele sempre acreditou, um retrato válido em qualquer sistema econômico que tenha existido ou que venha a existir.

O Marx jovem é ainda mais cativante ao descrever o ser humano livre e consciente que viria à luz quando fosse suplantada a divisão do trabalho assalariado, feito mercadoria[2]. Naquele futuro distante, o trabalhador desalienado pela falência das relações do sistema capitalista de produção, seria finalmente emancipado. Um momento que, como sabemos, não chegou a existir. E que, infelizmente, não vemos como possa vir a existir, porque as categorias que o Marx jovem e sonhador acreditou serem exclusivas do capitalismo são inerentes ao tipo de trabalho e não ao sistema econômico que o rege e explora.

UTILIZE E CITE A FONTE.
[1] MARX, Karl (2003) Manuscritos econômico –filosóficos; Tradução de Jesus Ranieri; São Paulo; Boitempo.

[2] Mészários, István (2006) A teoria da alienação em Marx. São Paulo: Boitempo.
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