O habitante da baia.

Perplexidades & Filosofia

criatividade

As baias nos escritórios compartilhados carregam o destino milenar dos labirintos: o insulamento, as rotas angulares, os encontros importunos.

Os espaços divididos são avatares do extravio e da temida proximidade com o Outro. Por trás das divisórias, espreita o chefe-minotauro, o colega debochado, toda a alteridade kafkiana.

No início o inquilino do escritório se alarma com os ecos, com os odores, com os reflexos, com o que sente sem ver. Depois se habitua. Amortece a sensibilidade.

Encerrado no seu cubículo, o habitante da baia leva a existência como a leva o tigre enjaulado de Borges. Mas existe uma diferença.

O animal preso desconhece que está ali para sempre. Sereno, aguarda o passar dos dias. No labirinto, o assalariado, consciente da possibilidade de outro destino, conforma-se. Entorpece sua consciência.

O passar do tempo, o escoar da vida a revogará.

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