Trabalho assalariado – costume e tradição.

Trabalho & Produtividade.

O trabalho assalariado é um costume que se tornou tradição. Um arcaísmo a ser vencido.

Os costumes e as tradições não são a mesma coisa. Os costumes evoluem para se adaptarem às situações novas. As tradições são tidas como imutáveis. Os costumes são esquecidos, transformados e criados. As tradições são estabelecidas, consolidadas e, muitas vezes, inventadas.

Tradição vem do latim tradere de traditìo,ónis. Um termo composto do prefixo trans – além, e de dare, doar. A palavra foi empregada originariamente para significar a transmissão de bens e de valores, inclusive através do ensino. Nas línguas românicas, no sentido que tem hoje – de transmissão de costumes mundanos e religiosos, de lendas, de sabenças –  data somente no século XVII.

Não por acaso teve também o significado de traição. De recordação falseada. É que o que morre leva com ele suas lembranças. O que vive retém a figura do que se foi. Com o tempo, o que resta da pessoa, do grupo, da instituição fenecida é apenas a memória que fala à razão, mas que trai a realidade.

Eric Hobsbawm (1917-2012), o historiador marxista, deixou escrito que as tradições não são usos que emanam de uma origem pura ou superior, mas reconstruções de passados fictícios, destinadas a conjurar determinados traços do mundo que se quer recusar ou instaurar.

Conceber um passado é tanto um meio de estorvar a evolução como de induzi-la.

No desenrolar da história, a virtude inerente ao trabalho foi a da irmanação, quando o trabalhador alugava seu corpo, foi a da confraternidade quando o trabalhador alugava a sua força, foi a equidade quando se entendeu como coletivo. Tem sido a solidariedade desde que o trabalho assalariado entrou em crise. Na economia virtualizada que se aproxima, a virtude do trabalho corre o risco de decair à mera sobrevivência material.

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O costume endossa e alimenta a tradição até o ponto em que ela se inviabiliza.

À menos que quebremos esta tradição, o progresso das relações laborais que passaram da subordinação à participação, da obediência à livre escolha, da normatização à auto-regulamentação, será detido. O advento do trabalho emancipado, do trabalho da autodeterminação, se verá postergado.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Hobsbawn, Eric John Ernest & Range, Terence (1997). A invenção das tradições. Tradução de Celina Cardin Cavalcanti. Rio de Janeiro. Paz e Terra.

Supiot, Alain (1994). Critique du droit du travail. Paris. PUF.
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