A reestruturação moral.

Ética.

Existe um ponto de fervura na dinâmica social em que toda a credibilidade evapora, como existe um ponto de condensação na ética em que toda crendice congela.

O descrédito e o moralismo só se resolvem quando postos em face de uma mudança estrutural, isto é, de exclusão ou da inclusão de elementos críticos no instituído.

A exclusão é um efeito, não uma causa. Tem o vezo da desolação (deixar só), de não mais se pertencer a. Nas sociedades ocidentais se excluem os miseráveis, os doentes, os velhos, os dissidentes, os insurgentes, os criativos. Não se excluem os tirânicos, os cordatos, os neuróticos, os explorados, os idiotas, os insolventes.

A exclusão tem dois antônimos: a inclusão e o expiatório da marginalidade, descrito por Marcuse. Também a inclusão tem dois antônimos: a exclusão e o purgatório da tolerância, do “com-viver”, como se convive com uma doença crônica.

Uma mudança estrutural na moralidade vigente solicitaria a inclusão e a exclusão simultânea de elementos co-presentes nos regimes políticos e nas conformações econômicas.

Por exemplo, a limitação da possibilidade de reeleição em todos os níveis, ou a anástrofe (inversão) de práticas, como a isenção de impostos do denunciante de corruptos.

Por exemplo, a inserção efetiva de criadores–inovadores e de dissidentes–insurgentes nas configurações institucionais dominantes.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Marcuse, Herbert (1973). A ideologia da sociedade industrial: o homem unidimensional. Tradução de Giasone Rebuá. Rio de Janeiro. Zahar Editores.
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