O trabalho assalariado: o crepúsculo de uma tradição.

Trabalho & Produtividade.

Por muitas gerações, nós, os herdeiros da velha Europa, lutamos para assegurar uma remuneração constante pelo nosso trabalho. O salário foi, e ainda é, fonte de sobrevivência e de dignidade social. Mas agora o trabalho assalariado parece estar fadado a desaparecer.

A questão é se devemos nos concentrar na busca de outras formas de sobrevivência material e psíquica, ou se devemos resistir e prolongar a tradição do trabalho dependente para além da lógica econômica que a fez nascer e prosperar.

Chamemos de progressista a primeira atitude e de conservadora a segunda.

Os progressistas argumentam que a memória que temos do trabalho assalariado é a das conquistas para atenuar seus males. Alegam que em quase toda sua existência, o trabalho assalariado foi cruel e desumano. Que muitas das suas características, como a do controle do tempo trabalhado, a da limitação das escolhas das carreiras, a da extorsão do sobretrabalho, a da exclusão ou degradação das minorias (não só a feminina) ainda o são.

Os conservadores querem preservar os referenciais éticos, educacionais e ideológicos do trabalho, que foram erigidos com esforço e testados pelas gerações que nos antecederam. Lembram que as conquistas trabalhistas, que são conquistas em favor do trabalho assalariado, foram alcançadas à custa da mobilização, do esforço, do sofrimento e até da morte de muitos. Que o trabalho assalariado é a garantia de remuneração digna, de repouso, de segurança e do socorro na doença e na velhice.

Os progressistas contra-argumentam que não faz sentido tentar manter uma forma de relação econômica baseada no preço pago para que ela fosse minimamente suportável. Preveem que as circunstâncias tecnoeconômicas irão simplesmente liquidar com esta tradição. Sustentam a urgência de procurar instaurar relações substitutas do trabalho assalariado que, desde a origem, fossem menos insalubres.

Os conservadores replicam perguntando sobre quem compraria uma apólice de seguro ou aplicaria em uma carteira de investimentos sugerida por um robô. Os progressistas respondem que gente que nunca entrou em um banco, que nunca entrou em um supermercado, em uma farmácia. Gente que realiza todas as transações econômicas através dos celulares.

O problema é que esta gente existe. Logo será maioria. E, como toda maioria, conservadora.

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