Hobbes – Trabalho: o salto no escuro.

Trabalho.

Não temos medo do escuro. Temos medo do que pode nos acontecer no escuro. Nos amedronta menos o que pode nos causar dano do que o que ignoramos quais danos pode nos causar.

Tememos a morte, a doença, a solidão. Tememos uns aos outros: o homem é o lobo do homem. O medo, escreveu Hobbes, move a conduta humana.

É o medo que nos faz trabalhar. Nos assombra o desconforto da pobreza e da exclusão. Por isso, procuramos nos empregar mesmo quando não gostamos da tarefa, do ambiente, dos colegas, da empresa. Seguimos empregados quando temos alternativas, quando já não mais necessitamos, ou quando nem chegamos a necessitar dos recursos materiais que o trabalho provê.

Nos acovardamos ante a exclusão do mundo laboral. Mas não deveríamos. Se o desemprego nos priva da segurança, o estarmos empregados não a garante. O tempo e o contexto alteram nossa condição e a da sociedade em que vivemos. Para o nosso próprio bem, deveríamos aceitar que o futuro está sempre em aberto.

Thomas Hobbes, consta, morreu nos braços da amante. Tinha noventa e um anos. Suas famosas últimas palavras: “estou prestes a dar um salto no escuro”, não são de desespero, mas de curiosidade. Hobbes sabia que o temor que a vida se torne miserável é que faz com que tornemos miserável a vida.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Hobbes, Thomas (1975). Leviatã I, 6. In, Leviathan, or, matter form, and power of a Commonwealth ecclesiastical and civil. London. Encyclopaedia Britannica.
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