EPISTEMOLOGIA: Heurística – Benjamin, pescador de pérolas.

Epistemologia.

Em um ensaio quase sentimental, Hannah Arendt escreveu que Walter Benjamin “despertava os mortos”, para, com eles, construir uma nova iluminação. No fundo do mar do esquecimento, recobrava “pérolas do passado”, colhia relações e esclarecia o eterno.

Pescador de pérolas, Benjamin recuperou gemas de pensamento. Buscou no fundo do mar do passado o inesperado, o estranho e o omitido. Repensou poeticamente a memória; não para restaurar eras extintas, mas para reaver algo outrora vivo e que, cristalizado, sobrevive no âmago da sabedoria.

Na quinta das suas “Teses sobre a história”, Benjamin escreveu que A verdadeira imagem do passado ocorre rapidamente. O passado só pode ser apreendido como imagem que relampeia, para nunca mais ser vista, no momento da sua cognoscibilidade. O que guia este pensamento é a constatação de que as lembranças dos vivos estão sujeitas à ruína do tempo. O que antes era vivo se dissolve nas profundezas do mar, mas o essencial se conserva em formas que perseveram, imunes aos elementos.

Como um mergulhador, que desce para liberar e trazer à tona as pérolas e o coral, Benjamin foi abençoado por “iluminações profanas” Descobriu ou reinventou noções como a do binômio originalidade–autenticidade; a do valor da percepção através das máquinas; a da aura que envolve os objetos.

Benjamin é para ser pensado, não para ser explicado. Intérprete político dos sonhos, seus conceitos pertencem à lembrança dos vestígios com que se esculpe a visão onírica do futuro.  Marxista na origem, seu legado heurístico é o do imperativo de darmos adeus à aura que um dia circunscreveu o sentido da continuidade histórica.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
Arendt Hannah, Introduction. In, Benjamin, Walter (2007). Illuminations. Theses on philosophy of history. Translated by Harry Zohn. New York. Schockenbooks.

Benjamin, Walter (1985) Sobre o conceito de história. In, Walter Benjamin: obras escolhidas. Tradução de Sergio Paulo Rouanet. São Paulo. Brasiliense.

Benjamin, Walter (2002). Paris, capitale du XIXe siècle. Le livre des passages, trad. J. Lacoste, Paris, Éditons du Cerf;

Sholem, Gerson (1974). Le Messianisme juif. Essais sur la spiritualité du judaïsme. Paris. Calman-Lévy.
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