ÉTICA: A ética gnóstica.

Ética.

Os gnósticos pretendem que o conhecimento moral os torne angélicos. Creem que o caminho da moralidade é margeado e constrangido por tudo o que, no ser humano, representa a natureza material: o nascimento, a carne e o sangue. Aspiram a razão imaculada. Cultivam uma orientação ética que vem da pré-história.

A gnose judaica e a egípcia já estavam estabelecidas quando do surgimento do cristianismo. A primeira, conhecida como Cabala, afirma que a Revelação é universal e que há no homem uma centelha divina. Prega a salvação mediante o conhecimento interpretativo do imutável, do eterno e do misterioso. A segunda, se desenvolve em torno do mago Hermes Trismegisto (sec. I) pai dos sábios alquimistas. Postula a transmutação do chumbo em ouro e a existência de um conhecimento que, uma vez encontrado, será capaz de transformar o ser humano em um ente benévolo.

Para nós, desprovidos da espiritualidade dos anjos e descrentes da ciência da transmutação universal, é difícil acompanhar os raciocínios cabalístico e hermético. Basílides de Alexandria (ca. 125), filósofo da gnose egípcia, por exemplo, escreveu uma doutrina de “pai ingênito” (não gerado) que se divide em sete instâncias espelhadas. Formam o nome ABRAXAS, sucedâneo místico da chave pagã ABRACADABRA. Simbolizam as 365 emanações do Deus Supremo.

Não menos estranha é a gnose cristã. Nega a corporeidade de Cristo, a crucificação e a ressurreição. No Apocalipse gnóstico de Pedro, Jesus, ao aparecer após a morte, teria dito que nada havia sido real. A prova da espiritualidade do Cristo, sustentou outro gnóstico, Valentim (ca. 160), é que Jesus nunca excretava os alimentos.

Esquisitos que sejam, os gnósticos de todas as extrações concordam que o ser humano é moralmente forçado a tomar partido na luta entre o bem e o mal. Para eles, o embate se dá entre a mente e a matéria, a abstração e a concretude. Têm para si que a ética está em um significante, o “symbolon”, encontrável no estudo crítico das convenções, das similitudes e das contiguidades semânticas.

Esta forma de pensar é imemorial. Ressurge a cada época. Na nossa, foi atualizada e reconstruída como a moral reconfortante da ética em si. (veja o post A ÉTICA DE SI – ORIENTAÇÃO MORAL EM UMA SOCIEDADE MUTANTE.)

UTILIZE E CITE A FONTE.
Faivre, Antoine, Mirko Sladek, Pierre Lory, Michael Allen, Cesare Vasoli (1988) Présence d'Hermès Trismégiste. Cahiers de l'hermétisme. Paris. Albin Michel / Dervy.

The Apocalypse of Peter. Translated by James Brashler and Roger A. Bullard. The Nag Hammadi Library. http://gnosis.org/naghamm/apopet.html

Thomassen, Einar (2007). Meyer, Marvin, ed. The Valentinian School of Gnostic Thought. The Nag Hammadi Scriptures. New York: HarperOne

Wace, Henry & Piercy, William C.  (1999). Basilides, Gnostic sect founder. In, A Dictionary of Early Christian Biography. Hendrickson Publishers. Massachusetts.
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