TRABALHO: Trabalho e desenvolvimento.

Trabalho.

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No ambiente despoticamente vulgar das corporações, a avaliação do rendimento do trabalho tende à farsa. Avalia-se a quantidade, não a qualidade; a conduta, não o feito; a conformidade, não a iniciativa.

Nos meios acadêmicos não é diferente. Os cientistas sociais esquecem que é o fenômeno do trabalho que deveria ser ajuizado e o substituem por interesses (a economia), artifícios (as organizações), abstrações (a sociedade), utopias (a ideologia), e por miragens (as gerações vindouras).

A pergunta sobre o trabalho deveria ser: em que o trabalhador contribui para sua própria evolução e para o bem da humanidade? Mas a pergunta feita, desde Marx e do cortejo que se lhe segue, é: em que o trabalhador contribui para transformar o mundo?

Um motejo vazio. Nem o trabalho é conceituado, nem o mundo é determinado, nem a transformação é explicitada.

Hegel tratou do trabalho como luta pela autoafirmação, destinada a produzir em si mesmo um domínio que não poderia ser despertado sem a mediação negativa do esforço. Freud falou da “exigência de trabalho”, da Arbeitsanforderung. Também refere ao trabalho que se exerce sobre si. Esta exigência é tanto externa: a labuta, a pressão socioeconômica, que obriga a transformar-se para sobreviver materialmente; como interna: a elaboração (e-laboração), o trabalho de engrandecimento intelectual baseado na experiência decantada.

Tanto mais o trabalho é propício a formar a vida interior, mais nos interessamos, mais nos entusiasmamos com o que fazemos, mais produzimos. Quando o objetivo é unicamente exterior – o de auferir renda para os outros e para nós mesmos – o trabalho propende a esvaziar as identidades que deveria nutrir.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
Dejours, Cristophe (2003). L’évaluation du travail à l’épreuve du réel - Critique des fondements de l’évaluation, Versailles. INRA Éditions.

Freud, Sigmund (2013) As pulsões e seus Destinos. Tradução de Pedro Heliodoro Tavares. Belo Horizonte. Autêntica

Hegel, Georg Wilhelm Friedrich (1992) Fenomenologia do espírito. Tradução de Paulo Menezes. Petrópolis. Vozes

 

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