EPISTEMOLOGIA: Heurística – Intuição: deixar fluir o simples.

Epistemologia.

(image credit: Lissy Laricchia)

O intuído é um simples que não de-forma a realidade. Mas a simplicidade da intuição é destruída pelas abstrações que tentam representá-la. Na tentativa de a exprimirmos, retificamos, justapomos, complicamos cada vez mais o lampejo que tivemos.

Tentar reconstruir o simples – o não-composto e invariável (Leibniz) – é como tentar reconstruir um objeto pela sombra que projeta (Platão). Mesmo um grande intuitivo, um grande artista não reconstitui a realidade e a emoção. Ele as representa de tal forma que as percebemos como verdadeiras.

O mundo congelado da ciência é uma sombra do real. Toma o passado como abolido e o futuro como inevitável. Entende passado e futuro como ausências. A inteleção mapeia o mundo como resultado de uma leitura da consciência (to read in himself. Hobbes). Mas o passado às costas, o futuro à frente, se referem ao espaço, não ao tempo.

A intuição se dá no tempo real da consciência, que não é redutível, nem divisível. Não é possível representar espacialmente o belo, o verdadeiro, o sentimento, …. Por isso, se quisermos provocar a intuição, devemos nos livrar dos hábitos que aprendemos no processo educacional (Rousseau) e dos vícios que toldam a apreensão das circunstâncias que vivenciamos (Husserl).

O simples é denso. Para nos abrirmos à intuição, devemos diferir os elementos constitutivos do seu meio. Não se trata sermos idealistas, mas de perguntarmos sobre o que há de material na madeira, o que há de vitalidade na vida, o que há de social na sociedade, o que há de essencial no intuído.

Se tivermos êxito, obteremos “imagens mediatrizes” (Bergson), impressões evanescentes. Essas imagens são como torrões de açúcar, que se dissolvem no café sem que possamos dizer como eram exatamente.

Ao representar o intuído, nós o turvamos. Infelizmente, não há outro modo de anunciar o inédito.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
Bergson, Henri (2017). L’intuition philosophique – 1911, In Œuvres complètes, La pensée et le mouvant. www.arvensa. Arvensa Éditions.

Hobbes, Thomas (1975). Leviatã [I, 6]. In, Leviathan, or, matter form, and power of a Commonwealth ecclesiastical and civil. London. Encyclopaedia Britannica.

Husserl, Edmond (2006). Ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica: introdução geral à fenomenologia pura. Tradução de Márcio Suzuki. Aparecida, SP. Ideias e Letras.

Leibniz, Gottfried (2009) A monadologia e outros textos. Tradução de Fernando Luiz Barreto Gallas de Souza. São Paulo. Hedra. [§ 1]

Platão, República. In, Platon (1981). Obras completas. Traducción y notas de María Araujo et alli. Madrid. Aguilar S.A. de Ediciones.

Rousseau, Jean-Jacques (1979). Emilio ou da educação. Tradução de Sérgio Millet. Rio de Janeiro. DIFEL
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