EPISTEMOLOGIA: Heurística – A premonição, o pressentimento e a precognição.

Epistemologia.

Oswaldo Guayasamín – Dos Cabezas, 1986-1987 – Óleo sobre tela

Não há provas de que a premonição, o pressentimento ou a precognição sejam capacidades reais. Advertir, sentir ou adquirir conhecimento prévio são sensações negadas pela ciência, vez que violam o princípio de que um efeito não pode ocorrer antes de sua causa.

Estas manifestações são explicadas por cinco ordens de esclarecimento: a do viés de seleção, a da criptomnésia, a da profecia autorrealizada, a da distorção mnemônica e a da ilusão estatística.

O viés de seleção é um condicionamento, natural no ser humano, para lembrar coincidências mais do que não-coincidências. Por exemplo, quando pensarmos em uma pessoa imediatamente antes que nos telefone, tendemos a esquecer das vezes em que pensamos na pessoa e ela não nos telefonou.

A criptomnésia é o fenômeno do conhecimento que se superpõe ao acontecimento. São deduções de fatos e dados apreendidos inconscientemente. Por exemplo, quando acreditamos ter adivinhado como dizer as coisas em uma língua que não dominamos.

Na profecia autorrealizada produzimos inconscientemente os eventos que pensamos ter pressentido conscientemente.

A distorção mnemônica deriva da combinação da memória seletiva com as memórias distorcidas, de modo que os devaneios são retrospectivamente encaixados em eventos que, na realidade, lhes sucedem.

Por último, a ilusão estatística é esclarecida por Robert Todd Carroll da seguinte forma: “As chances são de um milhão para um que, quando uma pessoa tem um sonho de um acidente de avião, haja um acidente no dia seguinte. Simplesmente porque com 6 bilhões de pessoas tendo uma média de 250 temas de sonhos por noite, deve haver cerca de 1,5 milhão de pessoas por dia que tenham sonhos que parecem clarividentes.

As explicações da ciência não retiram o poder heurístico da premonição, do pressentimento ou da precognição. Mesmo ilusórias, estas sensações despertam a curiosidade que incita à invenção e à descoberta.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
Carroll, Robert Todd (2003) The Skeptic's Dictionary: A Collection of Strange Beliefs, Amusing Deceptions, and Dangerous Delusions. Indianapolis. Wiley. Pag 53

Chris French. (2012). "Precognition Studies and the Curse of the Failed Replications". The Guardian.

Popper, Karl (1989), In, Sorman, Guy. Os verdadeiros pensadores do nosso tempo; Rio de Janeiro; Imago

Sutherland, Stuart. (1994). Irrationality: The Enemy Within. pp. 312-313. Penguin Books. 

Tulving, E. (1972). Episodic and semantic memory. In E. Tulving and W. Donaldson (Eds.), Organization of Memory (pp. 381–402). New York: Academic Press.

Walsh, Jim (2009). "Loma Prieta predictor Jim Berkland still picking quake dates". Santa Cruz Sentinel. Retrieved May 31, 2011.

Zusne, Leonard; Jones, Warren H. (1989). Anomalistic Psychology: A Study of Magical Thinking. Lawrence Erlbaum Associates, Inc. p. 151.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s