ÉTICA: Tradições, costumes & boas práticas.

Ética.

A invariabilidade é característica central das tradições. O passado, real ou forjado, a que as tradições se referem, impõe modos de fazer imutáveis: o sistema de emprego, vínculo contínuo à uma organização, é uma tradição que data do Renascimento.

Os costumes são formas de fazer compatíveis com práticas anteriores. Emprestam às mudanças ou às quebras de resistência o beneplácito de ter predecessores: o trabalho intermitente é um costume que se funda em práticas de contratação de autônomos e terceirizados.

As tradições e os costumes são conservadores. Sua força inercial mantém as estruturas e a dinâmica dos sistemas socioeconômicos. Mas esta mesma força gera dificuldades no amoldamento às mudanças no meio em que as organizações operam.

O termo “prática” concerne ao ato ou efeito de fazer algo. Pluralizado, como “práticas”, alude a um conjunto de atitudes, procedimentos e rotinas. À diferença das tradições e dos costumes, as práticas são imediatamente mutáveis em face a situações originais – o advento de uma nova tecnologia, – ou imprevistas – a delação de agentes corruptos.

As práticas determinam o surgimento e o desaparecimento de costumes. A decadência dos costumes invariavelmente modifica uma tradição. O descaso com os empregados e funcionários é uma prática decorrente do sistema concorrencial, que modificou um costume de respeito mútuo do século XX, que havia modificado a tradição “familiar” anterior.

Tal como consta nos compêndios de compliance, o termo “boas”, na expressão “boas práticas”, denota condutas articuladas com as conveniências institucionais e operacionais. Nem sempre as boas práticas são eticamente defensáveis.

São exemplos de atitudes que não ferem as boas práticas legais reordenar arbitrariamente o regime de trabalho do contratado, manter-se no estrito cumprimento de normas nas relações e no rompimento de relações com empregados que envelheceram, ficaram doentes, ou sofreram alguma tragédia pessoal.

São exemplos de procedimentos que não ferem as boas práticas costumeiras a desatenção com regimes de trabalho degradantes física (ambiente, privacidade, controles, etc.) ou moralmente (sistema de cotas, de páreos, de advertências, … ), a submissão do trabalhador a desconforto, ridículo ou vexame (autocriticas públicas, obrigatoriedade de participação em dinâmicas de grupo, casual days, e outras exercícios que visam a anulação da individualidade).

É preciso atenção. As boas práticas da compliance implicam em comportamentos por vezes despidos de fundamento ético ou francamente transgressores. Dizem respeito à conformidade, não a elevação; à conveniência, não à moralidade.

UTILIZE E CITE A FONTE.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s