EPISTEMOLOGIA: Heurística – Entre a descoberta e a invenção, o Zero.

Epistemologia.

A invenção – do latim inveníre: chegar (ao novo) -, difere da descoberta – discooperìo: retirar a cobertura. A invenção é um achado, um artifício contra intuitivo. A descoberta é uma descrição de uma realidade que sempre aí esteve.

Frequentemente, descoberta e invenção se entrelaçam. Tomemos o exemplo do zero, sem o qual não teríamos as matemáticas e as ciência que dela decorrem: o zero é um conceito inventado ou uma realidade descoberta?

A história do zero tem início há 5.000 anos, na Suméria, quando alguém, de quem não sabemos o nome, a data e a aparência, descobriu o inexistente como elemento de cômputo, e deu um passo decisivo para o invento do zero ao criar uma forma de notação para o “nada nesta coluna”.

Pouco ocorre na história do zero até o terceiro século a.C. Em um texto desta época, o manuscrito Bakhshali, aparece pela primeira vez um ponto para significar o vazio. É a invenção deste símbolo inventado que chega aos gregos, quando Alexandre invade o Império Babilônico.

Os gregos, limitados nos seus cálculos pelo número máximo, a miríade, correspondente à 10.000 unidades, haviam inventado o conceito de potência, necessário aos cálculos maiores da astronomia. É de sua lavra o Googol, o 1 seguido de 100 zeros e sua décima potência, o Googolplex (1 Googolplex = 10googol), então os maiores números admitidos. Mas os gregos não transmudaram a notação para o nada em um número. Aliás, os Maias também conheciam o conceito para o nada, mas não o do algarismo zero.

Foi Mahavira (540 a.C – 470 a.C), parece, astrônomo e matemático indiano, quem inventou o zero como notação posicional (dezenas, centenas, etc. postas em camadas). Uma invenção que se completaria,  com o uso prático do conceito por outro matemático indiano: Ariabata (Ponnani; 476 — 550)

A saga não para aqui. Os védicos descobriram que o zero é “um número como os outros”, conforme descreve, em 662, um bispo monofista siro, mas foram os árabes que inventaram a forma de notação sem ângulos que é a que utilizamos hoje.

Em suma. A história do zero compreende, pelo menos, uma descoberta, seguida de uma invenção, seguida de uma descoberta, ainda de outra e de uma invenção. Raramente as descobertas são isoladas e os conceitos são invenções puras. Em geral são como o próprio zero, que, gêmeo do infinito, não é um número qualquer. É um conceito complexo: o todo esvaziado, que somado a qualquer outro número não o altera, e que quando multiplicado por qualquer outro número permanece inalterado.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Kaplan, Robert (1999). The nothing that is: a natural history of Zero. Oxford. Oxford University Press.
Seife, Charles (2000). Zero: The Biography of a Dangerous Idea. New York. Penguin Books.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s