ÉTICA: Greene – A resposta moral espontânea e a lógica.

Ética.

Trabalhando na interseção entre a filosofia, a psicologia e as neurociências, Joshua Greene, da Universidade de Harvard, pode constatar a dualidade na formação de juízos de valor.

Baseando-se na distinção entre as regiões cerebrais (afetividade, racionalidade) e na psicologia evolucionista, Greene demonstrou que os seres humanos têm uma tendência automática a colaboração intersubjetiva nas adversidades (“eu contra nós”). Inversamente, a cooperação pode ser inibida se as circunstâncias permitirem o cálculo racional (“eu contra eles). Por exemplo, em um jogo de investimento cooperativo, as pessoas são mais propensas a fazer o que é melhor para o grupo quando estão sob pressão de tempo ou das circunstâncias.

Já em questões de harmonia entre os grupos (“nós contra eles”), as intuições automáticas se deparam com o que Greene chama de “tragédia da moralidade do senso comum”. A mesma lealdade que alcança a cooperação dentro de um grupo humano leva à hostilidade entre as comunidades (“eles contra nós”).

Greene aventa que a “tensão central” entre as teorias morais baseadas em princípios e as teorias baseadas nos efeitos reflete as influências desses dois tipos de processos. Os julgamentos baseados em princípios (ética deontológica), são caracterizados por respostas automáticas-emotivas, enquanto juízos consequencialistas (ética teleológica), resultam de respostas racionais–conscientes.

Concordemos ou não como ele, é animador que um cientista tenha comprovado o que os filósofos, desde a Grécia clássica, têm sustentado: i) que há um lado emocional e um lado racional nas atitudes morais; ii) que ambos padecem de condicionamentos de época e circunstância; iii) que seria ótimo encontrar um ponto de concórdia transtemporal e supra-cultural que não fosse meramente teórico, o que, passados vinte e cinco séculos desde o surgimento do pensamento filosófico, ainda não foi possível alcançar.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
Greene, Joshua D. (2014). Beyond point-and-shoot morality: Why cognitive (neuro)science matters for ethics. In,  Ethics. 124 (4): 695–726. doi:10.1086/675875 

Greene, Joshua (2013). Moral Tribes: Emotion, Reason, and the Gap Between Us and Them. Penguin Press. ISBN 978-1594202605.

Greene, Joshua D; Morelli, Sylvia A; Lowenberg, Kelly; Nystrom, Leigh E; Cohen, Jonathan D (2008). "Cognitive load selectively interferes with utilitarian moral judgment". In, Cognition. 107 (3): 1144  54. doi:10.1016/j.cognition.2007.11.004

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