EPISTEMOLOGIA: Retorno à Aristóteles.

Epistemologia.

De Aristóteles conservamos as ideias de que em todo objeto há algo imutável – sua essência – e elementos que se modificam – os acidentes.

Conservamos a ideia de que existem formas artificiais, como é o caso de uma estátua; naturais, como a alma; substanciais, como o corpo; acidentais, como a cor; inerentes, como a matéria; e exemplares, como em uma maquete.

Mas abandonamos a prática de procurar obsessivamente a essência das coisas e a compulsão de classificar rigidamente as formas em que os objetos se apresentam.

Conservamos a ideia de que existem categorias – conceitos unívocos – do pensamento: aquilo que tem a ver com as coisas, os tamanhos, as características, os relacionamentos, os locais, o tempo e o estado; com o ter, o fazer e o sofrer.

Mas levantamos dúvidas quanto estas categorias serem excludentes entre si, e sobre a possível existência de outras categorias.

De Aristóteles conservamos a ideia de que as relações entre o sujeito e o predicado de uma proposição obedecem a quatro tipos: a definição, que é conversível e essencial; a propriedade, que é conversível e não essencial; o gênero, que é não conversível e essencial e o acidente, que é não conversível e não essencial.

Mas não mantemos que inexistam outras predicações e predicações interpoladas.

Conservamos a evidência de que dirigimos nossa atenção em primeiro lugar ao que é passível de mudança. Por isto, seguimos afirmando a existência de uma natureza humana e nos atribuindo um potencial igualmente grande para experimentar tanto a tristeza quanto a felicidade, tanto entusiasmo quanto tédio.

Mas discordamos amplamente sobre o que venha a ser a natureza humana e se esta natureza é neutra e universal.

De Aristóteles, conservamos a ideia de que a razão prática procura determinar o melhor fim para agir. Isto é, que a ação racional consiste não em determinar os meios para um fim dado (instrumentalismo), não em fundamentar-se em leis eternas (normativismo), mas em encontrar o propósito (o fim) mais razoável para a ação.

Mas aceitamos uma gama imensa de visões acerca da interferência do tempo e das circunstâncias sobre o ser humano.

Esta posição preserva outra ideia de Aristóteles: a do domínio do contingente nas nossas ações efetivas.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Aristóteles (1982). Obras. Madrid. Aguilar de Ediciones: Ética a Nicômaco, 1112-31; Tópicos. 1, 4, 101b e ss.; Sobre el alma.
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