ÉTICA: A ética do antes e do depois.

Ética.

O suspense tecnológico mostrado por Spielberg em Minority Report externa um paradoxo insolúvel: o juiz que mata os criminosos futuros, que assassina as pessoas que cometerão crimes, faz com que o crime não seja cometido, mas mata um inocente.

O futuro jamais oferece parâmetros éticos aceitáveis. O tempo, irreversível, obriga a que os princípios morais não se antecipem nem posterguem. Ademais, os predicados analíticos – bom, justo, valioso – e os predicados normativos – necessário, interdito, recomendável –, diferem entre os povos e as gerações.

Kant achava inconcebível que a marcha da humanidade fosse a construção de uma morada que apenas a última geração pudesse habitar. Tinha razão. Estenderia, se vivo fosse, a advertência sobre a imoralidade da redenção futura ao improvável advento da ordem perfeita ou do igualitarismo social.

O problema ético do antes e do depois é embaraçoso. Nem o mérito, nem a culpa retroagem. Na antecipação castiga-se o inocente. Na postergação, os culpados e as vítimas já terão deixado de existir.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Kant, Immanuel (2010). Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita. Tradução de Artur Mourão. São Paulo. Martins Fontes.
Minority Report (Filme) (2002). Direção Steven Spielberg. USA. 20th Century Fox Corporation.

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