EPISTEMOLOGIA: Heurística – Epifania.

Epistemologia – Heurística.

Ao longo dos séculos, o termo grego epipháneia se prestou a entendimentos variados. Mas o sentido básico permaneceu: uma epifania é um ato cognitivo que se dá na ausência de mediação.

A festa cristã da Epifania comemora a manifestação reveladora de Jesus como divindade. Outras confissões religiosas empregam a palavra no mesmo sentido. Já as neurociências usam o termo para designar a súbita compreensão da essência de um fenômeno, a solução instantânea de um problema ou o assomo imediato de uma ideia à mente. 

Também denominado de momento eureca, de instante heurístico e de momento a-há, o fenômeno tem sido objeto de investigações cujo propósito é encontrar meios de induzir à descoberta e à invenção. 

Os protocolos de pesquisa sobre a epifania compreendem a observação por EEG (eletroencefalograma), que indica o aumento de frequência em algumas faixas e localizações do cérebro; e a observação por MIR (imagens de ressonância magnética), que indica a concentração de fluxo sanguíneo por regiões, notadamente em torno do córtex e no hipocampo.

Estes experimentos dão sustentação a seis notícias: i) a curiosidade e foco de interesses intensos favorecem epifanias; ii) as epifanias são função predominante do lado esquerdo do cérebro; iii) o estado cerebral descrito como ausente de ansiedade predispõe a epifanias; iv) a capacidade natural ou estimulada do ACC (córtex cingulado anterior) ativam associações não óbvias entre objetos; v) os estupefacientes, como álcool e as drogas não apresentam resultados positivos em termos de descobertas e inovações; e, vi) os estímulos elétricos DCS (estimulação transcranial direta), aplicados ao lado direito e inibidos no lado esquerdo do cérebro, facilitam a compreensão e a solução de problemas.

As epifanias são raras e imprevisíveis. Essa a razão de os progressos da neurociência no campo serem bastante modestos. De fato, ainda não foi possível determinar como e porque os “episódios de inspiração” ocorrem. Por enquanto, o momento heurístico segue tão enigmático como aquele da manifestação das divindades.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Chen, James Wei e Ian Krajbich (2017) Computational modeling of epiphany learning. Proceedings of the National Academy of Sciences - PNAS 2017; published ahead of print April 17, 2017, doi:10.1073/pnas.1618161114

Donders Institute for Brain, Cognition and Behaviour - http://www.ru.nl/donders/

Salvi, Carola, Emanuela Bricolo, John Kounios, Edward Bowden & Mark Beeman (2016) Insight solutions are correct more often than analytic solutions. In Thinking & Reasoning. Volume 22, 2016 - 4

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