PERPLEXIDADES: Bayes – a tripla raiz do conspiracionismo.

Perplexidades.

As restrições ao cálculo de ocorrências futuras são objeto da Teoria da Probabilidade Condicional, do matemático inglês Thomas Bayes (1702-1761). Consagrada há largo tempo, a Teoria versa sobre a possibilidade de um evento se dar na presença ou na sequência de outros eventos. Seu processamento é complexo, mas a descrição é facilmente inteligível. Dado um espaço amostral, isto é, uma lista de ocorrência de eventos, e dadas suas probabilidades individuais, eliminam-se as não intercorrentes e as suas probabilidades relativas. Em seguida, atribui-se o peso às probabilidades associadas. Com isto se chega à probabilidade condicional. 

Aqui entra a falácia das maquinações. Tendemos todos a generalizar e a considerar uma só direção na sequência de eventos. Mas a probabilidade condicional de que A ocorra se B ocorrer difere da probabilidade de que B ocorra se A ocorrer. Notadamente isto se passa em situações que são comuns no meio jurídico (a prova cabal é anulada pelo precedente falho, mas a prova falha não anula o precedente cabal) e no prognóstico médico (a probabilidade de um exame dar negativo ou positivo é dissimétrica para quando a doença está ausente ou presente, isto é, o falso positivo é mais comum do que o falso negativo).

O desatino dos conspiracionistas deriva da tripla crença de que o acaso não existe, de que os complôs são frequentes e de que são unidirecionais. A insuficiência psíquica acomete estas pessoas de tal modo que esquecem que primeiro devem vir os fatos, e que os fatos devem ser verificáveis, não deturpados e não imaginários. Só depois, pode-se, legitimamente, especular sobre o sentido, a direção e a probabilidade associadas à articulação que existe entre eles. 

Os vícios intelectuais – a preguiça, a credulidade e a complacência – emulam as teses conspiracionistas. Mas o motor principal do conspiracionismo é a nolição, a recusa de procurar saber. Ainda que não dessem a mínima para a lógica bayesiana, caso os conspiracionistas se dedicassem à mera observação empírica, verificariam que o interesses pessoal rege o coletivo e de que é tão difícil aos humanos se unirem para fazer o mal quanto é o se unirem para fazer o bem.

UTILIZE E CITE A FONTE
Stone, James V. (2018).  Bayes’ rule: A tutorial introduction to bayesian analysis. UK. Sebtel Press.

2 comentários

  1. Hermano, muito obrigado. Eu conhecia o conteúdo estatístico dessa teoria, mas não a sua origem.
    Notou que há relação entre este tema e o Princípio da Razão Suficiente de Leibnitz?
    Grande abraço.
    José Roberto

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