EPISTEMOLOGIA: Heurística – o paradoxo consciente.

Epistemologia – Heurística.

Os estudos heurísticos têm dois focos: o do intercâmbio entre a percepção e a consciência, e o do diálogo da consciência com ela mesma. Daí que as chaves para o entendimento dos fenômenos da descoberta e da invenção compreendem o assentamento da estrutura da consciência, da sua dinâmica e da linguagem em que se expressa. 

As analogias com as questões filosóficas do espaço, do tempo e da matéria ajudam a entender as barreiras que se interpõem à compreensão filosófica, psicológica e neurocientífica dos atos heurísticos.

Se tomamos o espaço, temos algo que medeia entre o ponto, um lugar imaginário, e o infinito, um lugar não imaginável. Pois, do mesmo modo, a consciência não tem uma forma e uma limitação que se tenha podido determinar. Se tomamos o tempo, temos algo que medeia entre o instante, o momento em que o tempo não transcorre, e a eternidade, algo de que não podemos dizer a duração. Também o conteúdo da consciência está fora da sucessão temporal e, simultaneamente, é tudo o que transcorre no intelecto. Se, por fim, tomamos a matéria, temos algo que medeia entre o vazio, isto é, sua ausência, e o universo, vale dizer, tudo o que existe. Pois a consciência é algo que está entre a sua falta (o inconsciente) e o todo que a nossa mente abarca.

A segunda dificuldade na compreensão dos fenômenos heurísticos é a de determinar quando se passa a ter consciência, isto é, quando se sabe que se sabe. 

Para tomar consciência é preciso refletir, isto é, ter um espelho mental. Os animais não têm este espelho, não pensam que pensam. Sabemos que pensamos. Mas ignoramos como chegamos a saber que pensamos enquanto pensamos.

A terceira, e não menor, barreira ao entendimento do ato heurístico é a de saber se existe uma linguagem mental, e, em existindo, como identificar a forma interna da comunicação.

Desconhecemos o que nos permite reenviar sinais a nós mesmos, a refletir que refletimos sobre qualquer coisa. A filosofia, a psicologia e a ciência ignoram como contamos a nós mesmos que identificamos o que ninguém reparou ou viu antes.

A consciência é como o infinito, a eternidade e o universo, que têm realidade, embora não tenham existência, porque se a tivessem seriam definidos e determinados, isto é, teriam um princípio e um término, o que não pode ser. A consciência é, além disso, o que lança luz sobre tudo, embora o faça em uma linguagem intraduzível. 

Por não ser determinada, a consciência não se torna infinita, nem eterna, nem universal. Paradoxalmente, a indeterminação ilumina tudo o que sabemos. O que faz da consciência algo que só podemos expressar mediante tênues analogias.

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