Frege – De maquete a maquiagem.

Epistemologia

Interpretar a sociedade mediante algoritmos é como reduzir a natureza a linhas retas.

Essa foi a posição de ninguém menos do que Gottlob Frege (1848, 1925), um dos pais fundadores da lógica matemática, que disse que às ciências sócio humanas não se podem atribuir as características de um sistema unitário e global.

Segundo Frege, a Ciência se funda no “princípio da completude”, na disciplina da determinação de conceitos e categorias. Para que seja efetiva, a definição dos predicados possíveis deve ser completa, sem ambiguidades. Ou seja, deve declarar as terminações do intervalo em que o predicado pode, ou não, recair sobre o conceito ou sobre a categoria.

Há quatrocentos anos Descartes admitiu que o mundo pudesse ser reduzido a magnitudes físicas e que toda relação deveria ser passível de uma explicação em termos de inteligibilidade exclusiva. Mas a vetusta suposição cartesiana, que persiste em alguns teóricos das ciências sociais, nunca deixou de ser exatamente isto: mera suposição.

Um modelo matemático deve pressupor a possessão da verdade para poder encontrá-la. Esta exigência só pode ser satisfeita pelas ciências exatas. Não se pode aplicar a objetos instáveis como os da psique e os das relações humanas.

Modelos fechados, como os da lógica e da matemática não podem replicar a vida interior, a singularidade e os conteúdos sutis e múltiplos das personalidades e das suas interações. Os que ignoram esse fato tendem a construir maquetes do real. Não reproduzem o que é. Só algo que gostariam que fosse. São como algumas pessoas idosas que se pintam, esticam e botolizam.

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2020 – A divisão idílica do trabalho. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2020/10/21/frege–de-maquete-a-maquiagem/
REFERÊNCIAS:
Descartes, René (1996) Carte de Descartes à Mersenne de 23/12/1630. In Adam Charles e Paul Tannery, org. Œuvres de Descartes. Paris. Librairie Philosophique J. Vrin.]
Gargani, Aldo Giorgio (2013). Le savoir sans fondements. Traduction Charles Alunni. Paris. Librairie Philosophique J. Vrin.
Geach, Peter & Max Black (1960). Translations from the philosophical writings of Gottlob Frege. Oxford. Basil Blackwell
Mendelsohn, Richard L. (2006). The Philosophy of Gottlob Frege. Cambridge, UK. Cambridge University Press The Edinburgh Building,

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