Pluralismo – As emoções avaliativas e a ética substancial.

Ética.

A regulação das condutas é regida tanto pelas sanções que decorrem da violação de uma norma, quanto pelo incômodo que nosso comportamento causa a outras pessoas.

A constatação é de Max Weber (1864-1920), um dos pais da sociologia.

De fato, embora se acredite que o comportamento humano tem base racional e que a abertura para o debate argumentativo seja capaz de encontrar o bem comum, são as emoções, e não as razões, que governam a vida societária.

O problema é que não há consenso sobre o que venha a ser, no conjunto, a categoria “emoções”. Temos apenas que são movimentos do espírito que excitam a mente, sem que possamos controlá-los ou, mesmo, sem que tomemos consciência deles.

As ciências empíricas constatam, mas não explicam as emoções. Uma análise de 24 conceitos como raiva, amor e orgulho, em 2.474 idiomas e dialetos, incluindo mais de 2.400 noções paralelas – como “briga” -, foi usado ​​para explorar os significados e o contexto das emoções.

Concluiu-se que os verdadeiros significados se perdem na traduções. Enquanto nas línguas indo-europeias o conceito de “amor” está intimamente ligado a “gostar” e “querer”, nas línguas austronésias – uma família que inclui o havaiano e o javanês – está fortemente ligado à “piedade”.

É fácil reconhecermos em nós as emoções avaliativas – a vergonha, o desprezo, a culpa, a ira, a indignação, o orgulho, o gosto, a gratidão, a admiração, a inveja, a antipatia, a piedade, a maldade e o regozijo. No entanto, embora as possamos compreender como valores morais, não as podemos traduzir nos termos de objetos científicos. São sensações, como a do dever para com as crianças, para como os enfermos etc., irredutíveis à expressão e à lógica.

Essa evidência é um dos alicerces do pluralismo, a convicção de que, se queremos coexistir em paz, os nossos sentimentos não podem ser apresentados como superiores, racionais e universalizáveis.

 

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2020 – Pluralismo – As emoções avaliativas e a ética substancial. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensar https://hermanoprojetos.com/2020/11/18/pluralismo-as-emocoes-avaliativas-e-a-etica-substancial

 

REFERÊNCIAS:
Elster, Jon (2007) Explaining social behavior. New York. Cambridge University Press.
Jackson, Joshua Conrad, Joseph Watts, Teague R. Henry, Johann-Mattis List, Robert Forkel, Peter J. Mucha, Simon J. Greenhill, Russell D. Gray, Kristen A. Lindquist (2019) Emotion semantics show both cultural variation and universal structure. In, Science. Vol. 366, Issue 6472, pp. 1517-1522
Weber, Max. (2000). Ciência e Política: duas vocações. Tradução de Leônidas Hegenberg e Octany Silveira da Mota. São Paulo: Cultrix.

 

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