Pluralismo – a equidade desigual.

Ética.

Supor que nascemos iguais é imoral. Implica em arbitrariedade e ablação.

Os gregos, observou Nietzsche, não compreenderiam a crença da isonomia absoluta entre pessoas e grupos. Pensavam que devemos tratar todos com brandura e tolerância, mas que não podemos esquecer que nascemos diferentes. Acreditavam que da mesma forma que não há mérito na beleza física, nem demérito na feiura, a inteligência, o talento, a boa índole e seus opostos são fruto do acaso.

No final do século passado, John Rawls chamou a atenção para que os princípios de justiça são os acordos mais profundamente enraizados na política. Era verdade, e continua sendo. Mas Rawls parece não ter se dado conta da anterioridade da tradição. De que os critérios de justiça distributiva e os critérios de justiça comutativa são produtos de um meio específico e de convicções próprias da cultura Ocidental.

Assinalar esse fato não significa consentir com o abjeto. Trata-se apenas de praticar uma intolerância contra a repressão que decorre dos costumes. É como o anarquismo sadio, que “levanta a sua mão” contra a hierarquia eclesiástica, mas não contra a divindade, e que se insurge contra os desmandos dos Estados e das corporações, mas não contra a estrutura social.

Também o pluralismo assenta na convicção de que as “raison d’étad” e as razões corporativas são um pastiche do direito divino dos reis. Que nem as igrejas, nem os estados, nem as corporações – institutos artificiais que são – têm legitimidade para determinar o arquétipo da consciência dos seres humanos, colocando-se acima das pessoas e das comunidades.

 

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2021 – Pluralismo – a equidade desigual. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensar https://hermanoprojetos.com/2021/01/27/pluralismo-a-equidade-desigual/
 
 
REFERÊNCIAS:
 
Nietzsche, Friedrich (2009). Genealogia da Moral. Tradução de Paulo Cesar de Souza. São Paulo. Cia das Letras.
Rawls, John (2000) O liberalismo político. Tradução de Dinah de Abreu Azevedo. São Paulo. Editora Ática.

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