A senectude da autoridade vinculante.

Trabalho.

Na Regra escolástica, a enunciação de qualquer julgamento devia ser precedida da referência a um Mestre Antigo: a auctōritās. No caso de uma cogitação inédita, a menção à autoridade era distorcida ou simplesmente inventada. Todo instituto normativo da conduta humana tem a mesma fonte cerimoniosa e vazia

Como as auctōritātēs que lhes deram origem, as instituições não são mais do que feixes de regras cuja razão se esvai. São entidades oportunistas, fadadas a desaparecerem. Os motivos da sua criação já sempre foram vencidos pelo tempo e pela circunstância.

Não faltam exemplos de institutos e de normas que vão caducando: o marido era quase o proprietário da mulher até há pouco; a permissão para o matrimônio (ser mater), tornou-se um instituto feito inócuo pelo divórcio e pela pílula. Inversamente, o direito à herança, o legado aos filhos, natural na origem, foi transformado em uma fonte de renda da vampiresca ganância do Estado.

O vínculo empregatício em caráter contínuo é só mais um desses institutos circunstanciais. O marco regulatório do trabalho dependente, originário do regime de servidão, não passa hoje de uma referência agônica a um embate pretérito. Pertencem ao tempo em que imperavam a pilhagem, a velhacaria e a espoliação. Hoje são necessárias outras autoridades e normas. Instâncias suplementares, que possam confrontar a crueldade, a fraude e a contrainformação.

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2021 – A senectude da autoridade vinculante. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2021/03/04/a-senectude-da-autoridade-vinculante

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