Fórum – O Trabalho depois da Pandemia.

Trabalho.

sobreviversquareOuvidos mais de uma centena de profissionais e pesquisadores, no Brasil e na Europa, sobre o futuro imediato do trabalho, configurou-se- o seguinte perfil de mudanças no trabalho e na atmosfera socioinstitucional:

 

 

 

 

1. Segmentos:

a) Áreas: devem prosperar os serviços de delivery, a internet das coisas, a logística, o serviço de televendas, a segurança cibernética, a telefonia e transferência de dados. Devem decrescer: mega agências de publicidade, restaurantes self-service;

b) Profissões: devem prosperar o trabalho temporário e intermitente; a logística de entrega; o marketing digital. Devem decrescer os empregos de vínculo permanente; o trabalho doméstico;

c) Modalidades: devem prosperar o atendimento online, o empreendedorismo, a tecnologia, o trabalho online. Devem decrescer o banco físico, a burocracia presencial, o trabalho formal, as viagens de negócios;

d) Atividades: deve prosperar o gerenciamento por projetos. Devem decrescer as reuniões presenciais. práticas de congressos, viagens de trabalho;

e) Práticas: devem prosperar a educação e o treinamento a distância, o coworking, a saúde do trabalho. Devem decrescer os ciclos longos de planejamento, os modelos rígidos e o trabalho presencial.

O cenário projetado por segmentos é da tendência ao crescimento no sentido do trabalho independente e não presencial, e decréscimo no sentido do trabalho repetitivo e ritualístico.

2. Quanto ao mercado de trabalho:

a) O pessoal médico, operadores de varejo on-line intensamente solicitados durante a pandemia terão demanda e remuneração reduzidas;

b) As profissões que envolvem a produção de bens físicos (trabalhadores de fábricas e fazendas) terão demanda e remuneração recuperadas pós-pandemia;

c) As profissões liberais (advogados, engenheiros, projetistas etc.) terão demanda e remuneração mantida, com viés acentuado para a expertise em meios digitais;

d) Entre 25% e 50% dos trabalhadores em todos os campos deverão mudar de carreira;

e) Tendência de desaparecimento de profissões não-médicas que exijam alta proximidade física;

f) Tendência de crescimento de trabalho qualificado e de decrescimento acelerado de trabalho não qualificado;

g) Decréscimo das rendas decorrentes de investimentos e poupança;

h) Declínio dos gerentes ordenadores, ascensão dos gerentes arregimentadores.

O cenário projetado para o mercado de trabalho é o da inversão da tendência de hiper produtividade do trabalho independente e hiper colaboracionismo do dependente. Os mercados profissionais serão afetados por pessoas que encontram formas mais interessantes de ganhar a vida do que um emprego convencional e que não pretendem voltar ao antigo emprego e, mesmo ao antigo regime de trabalho.

3. Quanto à atmosfera socioinstitucional:

a) Perda de confiança no sistema, tanto no governo como nas empresas para lidarem com emergências globais;

b) Perda de confiança nos formuladores de políticas para lidarem com emergências naturais;

c) Descrença nos indicadores financeiros como espelho da situação econômica e perspectivas laborais;

d) Tendência à austeridade no consumo decorrente do desprezo pela aquisição de bens e serviços tornados supérfluos, incluindo bens duráveis;

e) Re-divisão internacional do trabalho, com aversão à dependência externa;

f) Pressão por intervenção do estado para evitar desiquilíbrios no mercado de trabalho;

g) Retenção de matérias primas e produtos estratégicos, dificultando a indústria de transformação nos países importadores;

h) Aumento da dívida pública;

i) Crescimento de projetos governamentais e corporativos de sistemas de auxílio à realocação;

j) Projetos de renda mínima e de cestas básicas ampliadas e subsidiadas;

k) Descrença no sistema democrático;

l) Redistribuição de locais de trabalho e de residência com mudanças na geografia urbana;

m) Tendência ao desaparecimento das transações e circulação em dinheiro físico;

n) Tendência à instabilidade na geração de bens e serviços, alterações nos padrões de vida, ao progresso higiênico e comunicacional;

o) Crescimento no volume e complexidade dos litígios trabalhistas.

A atmosfera socioinstitucional projetada corresponde ao distanciamento afetivo do trabalhador-empregador. A descrença nas instituições, nas informações e nos dados publicados em todas as mídias permanecerá por longo tempo. O mesmo para o anseio da administração pública como servidora e articuladora da economia e da segurança. O sentimento geral do clima pós-pandemia será o de haver sobrevivido a uma guerra.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2021 – Fórum – O Trabalho depois da Pandemia. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2021/03/26/forum-o-trabalho-depois-da-pandemia-2/

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