Fontes da filosofia moral – Charles Taylor – entre o desejo e a moral.

Ética.

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Charles Taylor, filósofo canadense, reuniu dados e fatos à razão para demonstrar que a moralidade é forjada pela história, pela cultura e pelo feixe das emoções.

As condutas definidas como éticas são convenções em parte intelectuais, em parte instintivas, em parte determinadas pelo meio.

Nas águas da hermenêutica, Taylor defendeu que a distinção entre o certo e o errado é irredutível à “grande construção epistemológica moderna”. De modo que a moral efetiva é a do sentimento de que agimos de acordo com o que temos de melhor em nós mesmos, a despeito daquilo que possamos ilegitimamente desejar.

O argumento é o de que, uma vez que a sociedade deixou de ter uma estrutura sacralizada, os arranjos sociais se tornaram disponíveis à redefinição. O desencantamento levou à busca da identidade própria e da vida autêntica: um binômio que nos responsabiliza pela solução das divisões que surgem na luta entre desejo e moral.

O desejo é a força maior com que temos que nos haver. A vontade de possuir, a vontade de ser, a vontade de estar são constructos que nossos impulsos querem preencher à todo preço. Essas ambições elevam o individual sobre o coletivo. Tendemos  “a ver apenas a realização do self”.

O esforço moral, em contraposição, inclui o controle das vontades egocêntricas e, também, o cultivo do desejo de sermos nós mesmos. Um propósito firmado na autodefinição e no diálogo e orientado para a descoberta de horizontes e a edificação de significados.

O ser moral de Taylor está ligado à estética, ao sentido da interioridade, à afirmação da vida ordinária e à concepção da natureza como raiz da ética. Constitui uma ponte entre a bela vida, que Hegel viu nos gregos, e a vida íntegra, que Nietzsche postulou na Genealogia da Moral.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2021 – Fontes da filosofia moral – Charles Taylor – entre o desejo e a moral. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2021/04/28/fontes-da-filosofia-moral-charles-taylor-entre-o-desejo-e-a-moral/

 

REFERÊNCIAS:
Nietzsche, Friedrich (2009). Genealogia da Moral. Tradução de Paulo Cesar de Souza. São Paulo. Cia das Letras.
Taylor, Charles (2010) A ética da autenticidade. Tradução de Talyta Carvalho. São Paulo. Ed. Realizações.
Taylor, Charles (2018). A secular age. Cambridge, MA. Harvard University Press
Taylor, Charles M. (2013) As fontes do self: a construção da identidade moderna. Tradução de Adail Ubirajara Sobral, Dinah de Abreu Azevedo. São Paulo. Edições Loyola.
Taylor, Charles M. (2013). Hegel: sistema método e estrutura. Trad. Néli Schneider. São Paulo. Ed. Realizações.

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