Nietzsche – O trabalho de parto da estrela bailarina.

Trabalho.

“Todo aquele que não dispõe de dois terços do dia para ele mesmo é um escravo.”

A frase de Nietzsche tem dupla implicação.

A primeira é pessoal. Cada um de nós está destinado a se constituir como ultra-homem, um ser mais elevado do que o humano que o habita. É o chamamento à autoconfiguração.

A segunda é evolutiva. Não somos definitivos, mas seres em trânsito e já no seu ocaso. Por natureza, tendemos à vontade de poderio. É o chamamento à expansão.

No trabalho comum, a fisiologia do corpo e o convívio forçado nos degradam. O cotidiano de ocupação mesquinha, pobre em esperanças, corrói o tempo vital. Bloqueia a auto evolução. O homem capaz de se ultrapassar, do qual depende o destino, seu e da espécie, não é o escravo, o servo, o funcionário, o empregado, mas o artista, o pensador, o poeta, o legislador, o herói.

Lord Byron, que foi o modelo de Nietzsche, conduziu a vida como se fosse o paladino de um romance. Mostrou que para obedecer o imperativo de trabalhar sem nos submetermos à banalidade, devemos gerir a tensão entre a liberdade criativa a e necessidade de sobrevivência. Devemos cuidar tanto da vida mecânica como da que alimenta o espírito.

Não podemos escapar do trabalho. Nem devemos. O alheado do mundo se aliena se si. O caminho para sermos protagonistas da nossa vida é o de cultivar o controle das pulsões. Mas sem as suprimir. O terço do dia que não dedicamos a nós mesmos é benéfico. Realça o conflito entre o eu e a realidade exterior. E, como falou Zaratustra, é preciso ter um caos dentro de si para poder parir uma estrela bailarina.

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2021 – Nietzsche – a crendice da origem e a ilusão binária. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2021/07/28/nietzsche-o-trabalho-de-parto-da-estrela-bailarina/
REFERÊNCIAS:
Nietzsche, Friedrich (1981). Assim falou Zaratustra; Tradução de Mario da Silva; Rio de Janeiro; Civilização Brasileira. [4, 4;1]
Nietzsche, Friedrich (2005). Humano, demasiado humano; Tradução e notas Paulo César de Souza; São Paulo; Companhia das Letras.
Nietzsche, Friedrich (2016), Para além do bem e do mal. Tradução de Attila Blacheyre. Rio de Janeiro. Best Bolso. [259]
Nietzsche, Friedrich (1996). Ecce homo; Tradução de Paulo César de Souza; São Paulo; Companhia das Letras. [6:30]

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