Derrida – A abertura heurística da desconstrução.

Epistemologia.

O “racionalismo incondicional” de Derrida põe em discussão a bipolaridade nas tradições, nas hipóteses, nas convenções, nos pressupostos e, mesmo, nos objetos. Retorce o estabelecido, procurando os rastros, os vestígios dos conceitos.

A atitude desconstrutivista expõe o interstício e a falta. Por exemplo, o conceito /herói/ requer o conceito /vilão/, mas um herói pode salvar uma criança de um prédio em chamas sem que haja um vilão responsável pelo incêndio.

O dualismo favoriza sempre uma das categorias, oculta outras e deixa lacunas. Dizemos a ordem e a desordem, mas para além da desordem há o caos. Dizemos o determinado e o indeterminado, mas para além do indeterminado há o acaso. Dizemos que o menino que aí está será um adulto cuja identidade não podemos antever. Isso nos dá uma sensação de certeza, nos conforta, evita dizer que talvez não, que talvez o menino não alcance a idade adulta.

Inexiste uma forma sistemática, encadeada e universal de desconstruir. Mas há uma disciplina: a de configurar de outro modo. Os passos da desconstrução comportam, mas não se limitam a:

  1. Tomar um termo ou um período e o desprender da redução e dos enfoques parciais (econômicos, gerenciais, psicológicos, historicistas…) conduzindo a análise a uma variedade de remissões de sentido, desarticulando os eixos ortogonais, os horizontes, os polos,….
  2. Problematizar a noção sobre o verdadeiro nos seus elementos e estruturas:
    • Perguntar a razão dos móbeis, das intenções, do querer dizer;
    • Perguntar a forma como isso se liga àquilo;
  3. Perguntar quais outras respostas são possíveis.

Deslocados, os conceitos expõem sua fragilidade. Passam a ser quase-conceitos, retrocedem ao estado de indeterminação, prestam-se a outros cálculos, a outras conjecturas, à descoberta, à invenção. E isso é tudo. A desconstrução é aporética. Não chega ao fim, porque não há fim.

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2021 – Derrida – A abertura heurística da desconstrução. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2021/08/04/derrida-a-abertura-heuristica-da-desconstrucao/
REFERÊNCIAS:
Derrida, Jacques (1973). Gramatologia. Tradução Mirian Schneiderman e Renato Jeanine Ribeiro. São Paulo. Editora Perspectiva
Derrida, Jacques (1991). Margens da filosofia. Tradução de Joaquim Torres Costa & Antônio M. Magalhães. Campinas. Papirus Editora.
Derrida, Jacques (2014). L’écriture et la différence. Paris. Points-Essais.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s