O pluralismo e o dilema trágico da moralidade.

Ética.

Marc Chagall – Entre chien et loup
Marc Chagall – Entre chien et loup

“Ou bem é preciso filosofar, ou bem não é preciso filosofar, mas é preciso filosofar para mostrar que não é preciso filosofar”.

Esse īnsolūbilis ou dilema trágico vem de Aristóteles. Antigos e de várias origens, os insolubilia se contam às centenas. Em todas as disciplinas filosóficas existem indeterminações como essa. No entanto, até o século XIX consideravam-se isentas as proposições morais. Pensava-se que os Bens genuínos são necessariamente compatíveis uns com os outros. Que os dilemas trágicos da ética deveriam repousar sobre erros de concepção ou de compreensão.

Foi Johann Gottfried von Herder (1744-1803) o primeiro a contrariar esse mito. Demonstrou duas contradições na lógica moral: i) a de que alguém deva fazer uma coisa determinada porque um bem assim o decreta e, simultaneamente, deva evitar esse ato, porque algum outro bem assim o estabelece; ii) a de que pode ser verdadeiro que alguém deva fazer uma coisa determinada porque um bem definitivo assim o exige, e, simultaneamente, deva evitar esse ato porque o mesmo bem definitivo assim o obriga.

Apesar das demonstrações de Herder, subsiste ainda hoje a negação do dilema trágico da certeza sobre valores: o īnsolūbilis de que os juízos sobre a verdade se destroem a si mesmos. Pois se afirmo que tudo é verdade, afirmo a verdade da opinião oposta, a de que nem tudo é verdade. E se afirmo que nem tudo é verdade, afirmo que essa opinião pode não ser verdade.

O pluralismo ético não resolve os insolubilia. Apenas, como Alexandre ao cortar o nó górdio, propõe superar os dilemas trágicos da certeza moral mediante a validação das posições razoáveis.

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2021 – O pluralismo e o dilema trágico da moralidade. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2021/08/11/o-pluralismo-e-o-dilema-tragico-da-moralidade/
REFERÊNCIAS:
Aristóteles (2011). Obra completa; Miguel Candel. ed. Madrid. Editorial Gredos.

Berlin, Isaiah (1982). Herder e o Iluminismo. In Vico e Herder. Tradução de Juan Antônio Gili Sobrinho. Brasília. Editora da Universidade de Brasília.

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