O artefato amoral.

Ética.

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As tentativas de automatizar opções éticas têm se mostrado catastróficas. Veículos autônomos que não diferenciam situações únicas, como uma bicicleta sendo carregada nos ombros. Armas robóticas que derrubam aviões de carreira. Detectores de som que não respeitam a convenção de Genebra.

Mas é no campo da lógica que a desumanização dos juízos morais esbarra em dificuldades insuperáveis. Ainda que houvesse regras claras, como ensiná-las aos autômatos? Qual a diferença entre um anão e um menino; entre um velho e uma criança alta? Um robô só pode tomar decisões discretas, do tipo: mate o menor número de pessoas (mesmo que o menor número seja de crianças?), faça o que for melhor para a maioria (mas o que significa melhor?).

Há outras considerações além das quantidades e dos categoremas. Os softwares e os hardwares não elaboram o que aprendem. Como esses apps, autômatos e robôs lidarão com o que não pode ser previsto ou programado? As convicções morais e as regras da ética são imprecisas por definição. A liberdade, a justiça, a tolerância não têm parâmetros. Têm, eventualmente, paradigmas, e os paradigmas geram contínuos oscilantes, que se alteram conforme o tempo e a circunstância. A exposição de recém-nascidos, o espancamento das esposas e o duelo já foram paradigmáticos e legais na nossa sociedade. A repressão da sexualidade minoritária, a opressão das mulheres e a discriminação dos idosos ainda são.

O ser humano erra por deficiência do intelecto, por ignorância, por fadiga, por má formação moral. Os seres artificiais falham por terem sido produzidos por humanos. Os artefatos não erram. A natureza não erra, a divindade não erra. O artefato opera. A natureza é. A divindade quer. Todo erro é humano. E é algo que só um humano pode perceber e corrigir. Ou não.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.

 

CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2021 – O artefato amoral. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2021/09/22/o-artefato-amoral/
 

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