A ciência da heurística.

Epistemologia.

blind

Alguma coisa em nós, cuja procedência é impossível de determinar, encontra uma saída. Isso é tudo que sabemos com certeza científica sobre o evento heurístico.

Os entusiastas das neurociências costumam se esquecer que elas se definem pelo sufixo da expressão. Têm categorias, métodos e objetivos próprios e obedecem aos preceitos de Popper: deduções empiricamente falseáveis a partir de premissas maiores (as hipóteses universais) e a partir de premissas menores (as constatações passíveis de observação).

O propósito das neurociências é relacionar os processos do conhecer em uma arquitetura computacional ancorada a um substrato biológico. O método investigativo é o de registrar onde, como e quando a mente incita as redes neurais. Procedimento de si problemático, vez que, ao contrário do que se pensava, as operações cognitivas não se verificam em uma região única, ou mesmo em uma região precisa do cérebro.

Há mais. O córtex cerebral é de difícil acesso e as zonas bloqueadas e lesionadas são substituíveis ou contornáveis, sendo comum a emergência de novas áreas que suprem as traumatizadas e a abertura de caminhos alternativos às ligações obstruídas. Por isso, mesmo quando é possível localizar os eventos no cérebro, não se tem como estabelecer a função de regiões importantes, como a ínsula anterior direita, uma das mais frequentemente ativadas no processo cognitivo.

A topologia psíquica da descoberta e da invenção está fora da alçada das neurociências. A centelha heurística é inalcançável porque as faculdades intelectuais e as faculdades de empatia criativa raro coexistem na mesma pessoa. Além disso, o fenômeno da descoberta e da invenção apresenta sinais contraditórios. Um grande artista pode ter sua produção anulada por dificuldades materiais, como ocorreu com Edgar Allan Poe, ou pode tê-la incitada pelas mesmas dificuldades, como foi o caso de Honoré de Balzac.

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2021 – A ciência da heurística. – A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2021/11/26/a-ciencia-da-heuristica/
REFERÊNCIAS:
Ostojic, Srdjan & Cathrerine Tallon-Bauduz (2018). Du neurone au cerveau. In, Thérèse Collins, Daniel Andler & Catherine Talon-Bauchy. La cognition : du neurone à la société. Paris. Gallimard.
Popper, Karl (2008). Uma busca Inacabada: autobiografia intelectual. Tradução João Carlos Espada, Lisboa, Esfera do Caos.
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