O apego ao equívoco moral.

Ética.

Screenshot - 2022-01-04T140453.014O ser humano é facilmente induzido ao erro. Se perguntamos a um grupo de pessoas qual a possibilidade de Gandhi ter vivido 140 anos e, em seguida, pedimos que indiquem uma idade provável para sua morte, a tendência é que estimem por volta dos 65 anos. Mas se perguntamos sobre a possibilidade de Gandhi ter morrido antes dos 9 anos de idade, a estimativa baixa para em torno de 50 anos.

A questão de quantos negros ganharam o Nobel nada informa sobre a inteligência dos negros, informa sobre as infâmias que sofreram. Mas com a simples formulação da pergunta a indução estará feita. A questão de qual grupo foi mais perseguido pela ditadura militar nada revela sobre a profissão militar – os militares foram exatamente o grupo mais perseguido – revela sobre as ditaduras, mas a indução estará implantada.

Mais perniciosa é a autoindução de parâmetros. Se pedimos a um grupo de pessoas que escreva, sem darmos nenhuma informação prévia, a estimativa da idade da morte de Gandhi, quantos negros ganharam o Nobel ou qual o grupo mais perseguido durante a ditadura militar, e depois pedimos que reflitam e deem uma resposta definitiva, a maioria tende a se aferrar à opinião inicial.

Além de passíveis de indução e cristalização, os juízos morais são imprevisíveis. Fundam-se no próprio entendimento e sofrem a influência do meio em que se viveu e em que se vive. A persistência da imoralidade está no apego ao engano induzido. Ainda que as pessoas procurem ajustar suas opiniões para as acomodar à razoabilidade, a autoindução faz com que resistam a admitir a ausência de fundamento dos juízos morais a que se habituaram.

 
 
UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2022 – O apego ao equívoco moral. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2022/01/07/o-apego-ao-equivoco-moral/

 

REFERÊNCIAS:
Epley, Nicholas & Thomas Gilovich (2001) Putting adjustment back in anchoring and adjustment heuristics. In, Psychological Science, 12 (2001).

 

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