Heurística – A fantasia, a ilusão, a descoberta.

Epistemologia.

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Alexander Almark

Vivemos uma quadra em que o florescimento tecnológico convive com a renúncia ao sonho. Tudo se aplica, pouco se descobre, quase nada se inventa.

Jules Verne e Arthur Clarke, em épocas de fartura heurística, anteciparam e descreveram o que vinha à sua frente. Nós, hoje, não temos ninguém que ofereça uma fábula original que seja sobre um futuro plausível. Ou implausível, como foi o dos astrólogos e o dos alquimistas, que pouco inventaram ou contribuíram para inventar, mas que muito descobriram e contribuíram para descobrir.

A maior ambição dos astrólogos, a antecipação das ocorrências, nunca passou de uma superstição. Mas as tentativas de dar com o futuro alimentaram descobertas. Um dos maiores astrônomos que já existiu, Claudio Ptolomeu (90-168) foi, também, ou antes de tudo, astrólogo. Pensou um céu geocêntrico, falho em número e magnitude, com ideias como a de planetas que teriam luz própria e órbita circular em que até hoje se baseiam os insensatos mapas astrais. Mas descobriu centenas de estrelas, descreveu o movimento dos astros, elaborou sistemas de cálculos muito à frente da sua época, produziu a súmula da astronomia antiga e uma obra que vigorou por mais de um milênio, o Almagesto (composição matemática).

O sonho maior dos alquimistas, a chave-do-mundo ou Pedra Filosofal, nunca passou de uma conjectura. Mas não foi inútil. As tentativas para a encontrar alentaram descobertas. Um alquimista tardio, que dedicou mais da metade da vida às pesquisas extravagantes, o professor de matemática de Oxford, chamado Isaac Newton, era cético em relação a coisas ilógicas, como a Santíssima Trindade, mas acreditava ser possível transformar metais vis em preciosos e encontrar a Pedra. Apesar dessas crendices, Newton descobriu as principais leis da física – movimento, gravitação, … – que a terra era oblata (achatada nos polos) e muitas outras coisas.

A descoberta em nada é inferior à invenção. A fantasia astrológica e o sonho alquímico não impediram que Ptolomeu e Newton mudassem a compreensão do mundo e que suas descobertas tenham sido mais revolucionárias do que qualquer invento, exceto, talvez, o da roda.

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2022 – Heurística – A fantasia, a ilusão, a descoberta. –  A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2022/02/28/heuristica-a-fantasia-a-ilusao-a-descoberta/
REFERÊNCIAS:
Bryson, Bill (2002) Breve história de quase tudo. Tradução de Ivo Korytowski. São Paulo. Cia das LetrasDampier- Wetham, Willian Cecil (1930). A history of science. Cambridge, Cambridge. University PressSimaan, Arkan e Joëlle Fontaine (2003) A imagem do mundo. Tradução de Dorothé de Bruchard. São Paulo. Cia. Das Letras.

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