Interação 05: Interacionismo – As dores de parto do novo normal.

 

manipulationsO valor atribuído ao trabalho está em mutação permanente e normatização constante. Em diferentes épocas e circunstâncias o trabalho foi ora desprezado, como na Grécia Clássica, ora estimado, como nas sociais democracias, ora naturalizado, como nas ideologias econômicas contemporâneas.

O que têm em comum essas formas de ver é que o normal costuma ser confundido com o lógico e este com o justo. É por isso que as descontinuidades nas relações laborais são tidas como inconcebíveis, erradas e dolorosas.

As mudanças de fundo nas estruturas econômicas vividas no espaço de uma geração podem ser profundas, mas não são profusas. Principalmente não são transmissíveis. A geração que ontem saiu de cena viveu a guerra total, mas não a totalidade dos seus efeitos sobre o trabalho. Vivemos nós uma pandemia, a primeira da era global. Floresceram o home office e os avatares do trabalho a distância. Mudanças que desalinharam as interações laborais e interditaram o cálculo sobre seu futuro.

Hoje, como sempre, tendemos a padecer nas mutações do trabalho porque não temos exemplos a seguir. O conhecimento dos fatores de ignição de ocorrências passadas é ilustrativo, mas improfícuo. As linhas de evolução são inúteis para antever rupturas ou prescrever ações. O “outra vez” nada informa sobre o “nunca antes”.

 

VEJA TAMBÉM:

Interação 01: Durkheim e Simmel – Entre o ator e o agente.

Interação 02: Interacionismo situacionista – a ruptura absoluta.

Interação 03: Interacionismo simbólico – a descontinuidade restaurada.

Interação 04: Wittgenstein – Interacionismo lúdico – a vida estrangeira.

 

UTIILIZE E CITE A FONTE:
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2022 – Interação 5: Interacionismo – As dores de parto do novo normal. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2022/03/28/interacao-05-interacionismo-as-dores-de-parto-do-novo-normal/

 

REFERÊNCIAS:
Cherques, Hermano Roberto Thiry (2008). Métodos Estruturalistas. São Paulo. Atlas
Foucault, Michel (2007). As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Tradução de Salma Tannus Muchail. São Paulo. Martins Fontes.
Cherques, Hermano Roberto Thiry (2004). Sobreviver ao trabalho. Rio de Janeiro: Editora FGV.

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