Prometeu entediado.

Trabalho.

 

O trabalho repetitivo, alicerce da economia do constrangimento, nutre-se da vacuidade do espírito, da continuidade dos processos, da insatisfação da espera. O trabalho inventivo, que abre a vida econômica e contesta a dominação, nutre o espirito, descontinua as rotinas e satisfaz a mente humana.

O primeiro solicita a atenção absoluta. O segundo a atenção profunda. A atenção absoluta corresponde à aplicação intelectual sobre fluxos de informação oscilantes. Requer e implica na hiperatividade do espírito. Suprime o tédio pela aceleração do banal. A atenção profunda corresponde à imersão da mente nos objetos. Requer e implica na serenidade do espírito.

Anula o tédio pelo foco no essencial.

No trabalho repetitivo o ser humano deixa de ser homo faber para retornar à condição de animal laborans. Um ser rudimentar que espreita o perigo e é capaz de safar-se das ameaças da selva econômica. No trabalho inventivo o ser humano deixa de ser homo faber para ascender a condição de homo excogitatoris. Um ser avançado, que vive na fronteira estimulante da selva econômica.

Prometeu, o inventor da lucidez e da educação, foi condenado ao sofrimento por ter induzido os homens ao trabalho emancipado dos deuses. Uma grande águia devora seu fígado à mesma hora todos os dias. A espera o enfada eternamente. A recorrência do sofrimento aniquila seu espírito.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2022 – A invenção do trabalho. – A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensar.  https://hermanoprojetos.com/2022/05/04/prometeu-entediado/

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