Silenciar até mesmo sobre o próprio silêncio.

Notas.

“Numa recolha de fábulas dos fins da Antiguidade lê-se este apólogo:

Os atenienses tinham por hábito chicotear a rigor todo candidato a filósofo, e, se ele suportasse pacientemente a flagelação, poderia então ser considerado filósofo. Um dia, um dos que se tinham submetido a essa prova exclamou, depois de ter suportado os golpes em silêncio: ‘Agora já sou digno de ser considerado filósofo!’. Mas responderam-lhe, e com razão: ‘Tê-lo-ias sido, se tivesses ficado calado’.

A fábula ensina-nos que a filosofia tem certamente a ver com a experiência do silêncio, mas que o assumir dessa experiencia não constitui de modo nenhum a identidade da filosofia. Ela está exposta no silêncio absolutamente sem identidade, suporta o sem-nome sem encontrar nisso um nome para si própria. O silêncio não é a sua palavra secreta pelo contrário, a sua palavra cala perfeitamente o próprio silêncio.”

AGAMBEN, Giorgio (2012). A Ideia de Prosa. Tradução de Jpão Barrento. BELO HORIZONTE. AUTÊNTICA EDITORA, PG 110.
UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2022 –  A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensar – hermanoprojetos.com

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