Heurística: A liberdade do vazio.

Epistemologia.

Flora Borsi

O objetivo da ciência é o de suprimir a ignorância pela capitalização de conhecimentos. Essa diretriz elide o fato de que o conhecimento novo é acarretado pela ignorância. A ideia de progresso ilimitado, que acompanhou o surgimento da ciência moderna, permanece seu princípio inspirador. Os sacramentos de capitalização e de progressão fazem com que se mova entre erros e enganos corrigíveis e que bloqueie o acesso ao totalmente ignorado.

O mais danoso desse fechamento é o critério da cientificidade: a evidência. A evidência – aquilo que se vê – pertence ao campo do aparente, e é da natureza do aparente tanto revelar como esconder. Daí que toda correção e toda desilusão na trajetória científica impliquem em circularidade: na “perda de uma evidência apenas porque é a aquisição de outra evidência”, nas palavras de Merleau-Ponty.

A ciência percorre o caminho seguro do “melhor e melhor ainda”, do “verdadeiro e ainda mais verdadeiro”. A implicação é que o evento heurístico, quando, e se ocorre aos cientistas, requer que a alforria dos procedimentos sob os quais operam.

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2022 – Heurística: Emancipar da ciência. –  A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2022/05/30/heuristica-emancipar-da-ciencia/
REFERÊNCIAS:
Merleau-Ponty, Maurice (1995). Phénoménologie de la perception. Paris. Gallimard.
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