Fontes da filosofia moral: Richard Hare – o universal e o prescrito.

Ética.

Richard Mervyn Hare (1919 – 2002), professor em Oxford, defendeu ser ilegítima a avaliação dos juízos éticos em termos de verdade / falsidade. Na visão de Hare, as normas racionais do que se pode e não se pode, do que se deve e não se deve fazer, do bom e do mau, do correto e do incorreto possuiriam apenas dois atributos: a prescritividade e a universalidade; enquanto o raciocínio moral possuiria dois níveis: o intuitivo e o crítico.

Os julgamentos éticos seriam invariavelmente prescritivos porque envolvem imperativos: dizer a verdade, faça isso, …. Seriam necessariamente universalizáveis porque requerem que as prescrições se apliquem a todos seres humanos em qualquer circunstância no espaço e no tempo. O nível intuitivo do raciocínio moral decorreria de uma (suposta) faculdade particular pré-reflexiva, de que todo ser humano seria dotado. As propriedades morais (ser justo, ser bom, ser obrigatório …) atribuídas a algumas categorias de agentes, ações ou fatos, seriam deduzidas a partir dessa faculdade. De modo que o kantismo daria conta da forma dos juízos éticos.

Os conflitos entre a intuição e a razão se resolveriam mediante a aplicação do filtro utilitarista – o melhor para o maior número de pessoas – às prescrições kantianas de base. Salvo que, como os interesses dos grupos podem ser concorrentes, seria facultado desconsiderar as intuições enraizadas no espírito em favor de maneiras de maximizar a satisfação de todos (como mentir, por exemplo).

O modelo híbrido de Hare é confuso e inaplicável. O legado maior do que pensou, ensinou e escreveu é a evidência de que – mesmo a um nível intelectual tão alto como foi o dele – não se tem como, legitimamente, sustentar a universalidade das teorias éticas. Muito menos efetivar a sua conciliação prática.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2022 – Fontes da filosofia moral: Richard Hare – o universal e o prescrito. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2022/07/29/fontes-da-filosofia-moral-richard-hare-o-universal-e-o-prescrito/
 
REFERÊNCIAS:
Hare, Richard (1981). Moral thinking – its levels, method and point. Oxford. Clarendon Press.
Williams, Bernard (1988) The structure of Hare’s theory, in: Hare and its critics. D Seanor and N Fotion. Oxford. Oxford Clarendon Press

 

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