Heurística – Benjamin: a descoberta do invisível.

Epistemologia.

Walter Benjamin denominou “elemento mimético” a capacidade humana de perceber ou inventar semelhanças. Chamou a atenção para o fato de que a correspondência entre parecenças, como entre os macrocosmos e o microcosmos, acarreta nexos imateriais, substitutos da magia na explicação do mundo.

A fértil imagem que temos do átomo, por exemplo, criada em 1904 pelo físico japonês Hantaro Nagaoka, composto de elétrons orbitando um núcleo, é inteiramente falsa. Os elétrons preenchem em suas órbitas todas as porções do espaço simultaneamente. Aliás, como teorizou Niels Bohr, prêmio Nobel de física de 1922, um elétron muda de órbita sem percorrer o espaço intermediário. Apenas dá um salto quântico. A despeito de ser uma fantasia irrealista, a imagem atômica perdura como ícone até de instituições de física. É crível e transmissível. Ao quebrar as ilações lógicas convencionais, a intelecção súbita desse elemento mimético nos fez acreditar que o átomo realmente existe. O que é um feito relevante, se considerarmos que o átomo, uma entidade diversa dos corpúsculos, é não só invisível, mas irrepresentável. Perguntado como seria a imagem do átomo, Werner Heizenberg, inventor da mecânica quântica, a descreveu como algo que não se deve nem tentar imaginar. Não era um gracejo.

A apreensão de uma coisa que não pode ser figurada, ou mesmo cuja representação é incorreta volta e meia fecunda as matemáticas e as ciências naturais, mas não é exclusiva delas. Aplica-se ao que Walter Benjamin disse sobre os índices dos objetos históricos: que não é o passado que lança luz sobre o presente ou o presente que lança luz sobre o passado, mas uma ideia, a da dialética em trânsito, que cintila no instante em que fere a consciência para não mais aparecer.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2022 – Heurística – Benjamin: a descoberta do invisível. –  A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2022/09/30/heuristica-benjamin-a-descoberta-do-invisivel/

 

REFERÊNCIAS:
Benjamin, Walter et ali. (1970) Humanismo e comunicação de massas. Rio de Janeiro. Tempo Brasileiro.
Bryson, Bill (2002) Breve história de quase tudo. Tradução de Ivo Korytowski. São Paulo. Cia das Letras
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