De genética e de memética.

Perplexidades.

A memética é uma disciplina inspirada no paralelismo entre a evolução biológica, fundada na reprodução de unidades orgânicas chamadas genes (gens – gerar), e a evolução cultural, que se baseia na replicação de unidades informacionais chamadas memes (mimesis – imitação).

A ideia dos memes e a palavra em si foram concebidas pelo professor de Oxford, Richard Dawkins, um etólogo evolutivo. Mas foi a psicóloga Susan Blackmore quem primeiro descreveu os memes em termos de replicadores universais, dos quais o gene seria apenas um exemplo.

Na concepção de Blackmore, os memes possuem três características principais: espelhamento de alta fidelidade, elevados níveis de fecundidade (muitas cópias) e grande longevidade. O intelecto hospedaria memes culturais, ideológicos, religiosos, etc. Parasitárias, essas unidades de informação se multiplicariam e espalhariam. Os hospedeiros humanos formariam, então, coletividades cujos indivíduos não se aperceberiam que aquilo que têm como certo e racional carece de fundamento ou validade.

Como em uma infecção, as colônias de memes se perpetuariam. Ideias de vida após a morte, de paraíso comunista, de autorregulação dos mercados e muitas outras constituiriam memes disseminados por contágio natural ou, propositalmente, por grupos de interesse. Tal como os genes, os memes replicantes das superstições, das ideologias, das fés, da publicidade teriam o objetivo idêntico ao dos vírus nas infecções: a própria sobrevivência, mesmo que a custo de vidas e de culturas inteiras.

O paralelismo não para aí. Blackmore acredita que, em sendo do interesse de instituições, grupos e pessoas, os memes tornados disfuncionais esgotam e matam os hospedeiros. A luta por status, a corrida armamentista, a manutenção de economias de controle centralizado, a competição capitalista são alguns exemplos.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
CHERQUES, Hermano Roberto Thiry, 2022 – De genética e de memética. A Ponte: pensar o trabalho, o trabalho de pensarhttps://hermanoprojetos.com/2022/10/17/de-genetica-e-de-memetica/

 

REFERÊNCIAS.
Blackmore, Susan (2000). The meme machine. Oxford. Oxford University Press.
Dawkins, Richard (2007). O gene egoísta. Tradução de Rejane Rubino. São Paulo.Companhia das Letras

 

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