Autor: Hermano Roberto Thiry-Cherques

Pós-Doutor pela Médiation Culturelle, Université de Paris. Doutor em Ciência da Engenharia, COPPE – UFRJ. Mestre em Filosofia, IFCS – UFRJ. Bacharel em Administração, EBAP/FGV. Estudos complementares no Brasil e na Alemanha – Deutsche Stiftung für internationale Entwicklung. Professor Titular – Fundação Getulio Vargas Senior Researcher – University of Maryland, College Park. Professor Visitante – Université Paris III, Sorbonne Nouvelle Professor Visitante ESCP-EAP – European School of Management Professor Visitante – Université de Lilly Consultor de agências internacionais (Nações Unidas, OEA, UNESCO, OMS, BID), empresas e organizações governamentais, no Brasil e no exterior (Argentina, Chile, Colômbia, Espanha, Equador, Estados Unidos, Guiné-Bissau, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal e Venezuela). ÁREAS DE INTERESSE Organizações e Trabalho Modelagem de Projetos Ética nas Organizações Métodos de Pesquisa

Fim do emprego: catástrofe inevitável, tragédia desnecessária.

Trabalho.

Cassandra painting

Para os gregos, uma katastrophê,ês (de kata, sobre + stréphein, guinada) era o desenlace, a reviravolta que fechava um poema ou uma composição teatral, como as tragédias.

O fim do sistema de emprego deveria estar sendo um desenlace. Poderia não ser o de uma tragédia. (mais…)

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Hi-tech (3)

Almanaque.

Tecnologia de ponta (3).

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Fontes da filosofia moral – Ayer: emotivismo e expressivismo.

Ética.

O professor Sir Alfred Jules Ayer (Londres, 1910-1989) foi afiliado ao empirismo lógico. Com base na distinção de Hume entre as proposições que enunciam relações entre ideias e as que expressam juízos de fato, sustentou que os julgamentos éticos não têm sentido cognitivo fundado na observação.

Ao cabo de uma extensa reflexão, concluiu que carecem de significado as fórmulas da moral que não são analíticas (que não expressam relações entre ideias), ou sintéticas (que não enunciam juízos de fatos). De modo que os juízos de valor da ética seriam apenas “expressões de emoções”. (mais…)

Produtividade: a história oficial.

Notícias.

Deu na Time por David Johnson.

Com a lei que proíbe a utilização do e-mail de trabalho fora do horário comercial, os franceses comprovaram uma verdade há muito reconhecida pelos economistas: trabalhar mais horas não resulta necessariamente no aumento da produtividade. O México – o menos produtivo dos 38 países listados em 2015 pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – tem a semana de trabalho média mais longa do mundo em 41,2 horas (incluindo trabalhadores de tempo integral e de meio período). No outro extremo do espectro, Luxemburgo, o país mais produtivo, tem uma semana média de trabalho de apenas 29 horas.


Os Estados Unidos ocupa o quinto lugar, de acordo com a OCDE, contribuindo com US $ 68,30 para o PIB do país por hora trabalhada, contrariando as afirmações de que os americanos são os trabalhadores mais produtivos do mundo. Os EUA colocaram mais horas – 33,6 por semana em média – do que os quatro países europeus com maiores classificações de produtividade (O trabalho informal e a utilidade social do produzido não são considerados.).

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Heurística – Freud: a transposição.

Epistemologia.

interpretazione dei sogni  freud  jung“…em sonhos, …, muitos homens deitaram com a própria mãe”. Nesta fala, a de número 1105 de Édipo Rei, Freud se inspirou para descobrir o complexo de Édipo. No clássico Über der Natur, para inventar sua profissão.

O método longitudinal de Freud deriva da exegese talmúdica, da aceitação judaica do espírito oculto na Letra, da tradição alemã das “ciências do espírito”. Mas a força heurística da psicanálise repousa na imensa cultura literária do seu fundador. (mais…)

Ergofobia.

Almanaque.

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Carreira e ilusão.

Trabalho.

Funda a economia de mercado a dupla fantasia de que é preciso adquirir o que nos oferecem e de que a ascensão pessoal se dá pela escalada estamentária. Estas ilusões fazem com que pensemos o trabalho sobre um fundo de causalidade aparente: se não trabalharmos, nada se produzirá, nada teremos, não subsistiremos, voltaremos à vida primitiva. Decorre daí que, inconscientes ou resignados, nos enfileiremos nas carreiras profissionais.

Preferimos esquecer que muitos povos em muitas épocas não conheceram o trabalho na forma como o entendemos. Que o downsize, a supressão das gerências, o regime de metas e o horário flexível não mudam a qualidade da existência. Longe disto. As carreiras, as feitorias, as tarefas programadas, a ductilidade, o online são faces de um sistema imemorial, que subsiste implantado nas consciências. (mais…)

A luta continua.

Notícias.

Deu no Estadão, por José Márcio Camargo: O adiamento da reforma da Previdência e o recesso são uma chance de fazer com que enterrem privilégios.

No apagar das luzes de 2017, após a aprovação de várias reformas importantes (teto do gasto, trabalhista, terceirização, adoção da TLP, entre muitas outras), a Câmara dos Deputados decidiu adiar a votação da reforma da Previdência Social para fevereiro de 2018. Segundo as principais lideranças do Congresso, o adiamento foi necessário por causa da incerteza quanto à obtenção dos 308 votos necessários para aprovar a matéria. Diante dessa incerteza, a decisão de adiar a reforma pode ser vista como uma estratégia para tentar aumentar a aprovação da proposta pela sociedade e, com isso, reverter votos no plenário da Câmara e do Senado. Se, por um lado, a decisão frustrou as expectativas mais otimistas, por outro, mostra que o Congresso continua comprometido com esta agenda. (mais…)

A ética gnóstica.

Ética.

Os gnósticos pretendem que o conhecimento moral os torne angélicos. Creem que o caminho da moralidade é margeado e constrangido por tudo o que, no ser humano, representa a natureza material: o nascimento, a carne e o sangue. Aspiram a razão imaculada. Cultivam uma orientação ética que vem da pré-história. (mais…)

Justiça do Trabalho é lenta e pouco efetiva para o empregado.

Notícias.

Deu na Folha: A Justiça do Trabalho é cara e está sobrecarregada, portanto não consegue dar conta dos processos que recebe.

Audiência pública aberta à comunidade nesta terça-feira (19), no auditório da OAB às 19h. Na maior parte das vezes, ela é acionada para garantir o acerto de verbas rescisórias não pagas, como saldo de salário e aviso prévio e, de modo diferente do que pensa o senso comum, não pode ser considerada “pró-trabalhador” —que recebe, em média, R$ 4.500 por reclamação.

O retrato foi construído pelo pesquisador André Gambier Campos, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), em estudo obtido com exclusividade pela Folha.

Para ele, a solução para o problema não seria reduzir a força da Justiça do Trabalho, mas aumentar os mecanismos de negociação antes que as disputas chegassem a ela.

Campos diz ainda que, ao perder a chance de fortalecer sindicatos e comitês laborais, a reforma trabalhista, aprovada pelo Congresso e prestes a entrar em vigor, poderia agravar a questão dos custos, pois tenderia a elevar a demanda judicial, já bastante pressionada.

Em 2011, 9% dos empregados que se desligavam das empresas buscavam a Justiça. Em 2015, esse contingente saltou para quase 18%.

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Heurística – Benjamin, pescador de pérolas.

Epistemologia.

Em um ensaio quase sentimental, Hannah Arendt escreveu que Walter Benjamin “despertava os mortos”, para, com eles, construir uma nova iluminação. No fundo do mar do esquecimento, recobrava “pérolas do passado”, colhia relações e esclarecia o eterno.

Pescador de pérolas, Benjamin recuperou gemas de pensamento. Buscou no fundo do mar do passado o inesperado, o estranho e o omitido. Repensou poeticamente a memória; não para restaurar eras extintas, mas para reaver algo outrora vivo e que, cristalizado, sobrevive no âmago da sabedoria. (mais…)

À moda de Foucault: um exame das estratégias arqueológica e genealógica de investigação.

Notícias & Almanaque.

Resultado de imagem para art FoucaultNo texto apresento um programa para aplicação da forma de investigar de Michel Foucault às pesquisas em ciências humanas e sociais. A partir da exposição sobre as abordagens arqueológica e genealógica, desenvolvo um roteiro genérico de pesquisa. Discuto, a seguir, os principais instrumentos e conceitos epistemológicos utilizados por Foucault. Concluo com uma apresentação dos paralelismos entre a sua perspectiva e outras modalidades de investigação qualitativa.

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Hobbes – Trabalho: o salto no escuro.

Trabalho.

Não temos medo do escuro. Temos medo do que pode nos acontecer no escuro. Nos amedronta menos o que pode nos causar dano do que o que ignoramos quais danos pode nos causar.

Tememos a morte, a doença, a solidão. Tememos uns aos outros: o homem é o lobo do homem. O medo, escreveu Hobbes, move a conduta humana.

É o medo que nos faz trabalhar. Nos assombra o desconforto da pobreza e da exclusão. Por isso, procuramos nos empregar mesmo quando não gostamos da tarefa, do ambiente, dos colegas, da empresa. Seguimos empregados quando temos alternativas, quando já não mais necessitamos, ou quando nem chegamos a necessitar dos recursos materiais que o trabalho provê.

Nos acovardamos ante a exclusão do mundo laboral. Mas não deveríamos. Se o desemprego nos priva da segurança, o estarmos empregados não a garante. O tempo e o contexto alteram nossa condição e a da sociedade em que vivemos. Para o nosso próprio bem, deveríamos aceitar que o futuro está sempre em aberto. (mais…)

Palermas.

Almanaque.

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Heidegger – Convívio & Convivência.

Perplexidades.

O termo “convívio denota a circunstância. O termo “convivência” alude a uma conquista. O convívio é uma formalidade, uma situação em que as pessoas se encontram. Como quando nos referimos ao convívio familiar. A convivência é uma escolha, como na convivência pacífica. O convívio (lat. – convívi,is,vixi,victum,ère, viver com), não pressupõe animosidade latente. A convivência (lat. convivìum,ìi, participação em banquete), corresponde a situações em que um embate é potencial.

Alex Alemany

É esta distinção que Heidegger assinala em Ser e Tempo. Queiramos ou não, diz ele, os outros fazem parte da nossa vida. Mesmo o estar só designa uma ausência: é estar sem os outros. Nunca estamos sós. Os outros estão nas nossas memórias, nos nossos projetos, no nosso trabalho. (mais…)

Autocongratulações.

Almanaque.

“A self-congratulatory apparatus having a simulated human hand carried on a pivoting arm suspended form shoulder supported member. The hand is manually swingable into and out of contact with the user’s back to give an amusing or an important pat-on-the-back.”

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Heurística – Nostradamus: a mântica profética de Hermes.

Epistemologia.

A advertência é antiga: Jerusalém mata seus profetas, Atenas, seus pensadores. Por isto os profetas bíblicos professavam, e não profetizavam. Cautelosos, voltavam-se para o passado, para a Aliança do Povo com Yaveh e para o que ocorre (não há tempo futuro em hebraico e em aramaico) com aqueles que a rompem. Apelavam à religião interior, à verdade inscrita nos corações (Jeremias, 31).

A exceção foi José do Egito, que podia prever o futuro. Chamou sobre o si o ódio porque prenunciava, não se limitava a anunciar. A história de José, vendido como escravo pelos irmãos ao egípcio Putifar, resgatado e elevado à vizir pelo Faraó, não é inconcebível. O que o profeta diz tem poder performativo (faz com que aconteça), e poder preventivo (evita que aconteça). Difere das fantasmagorias dos videntes e adivinhos. Corresponde à conjectura “artificial” dos augures, dos harúspices e dos nigromantes. Sobrevive na heurística dos astrólogos e economistas. (mais…)

As mentiras mais comuns em currículos.

Notícias.

Resultado de imagem para currículo falso

Deu no G1:

De acordo com Renata Motone, da empresa de recrutamento Luandre, muita gente ‘melhora’ o currículo e isso pode limar de vez as chances de contratação.

No desespero para conseguir uma vaga de emprego, alguns candidatos chegam a apelar para mentiras. Mas aquela “melhoradinha” no currículo que parece inofensiva pode riscar o nome de um profissional de vez da lista de possibilidades de contratação de uma empresa.

É o que diz Renata Motone, coordenadora de recursos humanos da companhia de recrutamento Luandre. Para ela, além de não ter as qualificações requeridas, o mentiroso ainda demonstra falta de ética.

“Frente a tudo que se acompanha no noticiário sobre a vida política no Brasil, a última coisa que queremos incentivar é a mentira”.

(mais…)

Inteligente.

Almanaque.

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Trabalho e alienação.

Trabalho.

A expressão “trabalho alienante” designa o impedimento de a consciência controlar o produto e o processo da atividade laboral. O termo é de Rousseau. Hegel reformou o conceito para significar a transformação de seres humanos de sujeitos criativos em sujeitos passivos de processos sociais.

Resultado de imagem para George Tooker's work expressed a 20th-century brand of anxiety and alienation. Above, "The Subway" from 1950.

A partir da concepção hegeliana, Marx entendeu o trabalho alienante como a quádrupla disjunção entre o trabalhador e: o produto do seu trabalho; a atividade como simples meio de sobrevivência; a sua consciência; a comunidade a que pertence, a qual não interessa o processo e o produto do seu trabalho.

Multíplice e inexato, este entendimento se tornou problemático e esquivo.

Primeiro porque o termo alienação requer que o objeto de que se aliene seja explicitado, o que não ocorre satisfatoriamente com o referente do termo “trabalho”, que tem inumeráveis nuances e conotações.

Segundo, porque é difícil encontrar uma atividade profissional contemporânea que não seja alienante no variado sentido marxista do termo. São escassos exemplos de processos e produtos em que o trabalhador tenha participação, seja no processo decisório do que produzir, seja na forma que se deve produzir.

Terceiro, porque Marx, como fizeram Rousseau e Hegel antes dele, conjectura que a natureza humana é atemporal, o que foi demonstrado como falso pela ciência da antropologia.

Quarto, porque supõe uma sociabilidade limitada às relações de produção. Restringe a possibilidade de autorrealização à autonomia coletiva, não levando em conta a autarquia individual.

O certo é que a ideia denotada pela expressão “trabalho alienante” esgotou a capacidade de explicar o que aí está, a realidade em que o trabalho mental tem sido minimizado e o trabalho físico eliminado. Seus atributos são demasiadamente amenos para designar o ofício desnaturado de manter em função os autômatos e a burocracia digital.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
Blaumer, Robert (1964). Alienation and freedom: the factory worker and his industry. Chicago. University of Chicago Press.

Campbell, Sally Howard (2012) Rousseau and the Paradox of Alienation. Lanham, MD. Lexington Books. Rowman & Littlefield.

Fischbach, Franck (2011) Transformations du concept d’aliénation. Hegel, Feuerbach, Marx. In, Revue Germanique Internationale. [En ligne]. URL: http://rgi.revues.org/377

Marx, Karl (1985). Trabajo asalariado y capital. Barcelona. Editorial Planeta