Autor: Hermano Roberto Thiry-Cherques

Pós-Doutor pela Médiation Culturelle, Université de Paris. Doutor em Ciência da Engenharia, COPPE – UFRJ. Mestre em Filosofia, IFCS – UFRJ. Bacharel em Administração, EBAP/FGV. Estudos complementares no Brasil e na Alemanha – Deutsche Stiftung für internationale Entwicklung. Professor Titular – Fundação Getulio Vargas Senior Researcher – University of Maryland, College Park. Professor Visitante – Université Paris III, Sorbonne Nouvelle Professor Visitante ESCP-EAP – European School of Management Professor Visitante – Université de Lilly Consultor de agências internacionais (Nações Unidas, OEA, UNESCO, OMS, BID), empresas e organizações governamentais, no Brasil e no exterior (Argentina, Chile, Colômbia, Espanha, Equador, Estados Unidos, Guiné-Bissau, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal e Venezuela). ÁREAS DE INTERESSE Organizações e Trabalho Modelagem de Projetos Ética nas Organizações Métodos de Pesquisa

Mântica heurística – hermenêutica.

Epistemologia.

A necessidade de crer supera o desejo de saber. Nisto reside a fortuna da mântica, a disciplina heurística da antevisão.

A mântica tem duas vertentes: a divinatória e a interpretativa. A mântica de Apolo e a mântica de Hermes. Tratamos da primeira anteriormente. Agora examinaremos a face hermenêutica da segunda. A que se ocupa do deciframento e da signalética.

A previsão hermenêutica é aplicada às experiências simbólicas, aos ensaios com fármacos, à medição das marés, ao movimento dos astros e às estatísticas. Articula os saberes por comparação de semelhanças, regularidades e permanências. Opera no nível da magia (astromancia, nigromancia, etc.), e no nível da razão (o estudo da reação dos animais na prevenção de catástrofes, os cálculos de possibilidades). (mais…)

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Pierre Bourdieu: a teoria na prática.

Epistemologia.

Este artigo apresenta um programa para aplicação da forma de investigar de Pierre Bourdieu às pesquisas em ciências humanas e sociais. A partir da exposição sobre as suas fontes e práticas epistemológicas, o artigo discute o sistema de conceitos que Bourdieu utiliza e desenvolve um roteiro genérico de pesquisa baseado nas suas investigações.

Conclui com um resumo das críticas às suas concepções e uma apresentação sintética do seu legado.

Clique aqui para ler o texto na íntegra e aqui para baixar o Caderno de Campo gratuitamente.

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Conceito: Trabalho dependente – trabalho independente.

Trabalho.

Em alguns países europeus, a convenção acadêmica e jurídica adota as expressões “trabalho dependente” e “trabalho independente” para significar as modalidades de relação do trabalhador com uma estrutura hierárquica.

Trabalhador independente” é todo o aquele que desenvolve o trabalho por conta própria, utilizando os seus próprios meios e instrumentos. “Trabalhador dependente” é todo aquele que está integrado na estrutura hierárquica de uma organização, utilizando os meios e instrumentos de trabalho a ela pertencentes.

Na Europa o foco da maior parte das discussões sobre a questão laboral é o da substituição acelerada – e aparentemente irreversível – do trabalho dependente pelo independente. No Brasil cuidamos e discutimos quase com exclusividade a modalidade declinante do trabalho dependente: a do emprego.

 

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O desafio da reprodutibilidade.

Notícias.

Deu no The New York Times.

Somente 11% a 25% dos estudos publicados sobre o câncer passam no teste de replicação. Imaginemos o que acontece em áreas menos relevantes.

Alguns anos atrás, cientistas da empresa de biotecnologia Amgen tentaram reproduzir 53 estudos sobre novas abordagens ao tratamento de cânceres. Eles conseguiram replicar apenas 11% dos resultados das pesquisas originais.

A ciência tem um problema de reprodutibilidade – e as consequências disso são amplas. Esses 53 estudos saíram em revistas científicas destacadas, e os 21 que foram publicados nas revistas de impacto mais alto foram citados em média 231 vezes cada em trabalhos subsequentes.

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Em 2011, a Bayer realizou um trabalho semelhante de réplica. Dos 67 projetos feitos para reproduzir experimentos, apenas 25% tiveram resultados que coincidiram com as conclusões originais.

Muitas empresas farmacêuticas realizam esse tipo de confirmação regularmente. Levando em conta que seu investimento de bilhões de dólares em pesquisas depende diretamente do sucesso dos projetos, a preocupação parece justificada.

Clique aqui para ler o artigo original na íntegra ou aqui para a matéria na Folha.

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Camus: o trabalho e o absurdo.

Trabalho.

Um mundo que se pode explicar, mesmo que seja mediante raciocínios errôneos, é um mundo familiar. Mas um mundo em que não haja esclarecimentos, lembranças e ilusões, nos parece absurdo. O sentimento do absurdo esvazia tudo o que encontra, torna tudo irrelevante. Este é um dos pontos que Albert Camus (1913-1960) se apoia para explicar a retirada de vida.

Estamos acostumados ao nosso trabalho. Mas quando o trabalho não encerra mais significados nem projeta utopias, ingressamos na esfera do absurdo. Constatamos que o trabalhar se escora somente no hábito, na necessidade, no receito e no conformismo. (mais…)

Os argumentos dos liberais: reforma previdenciária & trabalhista.

Notícias.

Os dados estão no portal Indigo.

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Heurística – Conhecimento Tácito e abertura.

Epistemologia & Método.

Deve-se à Michael Polanyi (1891 – 1976), físico e psicólogo húngaro, a concepção da figura que denominou de “conhecimento tácito”: um saber que é informal, assistemático e quase incomunicável.

O conceito tem duas fontes. A primeira é a assertiva de Maslow de que não há substituto para a experiência pessoal. A segunda, é a proposta da Teoria da Forma, da Gestalt, de que a experiência é constituída por processos dinâmicos, organizados segundo princípios estruturais autônomos, isto é, que os indivíduos podem conhecer a totalidade de uma determinação sem interpretarem seus detalhes. (mais…)

Melhores Empresas para Trabalhar.

Notícias.

Veja aqui o Ranking Nacional das Melhores Empresas para Trabalhar da 21ª edição do Great Place to Work.

 

 

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A reestruturação moral.

Ética.

Existe um ponto de fervura na dinâmica social em que toda a credibilidade evapora, como existe um ponto de condensação na ética em que toda crendice congela.

O descrédito e o moralismo só se resolvem quando postos em face de uma mudança estrutural, isto é, de exclusão ou da inclusão de elementos críticos no instituído.

A exclusão é um efeito, não uma causa. Tem o vezo da desolação (deixar só), de não mais se pertencer a. Nas sociedades ocidentais se excluem os miseráveis, os doentes, os velhos, os dissidentes, os insurgentes, os criativos. Não se excluem os tirânicos, os cordatos, os neuróticos, os explorados, os idiotas, os insolventes. (mais…)

O trabalhador (ser humano) ainda é necessário.

Notícias & Almanaque.

Deu no Gizmodo, por Jennings Brown:

Por que todo mundo está odiando o Watson da IBM, inclusive quem ajudou a fazê-lo?

“Watson da IBM é o Donal Trump da indústria da IA – constatações surreais que não são apoiadas por dados confiáveis”.

“Não há nenhuma maneira de validar que o que estamos obtendo da IBM é exato, a menos que testemos nos pacientes reais em uma experiência.”

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O que fazer com o Velho?

Trabalho & Produtividade.

Na Revista Inteligência, meu artigo sobre o trabalho na terceira idade.

Três obras são fundamentais para entender a situação dos trabalhadores que alcançam transpor a maturidade. “Saber Envelhecer – Seguido de A Amizade”, de Cícero, que recolhe e informa os saberes sobre a velhice na Antiguidade, o ensaio “A Velhice”, de Simone de Beauvoir (1970), que descreve a situação sociopolítica do idoso, e “O tempo de memória”, de Norberto Bobbio (1997), que dá a perspectiva contemporânea da vida ativa do velho.

As palavras “idoso” e “velho” nomeiam aqueles que vão chegando à derradeira época da vida. Ambas denominações remetem a injustiças e incompreensões. Na nossa cultura, a palavra “idoso” liga-se à degradação física. Já o termo “velho” se relaciona à aversão social.

Se em determinadas culturas e épocas se espera que o idoso trabalhe até quando possa e se tenha pelo velho respeito e admiração; na nossa, o termo idoso é sinônimo de inútil, e o termo velho denota repulsa e desprezo.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra.

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Marcuse – trabalhador unidimensional.

Trabalho.

É ampla e variada a contribuição ao entendimento do fenômeno do trabalho do filósofo Herbert Marcuse (1898 – 1979).  No que deixou escrito, figura a advertência de que não é a organização racional dos procedimentos sociais que cria a razão, mas o contrário: é o entendimento preexistente nos sujeitos que organiza racionalmente o mundo.

Marcuse construiu um esquema demonstrativo da articulação entre a “racionalidade”, enquanto “tecnificação da dominação”, e a “individuação” – o aniquilamento da personalidade. Sua tese é a de que os movimentos libertários foram absorvidos pelo sistema dominador mediante formas não-coercitivas de opressão. (mais…)

Pesquisadores querem padrões mais altos em resultados científicos para evitar falsos positivos.

Epistemologia & Notícias.

Deu no Gizmodo por Ryan F. Mandelbaum:

“Ciência” pode significar algo maluco para você, como novos tratamentos inovadores, novos animais incríveis, explosões no espaço ou alguma química maluca. Mas, em sua essência, a ciência nada mais é do que o descarte de hipóteses baseado em evidências. Um novo debate agora está pegando fogo, sobre um dos conceitos importantes da ciência: como decidimos o que constitui um resultado positivo.

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Trabalho – o olhar especulativo.

Epistemologia & Método.

Immanuel Kant escreveu que a ciência – ao demonstrar as mentiras da metafísica e a irracionalidade dos mitos das sociedades tradicionais – nos fez “sair da minoridade”.

Tentando se comportar como adultos, os próceres dos conhecimentos sobre o trabalho caíram no engodo adolescente de copiar as epistemologias e os métodos dos saberes naturais. (mais…)

Avaliando recursos humanos.

Almanaque.

O discurso próprio às avaliações do desempenho e da potencialidade dos recursos humanos parecem não terem evoluído muito desde o trabalho seminal de Jackall Robert.

Talvez com receio de serem considerados ineficientes, talvez conscientes de que os instrumentos de que dispõem são precários e mal fundamentados, os analistas do trabalho alheio desenvolveram uma linguagem quase impenetrável de eufemismos. (mais…)

Trabalho assalariado – costume e tradição.

Trabalho & Produtividade.

O trabalho assalariado é um costume que se tornou tradição. Um arcaísmo a ser vencido.

Os costumes e as tradições não são a mesma coisa. Os costumes evoluem para se adaptarem às situações novas. As tradições são tidas como imutáveis. Os costumes são esquecidos, transformados e criados. As tradições são estabelecidas, consolidadas e, muitas vezes, inventadas.

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Como chamar a vida entre o trabalho e a velhice?

Notícias & Almanaque.

Deu no The Economist.

Para que possamos tirar proveito de nossas vidas mais longas, é necessário criarmos uma nova categoria de idade.

Como você chama alguém com mais de 65 anos, mas que ainda não é idoso? Esta fase da vida, entre trabalho e decrepitude, carece de um nome. “Geriactivos” erra demais no lado da senescência. “Sunsetters” ou “Nightcappers” correm o risco de parecer condescendentes. Talvez “Nyppies” (Not yet Past It) ou “Owls” (Older, Working Less, Still earning) são mais propícios.

Denominar uma categoria de idade pode soar como um exercício frívolo, mas os estágios da vida são construções sociais, e a história mostra que o surgimento de uma nova classe pode desencadear mudanças profundas de atitude. Essa transfiguração é necessária para obtermos uma resposta apropriada às questões atuais referentes ao aumento da longevidade.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra.

UTILIZE E CITE A FONTE.

Pensar em chinês.

Perplexidades.

Do que se depreende das rodadas de discussões sobre a economia internacional, é possível que a China venha a reduzir drasticamente a sua atividade econômica.

Alguns analistas duvidam desta possibilidade, uma vez que esta redução poderia gerar desemprego. Mas não é assim que pensam os chineses. Por duas razões. A primeira é cultural. O valor que emprestam aos vínculos empregatícios e ao trabalho em si mesmo é diferente da nossa forma de ver. A segunda é da esfera interna da sua economia. Com a população jovem encolhendo e a população de idosos crescendo, em breve pode haver mais empregos do que candidatos a emprego. Daí o fim da política de filho único e de outras iniciativas congêneres. Mas todas levarão longos anos chineses para surtir algum efeito. (mais…)

Heurística – Fantasia, o triunfo de Averróis.

Epistemologia.

No sexto volume do Kulliyat, Averróis (Córdoba, 1126 – Marraquexe, 1198) descreveu propriedades medicinais que só foram redescobertas oito séculos depois de sua morte. Há um tópico sobre as virtudes do azeite feito de “azeitonas puras e não fervidas” cuja descrição é idêntica a das publicações contemporâneas.

Isto foi possível graças à “phantasia”, uma habilidade de produção de descobertas perdida, que hoje se procura recuperar.

As fantasias são apresentações em potência de ideais e imagens sem precedentes. Diferem da imaginação, que é estéril, capaz unicamente de combinações extrínsecas. A fantasia é inteiramente intrínseca e particular. (mais…)

Automação e o Futuro.

Notícias & Almanaque.

Deu na CNBC por Anita Balakrishnan.

Jack Ma, o bilionário presidente do grupo Alibaba, acredita que a automação vai ajudar os trabalhadores do futuro a aproveitarem mais seu tempo de lazer. Na verdade, ele vê um futuro em que as pessoas vão trabalhar apenas 16 horas por dia, em 2047.

“Eu acho que, nos próximos 30 anos, as pessoas vão trabalhar apenas quatro horas por dia e talvez quatro dias por semana”, Ma disse essa semana, em uma conferência em Detroit. “Meu avô trabalhou 16 horas por dia na fazenda e achava que estava muito ocupado. Nós trabalhamos oito horas, cinco dias por semana, e achamos que estamos muito ocupados.”

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