Epistemologia & Método

Saturação em pesquisa qualitativa: estimativa empírica de dimensionamento.

Notícias & Epistemologia.

Artigo ➽ Cherques, Hermano Roberto Thiry – Saturação em pesquisa qualitativa: estimativa empírica de dimensionamento. PMKT: Revista Brasileira de Pesquisas de Marketing, Opinião e Mídia, v. 3, p. 20-27, 2009.

A saturação é o instrumento epistemológico que determina quando as observações deixam de ser necessárias, pois nenhum novo elemento permite ampliar o número de propriedades do objeto investigado. A dificuldade maior que o emprego do “critério de saturação” apresenta é o do dimensionamento ex-ante da pesquisa. Não há como prognosticar com rigor o tamanho e o tempo necessários à saturação. Neste texto discute-se a possibilidade de construir uma estimativa da extensão e do dispêndio de recursos com observações, a partir da predição do ponto de saturação baseada em indicadores determinados empiricamente.

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Bergson: a intuição heurística.

Epistemologia

https://i2.wp.com/www.coreyhelfordgallery.com/images/products/FIRST-OF-DAYS-2004-AP-2-OF-2-01.jpgAo darmos de comer a uma criança, abrimos a boca em um movimento simpático. A intuição é este tipo de experiência. Algo que não comandamos e que não se destina a convencer, mas a comunicar. É a sympatheia, que nos leva diretamente ao outro e à nós mesmos a partir daqueles que nos cercam.

O intuitivo se dá entre o instintivo e o intelectual. Corresponde ao conhecimento direto no e pelo espírito, como ocorre na apreciação artística ou na experiência mística religiosa. Esta participação da consciência em um movimento que lhe é exterior rege as três fontes da heurística de Henri Bergson (Paris, 1859 – 1941): a problematização, a diferenciação e a apreensão da realidade no tempo. (mais…)

Heurística – A Cabala e o déficit de significado.

Epistemologia.

Dutch Oil on wood painting of Fool 16th Century at AuctionAo lermos e exploramos o mundo pelo caminho descarnado da Internet, nos dispensamos de o interpretar. Acrônica e acromática, a linguagem da Web convence por ser imediatamente inteligível. É facilmente aceita porque não implica em nenhum significado a ser descoberto. São palavras, símbolos e ícones parqueados para que possam ser colhidos e excretados quando conveniente.

O rebaixamento de nível no processo de decodificação fez com que, em apenas duas décadas, muitos de nós abandonássemos a aspiração milenar de sermos interpretes de nós mesmos para sermos pacientes da experiência equalizada dos outros. Rastreáveis, nos inscrevemos na crônica da manada. (mais…)

Mântica heurística – hermenêutica.

Epistemologia.

A necessidade de crer supera o desejo de saber. Nisto reside a fortuna da mântica, a disciplina heurística da antevisão.

A mântica tem duas vertentes: a divinatória e a interpretativa. A mântica de Apolo e a mântica de Hermes. Tratamos da primeira anteriormente. Agora examinaremos a face hermenêutica da segunda. A que se ocupa do deciframento e da signalética.

A previsão hermenêutica é aplicada às experiências simbólicas, aos ensaios com fármacos, à medição das marés, ao movimento dos astros e às estatísticas. Articula os saberes por comparação de semelhanças, regularidades e permanências. Opera no nível da magia (astromancia, nigromancia, etc.), e no nível da razão (o estudo da reação dos animais na prevenção de catástrofes, os cálculos de possibilidades). (mais…)

Pierre Bourdieu: a teoria na prática.

Epistemologia.

Este artigo apresenta um programa para aplicação da forma de investigar de Pierre Bourdieu às pesquisas em ciências humanas e sociais. A partir da exposição sobre as suas fontes e práticas epistemológicas, o artigo discute o sistema de conceitos que Bourdieu utiliza e desenvolve um roteiro genérico de pesquisa baseado nas suas investigações.

Conclui com um resumo das críticas às suas concepções e uma apresentação sintética do seu legado.

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UTILIZE E CITE A FONTE.

Heurística – Conhecimento Tácito e abertura.

Epistemologia & Método.

Deve-se à Michael Polanyi (1891 – 1976), físico e psicólogo húngaro, a concepção da figura que denominou de “conhecimento tácito”: um saber que é informal, assistemático e quase incomunicável.

O conceito tem duas fontes. A primeira é a assertiva de Maslow de que não há substituto para a experiência pessoal. A segunda, é a proposta da Teoria da Forma, da Gestalt, de que a experiência é constituída por processos dinâmicos, organizados segundo princípios estruturais autônomos, isto é, que os indivíduos podem conhecer a totalidade de uma determinação sem interpretarem seus detalhes. (mais…)

Pesquisadores querem padrões mais altos em resultados científicos para evitar falsos positivos.

Epistemologia & Notícias.

Deu no Gizmodo por Ryan F. Mandelbaum:

“Ciência” pode significar algo maluco para você, como novos tratamentos inovadores, novos animais incríveis, explosões no espaço ou alguma química maluca. Mas, em sua essência, a ciência nada mais é do que o descarte de hipóteses baseado em evidências. Um novo debate agora está pegando fogo, sobre um dos conceitos importantes da ciência: como decidimos o que constitui um resultado positivo.

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Heurística – Fantasia, o triunfo de Averróis.

Epistemologia.

No sexto volume do Kulliyat, Averróis (Córdoba, 1126 – Marraquexe, 1198) descreveu propriedades medicinais que só foram redescobertas oito séculos depois de sua morte. Há um tópico sobre as virtudes do azeite feito de “azeitonas puras e não fervidas” cuja descrição é idêntica a das publicações contemporâneas.

Isto foi possível graças à “phantasia”, uma habilidade de produção de descobertas perdida, que hoje se procura recuperar.

As fantasias são apresentações em potência de ideais e imagens sem precedentes. Diferem da imaginação, que é estéril, capaz unicamente de combinações extrínsecas. A fantasia é inteiramente intrínseca e particular. (mais…)

Mântica heurística – Divinatória.

Epistemologia & Método.

Que a profecia, a adivinhação, o pressentimento e as demais categorias de impressionismo heurístico carecem de aceitação científica, é um fato. Que seguem sendo praticados nos laboratórios e nos centros de pesquisa, não resta dúvidas.

O recurso à adivinhação não é, como pode parecer, um ato estranho à busca do conhecimento. Houve, ou ainda há, uma disciplina capaz de prever o futuro: a mântica (gr. Mantiké téchnē, de mantikós,ê,ón, adivinho).

A mântica se divide em dois ramos: a de inspiração divinatória e a do deciframento dos signos. Na da adivinhação, a mântica de Apolo, a alma dos deuses se apossa do sujeito e fala por sua boca, como acontece no sonho ou na possessão. Na outra mântica, a de Hermes, existem duas vertentes. Na vertente profética o futuro é antecipado pela inspiração ou pela intuição. Na vertente interpretativa o futuro é conhecido pela decifração de signos, como o voo dos pássaros, a leitura dos fígados de bois, a quiromancia, etc.

Trataremos aqui da primeira: a mântica espiritual, divina ou de Apolo, que se ocupa dos presságios e dos vaticínios. (mais…)

Heurística – Conceito.

Epistemologia & Método.

A heurística é a disciplina que se ocupa da descoberta dos fenômenos. Diz respeito ao encontrar, ao dar-se conta. Trata do que alguns psicólogos (e os adolescentes) denominam de “momento do aha!”.

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Derrida: trabalho & “différance”.

Trabalho & Epistemologia.

focus face optical illusionO termo  différance (um homófono à différence) foi cunhado por Jacques Derrida (1930, El-Biar, Argélia; 2004, Paris). Significa a resultante da operação de “fazer diferir”, na tripla acepção de distinguir, de postergar e de discordar.

A  différance não é um conceito, mas a forma de fazer surgir um conceito. A técnica consiste em expor a fragilidade dos atos de fala. Aplicado ao conceito “nação”, por exemplo, evidencia imediatamente a distância entre o entendimento de nação-política, daquele de nação-cultura. Do que se trata, afinal, quando dizemos, ou quando nos dizem “a nação espera que…”, a “nação está ameaçada por…”? (mais…)

Preliminares heurísticas: experimentos mentais.

Epistemologia.

As ferramentas heurísticas preambulares são a imaginação e a abstração. Ambas conformam experimentos mentais. A distinção principal entre estes experimentos e os reais está em que nos primeiros as circunstâncias não se descrevem, senão que se estabelecem e a ação se conjectura, não se presencia.

Os experimentos mentais datam dos primórdios do pensamento ocidental. São da ordem do contrafático (e se for assim?), e do especulativo (o que ocorreria?). Têm origem em Sócrates, que pergunta aos passantes na Ágora, nos diálogos platônicos, em Aristóteles. Atingem seu apogeu nas “obrigações”, uma prática da escolástica medieval. (mais…)

Fé & heurística.

Epistemologia.

Ortega y Gasset definiu “ideia” como aquilo que se forja no ser humano quando a crença vacila, quando não podemos mais “contar com”. Toda poïesis, toda criação humana – as ciências, a filosofia, as religiões, as artes – deriva de instabilidades da fé, de oscilações das certezas. Por outro lado, a descrença e a descoberta não coexistem. Sem atos de fé não haveria suposições, hipóteses, teses, conjecturas.

A força heurística da fé é polissêmica. Os exemplos se multiplicam. Tomemos, a título de ilustração, o caso de Saint-Denis, o patrono da França. (mais…)

Crendices generalizantes.

Notícias & Epistemologia.

Brian Nosek, psicólogo, professor da Universidade de Virginia, publicou recentemente um artigo na Science em que arrasa com as pesquisas na sua área. O texto é uma metanálise envolvendo a replicação de 100 investigações por 270 pesquisadores diferentes. Nosek informa que apenas 36% das repetições confirmaram os resultados das pesquisas originais.

Nada que surpreenda quem é do ramo. Absurdos como a análise dos efeitos da precognição, disparates, como os premiados pelo IgNobel, e simples fraudes são revelados com frequência. Não só no campo das ciências sócio-humanas, mas também no das ciências naturais, especialmente na medicina , os relatos de falhas, improcedências e simples má fé são recorrentes mais ou menos na mesma proporção denunciada por Nosek. (mais…)

Foucault e os cachorros de Obama.

Notícias & Epistemologia.

Revistas científicas precisam acelerar mudanças para acompanhar as novas demandas das sociedades.

Por por Thomaz Wood Jr em Carta Capital.

Revistas científicas constituem um dos pilares da ciência. Seus editores são, supostamente, os guardiões da relevância e da qualidade do que é veiculado. Pesquisadores as utilizam para expor e disseminar seus mais recentes achados. Ter um artigo publicado em uma revista importante é conquista a ser celebrada, pois reflete o reconhecimento do trabalho realizado.

A façanha costuma ser fruto de trabalho longo e extenuante. As principais revistas científicas operam como verdadeiros funis, com centenas de artigos concorrendo por espaços de publicação limitados. Os trabalhos enviados passam por uma triagem severa, que envolve editores e avaliadores. (mais…)

DESENCALHANDO A PESQUISA: DADÁ E A DESORDEM EXPERIMENTAL.

Epistemologia & Método.

Quando, em 1916, liderados por Tristan Tzara (romeno), Hugo Ball (alemão) e Jean Arpes (francês), escritores, poetas e artistas plásticos se encontraram no Cabaret Voltaire de Zurique, estavam desesperados.

No segundo ano da guerra que há um século aniquilou o que melhor havia na Europa, estes intelectuais de todas as nacionalidades – alguns refugiados, outros desertores -, procuravam encontrar uma saída para o impasse entre a sensatez e a realidade.

Não era mais o caso de zombar do tradicionalismo dos filisteus da cultura. Havia ficado evidente o fracasso das ideias estabelecidas diante da crueldade da guerra. A realidade nua e crua havia alcançado a todos e o conforto do sabido e do constituído estava em ruínas.

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UTILIZE E CITE A FONTE.

O que é compreender?

Epistemologia & Método.

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A epistemologia deve muito ao filósofo alemão Wilhelm Dilthey (1833 – 1911) que procurou fundamentar o que batizou de “ciências do espírito” para explicar a vida e a sociedade. Foi Dilthey quem rompeu os laços que prendiam ao kantianismo, ao demonstrar que as verdades têm uma história e que o sentido do mundo e de si mesmo é dado e mudado pelo homem na sua trajetória pela vida.

Atônito ante a inépcia dos seus contemporâneos, Dilthey recuperou o pensamento filosófico desde o Renascimento, e aplicou um arsenal inteiramente renovado de conceitos ao conhecimento do humano. O conceito que mais influência exerceu e exerce é o do verbo “compreender”. (mais…)

A ordem do querer dizer.

Epistemologia & Método.

coruja

A previsibilidade do entendimento e da internalização dos signos é uma aspiração que está longe de ser alcançada. O que está fora de alcance não é somente a complexidade da mente humana, mas a sintetização computacional das interações sígnicas. Por mais que os devotos das epistemologias em vigor insistam, a equalização do processo de entendimento esbarra no distanciamento entre a recepção do percebido e sua compreensão. (mais…)

Tente outra vez.

Almanaque & Epistemologia.

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UTILIZE E CITE A FONTE.
Beckett, Samuel(1984). Worstward Ho. New York. Grove Press.


O filósofo e maman.

Epistemologia & Método.

Francoise.jpgNo Domingo de Ramos de 1728, fugindo do duro sistema de ensino a que era submetido na sua Genebra natal, Jean-Jacques Rousseau, foi acolhido pela baronesa Françoise-Louise de Warens, que à época, por razões não muito claras, auxiliava o padre Monsieur de Pontverre na conversão de jovens protestantes.

Os três anos que passou na maison de Charmettes, na Savoia, usufruindo os favores de Mme. de Warens, a quem Jean-Jacques traçava amavelmente – ela com 29 anos, ele com 16 – e a quem, freudianamente, chamava de “maman”, foram os da sua conversão, os de seu adestramento existencial e os da sua formação filosófica. (mais…)