ÉTICA: O compromisso moral de Karl Marx.

Ética.

A insegurança constante e o transtorno contínuo distinguem a época burguesa de todas as precedentes. 

Até o século XVIII, a ideia de progresso foi a de um desenvolvimento gradativo, baseado nos valores da prudência e da virtú e no equilíbrio entre paciência e impaciência, característicos da formação clássica e humanista. Com a Revolução Industrial, o equilíbrio passou a ser visto como não progressivo, como indutor da “perenização do status quo“. As relações sociais, com seu cortejo de ideias antigas e veneráveis, se dissolveram. Os costumes e as instituições passaram a estiolarem antes que se cristalizassem. No advento da burguesia, tudo o que era sólido se desmanchou no ar (1966). 

O verbo no tempo passado, a bem da verdade, não é adequado. O processo não cessou, nem a história chegou ao fim. Em monótona insistência, segue-se fazendo da exploração e do desiquilíbrio o motor da economia. Continua-se sacrificando o bem-estar em favor do progresso, a sociedade em favor da individualidade, a massa trabalhadora em favor das elites econômicas.

Marx deixou escrito que a burguesia só pode existir revolucionando constantemente os instrumentos e as relações de produção (1982). Daí que o seu ativismo tenha sido orientado a quebrar esta pertinácia. Fundava-se, acima de tudo, em um imperativo ético: o de “derrubar todas as condições sociais em que o homem é rebaixado, submetido, abandonado, desprezível” (1998).  

A intenção era moralmente sublime. Quanto à posta em prática, o tempo passado da verbo não é fortuito.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Marx, Karl & Frederick Engels (1966). Manifeste du Parti Communiste. Paris. Sociales.
Marx, Karl (1982). L’Idéologie allemande, in, Œuvres. Paris. Gallimard, [II22-II23]
Marx, Karl (1998). Contribution à Ia critique de Ia philosophie du droit de Hegel. Trad. Jules Molinor, Paris. AIlia. [25]

ÉTICA: A ética do antes e do depois.

Ética.

O suspense tecnológico mostrado por Spielberg em Minority Report externa um paradoxo insolúvel: o juiz que mata os criminosos futuros, que assassina as pessoas que cometerão crimes, faz com que o crime não seja cometido, mas mata um inocente.

O futuro jamais oferece parâmetros éticos aceitáveis. O tempo, irreversível, obriga a que os princípios morais não se antecipem nem posterguem. Ademais, os predicados analíticos – bom, justo, valioso – e os predicados normativos – necessário, interdito, recomendável –, diferem entre os povos e as gerações.

Kant achava inconcebível que a marcha da humanidade fosse a construção de uma morada que apenas a última geração pudesse habitar. Tinha razão. Estenderia, se vivo fosse, a advertência sobre a imoralidade da redenção futura ao improvável advento da ordem perfeita ou do igualitarismo social.

O problema ético do antes e do depois é embaraçoso. Nem o mérito, nem a culpa retroagem. Na antecipação castiga-se o inocente. Na postergação, os culpados e as vítimas já terão deixado de existir.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Kant, Immanuel (2010). Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita. Tradução de Artur Mourão. São Paulo. Martins Fontes.
Minority Report (Filme) (2002). Direção Steven Spielberg. USA. 20th Century Fox Corporation.

ÉTICA: A imoralidade contraproducente.

Ética.

O minguado senso moral dos gerentes da era da competição sem limites costuma estimular a adoção de práticas danosas ao trabalho, às organizações, à economia e, em última instância, à sociedade.

Dentre as quebras na produtividade imputáveis ao descaso com a ética, figuram, em cambulhada, as interdições da fala, os protocolos de metas, a mentalidade mercenária e a surdez comunicacional.

O hábito de tolher a comunicação entre trabalhadores tem dois efeitos. Camufla a ineficácia na cadência de tarefas e cristaliza as rotinas, que se atrasam em relação as mudanças no ambiente técnico-econômico.

A estipulação de metas dissemina fantasias numéricas. Convida a pequenos ajustes, lacunas e deslocamentos, que se acumulam nos relatórios corporativos. Conciliações inúteis que desfiguram a realidade. Um exemplo é o da transferência dos resultados da primeira quinzena de janeiro para dezembro do ano anterior, de modo a cumprir metas anuais. Outro, é o das pedaladas e químicas orçamentárias, que, de tão frequentes, tornaram-se norma nas grandes corporações públicas e privadas.

O vício mercantilista, desde o comércio de horas trabalhadas até a atitude dos gerentes que buscam resultados de curto prazo para aumentar seu bônus anual ou para ascender na carreira, favorece disposições prejudiciais à rentabilidade e à fidelização do trabalhador.

Por fim, a surdez comunicacional desmoraliza a busca de produtividade. Se ninguém se dispõe a escutar sobre o que possa balançar o barco, como denúncias de assédio e de maus tratos, e ninguém se sente estimulado a delatar a incompetência gerencial, nem os desperdícios e os defeitos nos produtos e serviços, o barco tende a naufragar sem ter balançado.

UTILIZE E CITE A FONTE.

ÉTICA: Williams & Jonas – Sorte moral e responsabilidade.

Ética.

O conceito de “sorte moral” (moral luck) decorre da constatação de que o cálculo probabilístico não se aplica aos julgamentos éticos.

O argumento, de Bernard Willians, é de que não havendo como conceber dados retroativos, nem malabarismos estatísticos que abonem um juízo sobre o futuro, a razão nos obriga a admitir que a moralidade de nossas escolhas corresponde a uma aposta, e a uma aposta que podemos perder, mesmo quando as leis da probabilidade dizem que deveríamos ganhar. 

Descartado o cálculo, o recurso que temos para fundamentar nossas escolhas em relação ao futuro é nos basearmos no “princípio da responsabilidade”. O argumento – este de Hans Jonas – é o de que a precaução razoável, alicerçada nos princípios e nas informações presentes, é a única justificativa que temos para quando o azar faz com que nossas decisões tenham efeito perverso. 

O exemplo que Willians apresenta é emblemático. O general americano Curtis LeMay, dirigente do Strategic Air Command na região do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial e responsável pela destruição com bombas incendiárias de mais de setenta cidades, além de transmissão da ordem de lançamento das bombas de Hiroshima e Nagasaki, disse um dia: “se tivéssemos perdido, nós teríamos sido julgados e condenados como criminosos de guerra”. 

A observação é correta do ponto de vista político. Mas não da filosofia moral. Do ponto de vista da ética, LeMay, o presidente Truman e a democracia americana carregarão para sempre, para o túmulo e para além-túmulo, se houver um além-túmulo, a culpa pela morte de mais de 200 mil civis, dos quais cerca de 60 mil crianças.

Isto porque a assinatura da responsabilidade moral está em se abstrair os eventos projetados na fundamentação das ações presentes. No plano da ética, não são as gerações vindouras, nem somos nós, no futuro, os que julgarão. Os juízes, os inocentes e os culpados somos os presentes. Aqui e agora.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Jonas, Hans (1984). The Imperative of Responsibility: In Search of Ethics for the Technological Age (translation of Das Prinzip Verantwortung by Hans Jonas and David Herr. Chicago. University of Chicago Press.

Williams, Bernard (1981) Moral luck. London. Cambridge University Press.

Williams, Bernard (2005) Moral, uma introdução à ética Tradução de Remo Mannarino Filho. São Paulo. Martins Fontes.

ÉTICA: A direita, a esquerda a filosofia política e a ética.

Ética.

As expressões “direita” e “esquerda” têm origem na distribuição dos parlamentares na Assembleia Nacional Constituinte francesa de julho de 1791. À direita do Presidente, sentavam-se os representantes dos interesses da aristocracia, dos proprietários, e do clero superior. Defendiam os institutos do Ancien Regime. À esquerda, sentavam-se os republicanos, os profissionais liberais e os que protegiam os trabalhadores e o baixo clero. Propunham a supressão dos institutos do Ancien Regime.

Não se tratava de ideologia, mas dos interesses dos constituintes. À direita havia os nacional socialistas, os rentistas, os empregados no comércio, os libertários individualistas, parte dos liberais e parte da pequena burguesia. À esquerda havia os socialistas, os socialdemocratas, os intelectuais, os libertários socialistas, os trabalhadores na indústria e na agricultura, parte dos liberais e parte da pequena burguesia.

No século XIX, os termos “esquerda” e “direita” vieram a nomear os seguidores de Hegel. Aqueles que pretenderam emparelhar o seu pensamento às religiões (direita) e os que se dirigiam contra a religiosidade (esquerda).

No século passado, a expressão “direita” nomeou os contrários às transformações que implicassem a instauração de igualdade política e econômica; a expressão “esquerda” nomeou os favoráveis a estas transformações. Em questão de décadas, parcelas extremistas de ambas a tendências passaram a advogar posições moralmente questionáveis: o totalitarismo, o populismo, o afrouxamento completo ou o controle estrito das estruturas políticas, econômicas e morais.

Na realidade substancial contemporânea, as pessoas que se consideram de esquerda veem a si mesmas como abertas e bem informadas. Pensam que os direitistas são opressores. Não conseguem entender por que a classe trabalhadora vota na direita. Imaginam que esteja sendo enganada.

As pessoas consideradas de direita creem ser necessário manter a estabilidade moral e institucional. Se associam a visões de mundo que sustentam valores comunitários tradicionais e hierárquicos. Pensam que os esquerdistas são tacanhos. Não conseguem entender por que pessoas instruídas votam na esquerda. Imaginam que estejam sendo enganadas.

No plano da filosofia moral, o contraditório decorre da equivalência dos imaginários. A direita fabula com a paz social; a esquerda com a justiça social. Estão convencidas que uma é prioritária em relação à outra. Ambas estão enganadas.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Bobbio, N. (1996). Left and right: The significance of a political distinction. Cambridge, United Kingdom: Polity Press.

Iyengar, S., Sood, G., & Lelkes, Y. (2012). Affect, not ideology. A social identity perspective on polarization. Public Opinion Quarterly, 76, 405–431.

Jost, John Thomas (2017). Ideological asymmetries and the essence of political psychology. Political Psychology, 38, 167–208.

Vecchione, M., Caprara, G. V., Schoen, H., Gonzàlez Castro, J. L., & Schwartz, S. H. (2012). The role of personal values and basic traits in perceptions of the consequences of immigration: A three nation study. British Journal of Psychology, 103, 359–377.

ÉTICA: Entre a singularidade coletiva e a pluralidade individual.

Ética.

Caim perguntou a Deus porque deveria cuidar do seu irmão. Não obteve resposta. Pareceria natural que devêssemos cuidar uns dos outros. Mas não é assim. E nem todos pensam que deva ser assim.

Na metáfora da Caverna, de Platão, o que foi libertado para a luz não é obrigado a voltar para resgatar os demais. Tendo alcançado a mais alta forma de vida – o bios theorétikos, a sophía, a phrónesis –, por que alguém deveria retroceder e se misturar com a gente comum? O próprio Platão argumenta que aqueles que constatam a insensatez da multidão e que reconhecem que não há nada de sadio em administrar a coletividade, têm escolha. Podem cuidar de si, viverem livres das injustiças e das obras ímpias, ou podem cuidar dos outros, tentar livrá-los da ignorância e trazê-los para o campo das obras pias.

A segunda opção é a do agir de acordo com a ética altruísta, uma invenção que os gregos justificaram por lógica. Para eles – e, desde então, para muitos no Ocidente – a conquista da liberdade, de sair para a luz do espaço aberto, não seria completa se não incluísse a emancipação de tudo o que a alteridade possui em valores negativos.

Inexiste solução categórica para o pêndulo que oscila entre o altruísmo e o egoísmo. No presente, o horror ao comunismo – muitas vezes inconfessado – é o de ver interditada a opção individual. Não existe o comunismo que não seja o de caserna, o da disciplina coletiva, em que se é obrigado a agir segundo o que foi determinado como sendo o interesse de todos. Do outro lado, o horror ao liberalismo econômico – muitas vezes inconfessado – é o de ver impedido o convívio franco. Não existe liberalismo que não seja o da salvaguarda do interesse próprio, o da competição, o do homem lobo do homem. 

Passados tantos séculos, o dilema perdura. Não podemos nos negar moralmente a nós mesmos, nem podemos negarmo-nos aos outros, porque o negarmo-nos aos outros é nos negar moralmente a nós mesmos.

UTILIZE E CITE A FONTE.

ÉTICA: Fontes da filosofia moral – Kant: O legado crítico.

Ética.

A Revolução Crítica, forjada por Kant, trouxe ao mundo o entendimento da verdade e da justiça como resultado da tessitura de um sentido comum, de uma dimensão de intersubjetividade própria à razão humana.

Depois de Kant, em lugar de uma verdade definida como a adequação de um enunciado à realidade em si, e do ditame de um fim absoluto de justiça, passou-se a demandar uma aferição de verdade e de justiça que tenha legitimidade universal. 

Muitos duvidam de que seja possível alcançar este fim, mas não podem negar que a razão prática dispõe dos meios e da capacidade para estabelecer objetivos suscetíveis de validação para todos, e não somente para aqueles que os propõem. 

A argumentação de Kant evidencia que o determinismo, seja na forma natural do destino biológico, seja na forma espiritual da vocação histórica, é falso. Mostra que as ideias de vida como tarefa inevitável a realizar, ou como resultado de uma dialética infalível são improváveis. No duplo sentido de que são meras aspirações e de que não podem ser provados. 

A filosofia kantiana deixou como herança mais sensível para a reflexão moral da atualidade ter dado alento à ética de Habermas e de toda a teoria crítica; e à ética de Rawls e de todo o neo-contratualismo. 

Ainda que a poluição não nos permita mais ver o céu estrelado, ele continua sobre nossas cabeças, e se não pudemos dar com a Lei moral dentro de nós, foi a polêmica em torno dela que fez prosperar nos dois últimos séculos as discussões sobre o fundamento da ética.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Cherques, Hermano (2011). John Rawls: a economia moral da justiça. Sociedade e Estado (UnB. Impresso), v. 26, p. 551-564.

Habermas, Jürgen. (2003). Consciência moral e agir comunicativo. Tradução de Guido Antônio de Almeida. Rio de Janeiro. Tempo Brasileiro.

Habermas, Jürgen. (2013). A Ética da discussão e a questão da verdade. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo. Martins Fontes

Rawls, John. (1981). Uma teoria da Justiça. Tradução de Vamireh Chacon. Brasília: Editora Universidade de Brasília.

Renaut, Alain (1997). Kant aujourd’hui. Paris. Aubier

ÉTICA: A esquerda, a direita, a ética e a psicologia.

Ética.

Ignoramos – e sempre ignoraremos – as razões exatas da nossa posição ideológica. Os estudos recentes de psicologia permitem concluir que as posições à esquerda ou à direita, exceto a dos fanáticos extremistas, não são aberrantes. Apenas a direita tem uma moralidade regida pelo receio da exclusão, enquanto a esquerda tem uma moralidade regida pelo temor da solidão. 

Um dos trabalhos sobre o tema, útil porque absorve os demais, é o de Haidt, quem considerou cinco receptores morais básicos – o cuidado, a justiça, a lealdade, a autoridade e a virtude – e os confrontou com preferências políticas. As correlações obtidas mostram os seguintes resultados:

Cuidado: as pessoas mais à direita tendem à compaixão pelos membros do grupo identitário e pela repulsa a quem causou o mal; à esquerda, pela compaixão por todos os que sofrem em toda parte.

Justiça: os mais à direita se caracterizam pelo sentimento do justo firmado no mérito da contribuição (reciprocidade); à esquerda, pelo sentimento de retribuição ao empenho, independentemente do resultado, e pela equalização nas relações de convivência (justiça social).

Lealdade: as pessoas mais à direita são marcadas pelo sentido de pertencimento, materializado na relação com grupos externos, tratando o diferente como diferente; à esquerda, têm o sentido da tolerância e acolhida das pessoas e grupos externos, tratando o diferente como igual.

Autoridade: os mais à direita tendem a respeitar a hierarquia que mantém o grupo coeso e defendido dos outros grupos e da dissolução; à esquerda, tendem a valorizar o respeito à diversidade, o abrandamento de qualquer hierarquia e a integração com outros grupos identitários.

Virtude: as pessoas mais à direita se inclinam a considerar virtuosa a obediência aos costumes e às tradições; à esquerda, a considerar como virtude a quebra de tabus e a aceitação de novos costumes. 

Em síntese, as pessoas que se colocam à direita se preocupam mais com a hierarquia e a responsabilidade individual do que com a moralidade concreta, enquanto as pessoas que se colocam à esquerda se preocupam mais com a justiça e com a responsabilidade social do que com a moralidade abstrata.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Cf. Haidt, Jonathan (2013) The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion. UK. Vintage Books

NOTAS: O jovem executivo.

Notícias.

Artigo publicado: O conformismo impaciente – uma interpretação do quadro de referência ética dos jovens executivos nas organizações brasileiras. RAP. Revista Brasileira de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 38, n.4, p. 613-642, 2004.

CHERQUES, H. R. T.

O executivo jovem é alguém que cumpre um rito de passagem. Já não é um empregado ou um funcionário iniciante, mas ainda não atingiu os níveis decisórios mais altos. Está a meio caminho do topo, onde as decisões estratégicas são tomadas. Na passagem para os postos mais altos das organizações, o jovem executivo internaliza os valores inerentes ao exercício do poder administrativo. Os modelos de conduta, os estereótipos que devem dar continuidade ao padrão moral estabelecido. No processo de ascensão funcional, a cultura da organização, os acontecimentos, as figuras, as palavras e os mitos vão adquirindo para ele um caráter significativo e normativo. A entrada no comando das organizações é marcada pelo distanciamento entre o passado, que já não se considera vigente, e o futuro, que ainda está por ser construído. Instaura uma crise que se resolve pela superação de uma situação e o ingresso em outra, nova, com condições, regras, problemas e soluções diferentes.

Na análise e interpretação apresentadas, nos fixamos nesse momento crítico.  Procuramos decodificar a situação moral em que se encontram os executivos do grupo etário menor de 30 anos. A base quantitativa utilizada foi o Documento nº 8 da pesquisa “Ética na era digital”, realizada pelo Núcleo de Ética nas Organizações da Ebape/FGV. A base qualitativa foi o conjunto de entrevistas anteriores à pesquisa, realizadas visando a preparação dos questionários de levantamento, e, principalmente, uma série de entrevistas posteriores de levantamento de dados, realizada com o propósito de compreender o significado das informações obtidas.

O que indicam esses dados e informações é que a situação ética nas relações intra e interorganizacionais se encontra desajustada. À medida que o processo de transformação econômica e social vem se acelerando, passamos a viver em um ambiente de conflitos morais, fruto de um vazio ético que conduziu a um dinamismo sem doutrina. Do estrito ponto de vista ético, o rito de passagem que marca a trajetória funcional da atual geração parece ter sido desvirtuado. Há uma perda de conteúdo e uma desorientação no processo. A absorção dos valores morais se transformou em mero ritual. Em um formalismo desfocado, no qual o padrão ético dos executivos mais jovens diverge do padrão médio vigente.

Não se trata do simples divórcio de pontos de vista entre gerações, mas de uma dispersão de interesses e referências. O distanciamento entre o padrão moral vigente e o manifesto pelos jovens executivos, ao contrário do que aconteceu em gerações precedentes, não é conflitante nem rebelde. É antitético. O sistema de referências e o direcionamento dos grupos que integram as diversas faixas etárias se mostram incompatíveis. As teses sobre o mundo social e sobre o destino da vida particular, expressas pelos jovens executivos, são de tal forma distantes das dos demais grupos etários que não há propriamente conflito entre elas, mas desinteresse e indiferença.

Os propósitos rituais de dar sustentação e renovar o vínculo comunitário (Durkheim, 1974) e de reconstruir a integridade do grupo (Malinowski, 1954) parecem ter sido fraudados pelo efêmero das estruturas que se queria ver mantidas. Há uma cisão entre a atitude dos que detêm o poder e o padrão de conduta manifesto do grupo sobre o qual recaiu a nossa atenção. Com isso o rito iniciático deixou de corresponder à absorção dos valores e condutas. Tornou-se um rito propiciatório de um futuro incerto, fundado em uma moral que se encontra à deriva. Os componentes éticos perderam espaço para os componentes ritualísticos expiatórios. Os preceitos foram transformados em preconceitos, com ares de represália. Parecem ter sido destinados a punir o jovem executivo do pecado de ser o proprietário inalienável do futuro. Isto levou ao quadro de insulamento cujo perfil detalhamos a seguir.

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UTILIZE E CITE A FONTE.

ÉTICA: A ética fora da caixinha.

Ética.

Essa imagem tem um atributo alt vazio; o nome do arquivo é outofbox.jpgEventos, slogans, lendas e mitos nos acostumam a pensar de determinada maneira, a nos comportar de acordo com determinados padrões, a desejar certas coisas e a seguir regras de conduta estabelecidas. Criam “instintos artificiais” que formatam o convívio e bloqueiam a pluralidade moral.

A fácil internalização destas ficções decorre da tendência humana para nos dividirmos entre nós, o grupo a que pertencemos, e eles, todos os demais.

A cultura do Ocidente é permeada pelo arcaísmo de três ordens de divisão entre nós e eles. A ordem monetária (econômica), a imperial (política) e a sacerdotal (religiosa).

Dificulta sobremaneira o florescimento do pluralismo ético a crença – milenar e infundada – de que os mais ricos ou os mais pobres ou os remediados, como dizia minha avó, são diferentes de nós. Impede a tolerância a crença de que os de direita, ou de esquerda, ou de centro são moralmente inaceitáveis. Degrada a convivência civilizada a ideia de que os ateus, os adeístas, os agnósticos, os politeístas, os panteístas, os teístas ou deístas de outras confissões obedecem a critérios morais equívocos.

A esperança na era digital é que as pessoas, sem abandonarem suas culturas, se informem na Web. Se o fizerem com espírito aberto, verão que eles são como nós. E vice-versa.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Cf. Harari, Yuval Noah(2015) Sapiens: Uma breve história da humanidade. Tradução Janaína Marcoantonio. Edição do Kindle. L&PM Editores.

ÉTICA: A pós-mentira.

Ética.

Jim Dine

O Oxford Dictionary acolheu o neologismo pós-verdade. Justificou-se alegando o acontecido durante as campanhas Trump e Brexit. Parece não ter atentado que o termo é uma maquiagem, um codinome para uma das mais antigas e perversas mentiras doutrinárias.

Em português as palavras empulhação e embuste se aplicam perfeitamente à ideia da mentira incutida e da consequente ilusão compartilhada. Ambos os termos denotam a construção de uma falsa verdade, de uma mentira operacional. A técnica é mesma que os gregos usaram contra os bárbaros, cuja linguagem, diziam, era como dos cães; e a Igreja usou contra os gentios, a quem culparam pela morte do Cristo.

A expressão “pós-verdade” dá ideia de que existe algo de verdadeiro nas bufonarias de Trump, e na fantasia autárquica da campanha do Brexit. Mas isto não importa, o que choca é a cegueira quanto a intenção: sejam os nazistas em relação aos judeus, os stalinistas em relação aos moderados, os brexistas em relação aos continentais, os trumpistas em relação aos imigrantes o objetivo é instilar o ódio.

Freud esclareceu que o embuste funciona porque a necessidade de crer antecede e supera o desejo de saber. O antídoto para a perversão seria o esclarecimento. Mas não devemos ter muitas esperanças. Há séculos, Erasmo de Roterdã escreveu o Elogio da Loucura esperando que o nonsense desaparecesse do mundo. Conhecemos o resultado.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Kristeva, Julia (2007). Cet incroyable besoin de croire. Paris. Bayard Mijolla-Mellor, Sophie de (2004). A necessidade de crer. Tradução de Pádua Fernandes e Leandro Sarmatz.  São Paulo: Unimarco.

Freud, Sigmund (1997) O Futuro de uma Ilusão. Tradução de José Octávio de Aguiar Abreu. Rio de Janeiro: Imago.

Erasmo de Roterdã (2002). Elogio da loucura. Tradução de Paulo M. Oliveira. Atena Editorial. http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/erasmo.pdf

ÉTICA: Corrupção sindrômica.

Ética.

Uma listagem dos tipos de corrupção, proposta pelo psicólogo Luiz Alberto Hanns, demonstra o quanto são lacunares, inacabados e falhos os projetos moralizantes.

Henry Fuseli (1741-1825), The Weird Sisters

Existiriam três instâncias de corrupção:

  1. a corrupção sistêmica, a mais visível, que compreende a difamação, a propina, a extorsão, … e cujo antídoto está em eliminar a impunidade;
  2. a corrupção endêmica, que é aquela de pequena escala, que infecta toda a sociedade e que inclui o preconceito, os desvios de conduta, a conformidade com os deslizes morais…., que deve ser reparada mediante a mobilização educativa;
  3. mas a pedra de toque do raciocínio de Hans é o que denomina de corrupção sindrômica (uma síndrome é um conjunto de sinais diferentes e sem causa específica).

 

A corrupção sindrômica é a que soma aos elementos sistêmicos e endêmicos o absurdo institucionalizado, como o da buropatologia, das leis contraditórias, das normas impossíveis de serem cumpridas, da má gestão, das licitações que favorecem o sobre-preço,… A corrupção sindrômica deve ser combatida mediante reformas institucionais.

A luta pela moralidade, indica Hanns, ou bem se funda na ação articulada contra a impunidade, em favor da mobilização cultural e pela reabilitação do instituído, ou está destinada a fracassar.

UTILIZE E CITE A FONTE.

ÉTICA: Pluralismo – O universalismo vencido.

Ética.

Sandra Silberzweig

A separação que fazemos entre o que é natural e o que é cultural corresponde a uma forma de ver minoritária na história e no mundo.

A constatação é de Philippe Descola, etnólogo francês, que comparou interculturalmente os padrões integrantes da prática social: a identificação, a relação e a figuração.

Descola verificou que os dispositivos de clivagem são diversos, não só para os povos primitivos, mas entre todas as culturas das quais se tem notícia. A diferenciação entre o humano e não humano, entre moral e imoral, entre público e privado, entre individual e social não são as mesmas para animistas, para totemistas, para teístas, para os povos da Ásia, para a cristandade, como não são, ou deixaram de ser, para o Islã.

A sociedade ocidental foi a única a produzir uma representação do mundo biunívoca, uma oposição excludente entre natureza e cultura. Este traço decorre de uma história particular e explica a dificuldade que temos de compreender as demais culturas.

Por isto, necessitamos de empenho para entender não só as moralidades, mas as ideologias, as formações econômicas, as leis e os demais elementos dos povos em que o espírito, a impressão, o incomensurável prevalecem sobre a matéria, o conceito, o fato.

Mesmo internamente, aquilo que tomávamos por normal e ético há apenas alguns anos já não o podemos tomar. Não só porque as sociedades se modificam, evoluem e se interpenetram, mas porque o que se pode empiricamente predicar dos valores morais se restringe à hierarquia e o que se pode predicar das condutas se limita à frequência.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Descolas, [Philippe (2005). Par-delà nature et culture. Paris. Gallimard]

ÉTICA: Fontes da filosofia moral – Foucault: a estética da existência.

Ética.

Michel Foucault estudou como poderes sutis geram modelos de conduta, formas de pensar, sistemas de saber.

Internalizadas sem que tenhamos consciência, estas forças produzem existências codificadas e domesticadas pelas tradições e instituições. Provocam a “morte do homem” 1.

A identificação dos micropoderes em campos tão diversos como o da loucura, o da prisão e o da sexualidade, levou Foucault a se insurgir contra o sistema de valores dominantes e a denunciar a vontade de poder que sua genealogia exprime2. Daí que tivesse negado a redução da moralidade a um ato ou a uma série de atos em conformidade a uma regra, a uma lei ou a um valor.

Na busca da emancipação de pessoas controladas e marginalizadas, Foucault propôs a autoconstituição do sujeito moral. Indicou como caminho da ética uma forma de ser que balizasse o conhecer-se, o controlar-se, o experimentar-se, o aperfeiçoar-se em uma prática de si, em uma disciplina do corpo, da conduta, do sentimento e da paixão.

O legado de Michel Foucault para a filosofia moral do século em curso foi o de evidenciar a inutilidade normativa, atribuindo a cada um o cuidado de si, a constituição estética da existência. O cuidado para que nossa vida seja uma obra de arte3.

UTILIZE E CITE A FONTE.
1 - Foucault, Michel (1984). L’usage des plaisirs.  Gallimard.
2 - Foucault, Michel (2000). As palavras e as coisas. Tradução de Salma Tannus Muchail. São Paulo. Martins Fontes.
3 - Foucault, Michel (2014). História da loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo. Editora Perspectiva.

ÉTICA: Elogio do Cinismo.

Ética.

A denominação “cínico” deve sua origem ao ginásio do Cinosargo (Cão Branco), que ficava nas proximidades de Atenas, e onde se reuniam os filósofos adeptos da doutrina de Antístenes (sec. IV aec.).

A Escola desprezava as convenções sociais, a opinião pública e a moralidade convencional. Os cínicos não se opunham aos costumes estabelecidos ou à conduta alheia, mas eram indiferentes para com as instituições e as convenções. Entendiam que o legal e o natural geralmente se opõem, e que o segundo deve prevalecer sobre o primeiro.

Os atributos hoje dispensados ao cinismo são obra do marketing das instituições medievais.

Explica-se: a impassibilidade cínica era ofensiva aos interesses da tirania feudal e da ganância eclesiástica. Foram a doutrinação ideológica e a catequese hipócrita que distorceram os preceitos dos cínicos, ao ponto de fazer com que a Escola parecesse uma aberração moral.

Nada que surpreenda. Desde sempre, aquele que se conduz com a simplicidade dos seres da natureza e aponta a desrazão humana é vítima do procedimento obsceno de instituições, grupos e pessoas a quem as virtudes de temperança e sensatez prejudicam, ofendem ou denunciam.

UTILIZE E CITE A FONTE.

ÉTICA: John Rawls – a economia moral da justiça.

Notícias.

Neste texto descrevo como o filósofo norte-americano John Rawls reformulou o pensamento moral contemporâneo, ao propor a subordinação da ética à justiça.

Resumo a defesa que apresentou para uma moral fundada em um pacto que compensasse, sem tentar anulá-las, as assimetrias econômico-sociais do mundo em que vivemos.

Concluo com uma discussão sobre as dificuldades teóricas que encontrou para absorver o pluralismo cultural, filosófico, político e religioso do Ocidente.

Artigo publicado no Vol. 26 N 3 da revista Sociedade e Estado.

Clique aqui para ler o texto na íntegra.

UTILIZE E CITE A FONTE.

ÉTICA: Limites do discernimento ético.

Ética.

No Ocidente, os preceitos de ordem moral remetem a duas fontes cardeais. Uma advém da reflexão sobre a experiência vivida na Grécia clássica, se apoia na racionalidade e se organiza na filosofia. Outra, decorre da hierarquia de valores tirados da experiência do povo judeu e distorcidos pela Igreja cristã ao se autodeclarar verus Israel.

Justificado pelo duplo conjunto de preceitos acima, o acadêmico moralista se concentra na formatação dos gestos, dos ritos e dos lugares-comuns da sociedade. O viés do acadêmico é o de, quando a moral contraria a ética, pensar que se deve tomar o lado da ética, isto é, restaurar a moralidade convencionada.

Já o filosofo tenta ajustar a lógica moral ao que se passa na cultura viva. Procura evidenciar os gestos, ritos e lugares-comuns nocivos da sociedade da sua época. O viés do filósofo moralista é o de, no caso em que a moral contraria a ética, procurar reconstruir a ética conforme seu tempo e circunstância.

Os acadêmicos estão longe demais da articulação entre os elementos informes que regem o convívio contemporâneo. Os filósofos estão perto demais de questões como a da eutanásia, da corrupção, do aborto, do ateísmo, da desobediência civil, ….

Essa distância e essa proximidade viciam o discernimento ético.

UTILIZE E CITE A FONTE.

ÉTICA: Fontes da filosofia moral – A ética anarquista de Kropotkin.

Ética.

stjohn_kropotkin3Feito prisioneiro na Rússia tzarista, expulso dos países em que buscou refúgio, o príncipe Piotr Alesksiwicht Kropotkin (1842-1921), apoiou-se no evolucionismo para justificar uma ética de aperfeiçoamento da humanidade.

Legou ao século em curso uma filosofia anarquista que se alicerça na cooperação, na igualdade e na justiça distributiva. Uma perspectiva que dispensa a descrição de conteúdos por não ser normativa. Uma lei moral deduzida, não imanente.

A ética de ajuda mútua, que Kropotkin postulou, reúne a teoria rousseauniana de justiça social ao corolário da constatação darwiniana, modificada por Jenkin, que diz que a sobrevivência do mais apto requer a cooperação entre os membros da mesma espécie.

O princípio anarquista, que afirma que a moralidade é dar aos outros mais do que se espera receber deles, nutre e embasa o feminismo, o ambientalismo, o cooperativismo e o pacifismo contemporâneos.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
Kropotkin, Piotr (2009). Ajuda mútua: um fator de evolução. Tradução de Waldyr Azevedo Jr. São Sebastião. A Senhora Editora.

Kropotkin, Pëtr (2009) Ethics: Origin and Development. Ética origem e desenvolvimento (1922).  dwardmac.pitzer.edu

Kropotkine Pierre (2018). La Science Moderne et l’Anarchie. Version numérique réalisée sur la base de la seconde édition française, parue en 1913 chez P.-V. Stock & Cie, Bibliothèque sociologique n° 49. Recuperável em https://auprochainchapitre.wordpress.com/bibliotheque/la-science-moderne-et-lanarchie/

ÉTICA: A dissidência moral.

Ética.

No mundo integrado das grandes empresas, o arco de tensões entre o monitoramento externo (o que “eles” fariam?) e a proximidade interna (o que “nós” faríamos?) confunde as escolhas morais.

Bureaucracy por Leon Zernitsky

Como em toda e cada cultura, o meio corporativo apresenta dissonâncias e contradições nas escalas e hierarquias de valores. Estas escalas e hierarquias são recebidas acriticamente. Há, mesmo, sociedades e comunidades que sequer conhecem a autotematização.

Além de permeáveis a influências externas, as culturas são internamente contraditórias. O meio que desovou Hitler também gerou Freud, Wittgenstein, Mahler, Rilke, Kafka e o Jugendstil. A mesma melodia de Beethoven serviu para inspirar a solidariedade nazista, as promessas comunistas e as banalidades do hino da ONU.

Costumamos pensar que todas as organizações são como a nossa, que todas as comunidades são como a nossa, que todas as sociedades são como a nossa. Costumamos pensar que os outros têm os mesmos valores morais que os nossos. Logo aprendemos que não é assim. Que, para “eles”, nós somos o “Outro”, e que a dissidência moral é a constante a ser assimilada.

 

UTILIZE E CITE A FONTE.
Plessner, Helmuth (2014). Plessner’s Philosophical Anthropology. Edited by Jos de Mul. Amsterdam. Amsterdam
University Press B.V.

Steiner, George (2012). La poesía del pensamiento. Trad. De Maria Condor; Madrid; Ediciones Siruela [Kindle
edition]

ÉTICA: Fontes da filosofia moral – Jacques Maritain e o Neotomismo.

Ética.

Portrait de Jacques Maritain, par Otto van Rees

A despeito do propósito de subordinar a filosofia à teologia, Jacques Maritain (Paris, 1882 – 1973) infundiu vida nova à reflexão moral do século XX

Discipulo de Bergson, socialista revolucionário na juventude, católico converso, Maritain agregou dados históricos, conhecimentos da psicologia e da etnografia para reedificar a ética cristã.

Ao destacar o sentido sagrado da vida, Jacques Maritain atualizou o pensamento tomista, que até então estava firmado unicamente em uma suposta “lei da natureza humana”. Fez aflorar as deficiências do subjetivismo, do irracionalismo, do pragmatismo e dos humanismos de fundo biológico (Freud) e de fundo materialista (Marx) como sustentáculos da conduta ética.

O humanismo integral, fortemente espiritualizado, que legou para o século em curso, deu alento à ideia de que acedemos à lei moral a partir da compreensão dos propósitos de preservação física e psíquica do ser humano.

UTILIZE E CITE A FONTE.
Maritain, Jacques (1951). Neuf leçons sur les notions premières de la philosophie morale. Paris. Pierre Téqui Éditeur.

Maritain, Jacques (1965) Humanismo integral. Tradução de Afrânio Coutinho. São Paulo. Companhia Editora Nacional

Maritain, Jacques (1973). A filosofia Moral. Trad. de Alceu Amoroso Lima. Rio de Janeiro. Agir.