NOTAS: Deveria haver um limite para o salário dos chefes?

Notícias.

Deu na BBC por Tim Harford. 

A chefe da empresa de apostas online Bet365, Denise Coates, recebeu um contracheque de 320 milhões de libras (quase R$ 1,7 bilhão), confirmando sua posição como o executivo mais bem pago do Reino Unido. O salário anual de 277 milhões de libras de salário, mais os dividendos, reacendeu o debate sobre quanto os chefes devem ganhar.

“Um executivo-chefe de uma grande empresa americana, segundo levantamento do Senado, recebe cerca de 100 vezes mais que um trabalhador médio da empresa. E nosso governo hoje recompensa esse excesso com isenção tributária, não importa qual ao alto seja esse pagamento. Isso é errado.”

A frase é de Bill Clinton durante a campanha presidencial dos Estados Unidos em 1991, a qual ele venceu. Ele prontamente tirou do papel sua promessa de cercear pagamentos excessivos.

Em geralmente, salários são tratados como custo, reduzindo o lucro sobre o qual uma companhia paga tributos. O presidente Clinton mudou a lei americana, e companhias poderiam ainda pagar o quanto elas quisessem, mas salários anuais acima de US$ 1 milhão (cerca de R$ 4 milhões) não seriam mais dedutíveis.

A mudança teve um impacto enorme. Quando Clinton deixou o cargo, em 2000, a razão entre o pagamento do executivo-chefe e do trabalhador médio não era mais 100 para 1. Era 300 para 1.

Mas o que deu errado? Podemos abordar essa questão a partir das oliveiras da Grécia Antiga.

O filósofo Tales de Mileto, segundo se conta, foi desafiado a provar o valor da filosofia. Se ela era tão útil, por que Tales era tão pobre?

Filósofo Tales de Mileto

Filósofo Tales de Mileto – GETTY IMAGES

Aristóteles, que narra sua história, deixa claro que a questão é superficial.

É claro que os filósofos são espertos o bastante para ficarem ricos, mas eles também são sábios o bastante para não se importarem com isso. Podemos até imaginar Tales falando: “Ok, eu farei fortuna. Se eu precisar!”

À época, a filosofia incluía a leitura do futuro nas estrelas.

Tales previu uma safra abundante de azeitonas, o que significaria demanda alta no aluguel de prensas da cidade. Tales visitou cada dono de equipamento com uma proposta. Aristóteles é nebuloso nos detalhes, mas menciona a palavra “depósito”.

Talvez Tales tenha negociado o direito de usar a prensa na época da colheita, mas se ele decidisse não usá-la, o proprietário simplesmente ficaria seu depósito.

Nesse caso, é o primeiro exemplo registrado do que chamamos agora de opção. Uma má colheita de azeitonas, e a opção de Tales seria inútil.

Mas, por sorte ou por análise astronômica, ele estava certo. Aristóteles nos diz que Tales contratou as prensas “em que termos ele quis e coletou uma boa quantia de dinheiro”.

Atualmente, muitas opções são compradas e vendidas nos mercados financeiros.

Se você acha que o preço da ação da Apple vai subir, pode simplesmente comprar ações da empresa — ou pode comprar a opção de comprar ações da Apple por um preço específico numa data futura.

Uma opção é de alto risco e alto retorno. Se o preço da ação é menor do que minha opção de compra, eu perco tudo. Se é maior, eu posso exercer minha opção, vender a ação e tirar um grande lucro.

Mas há outro uso para essas opções, uma tentativa de resolver o que economistas chamam de problema do principal-agente. O principal é dono de algo, e ele emprega um agente para gerir isso para ele.

Imagine que eu me torno chefe da Apple, e você detém ações da empresa. Isso o torna o principal, ou um deles. Eu sou o agente, gerindo a companhia para você e outros acionistas.

Você precisa confiar em mim para trabalhar duro por seus interesses, mas você não pode ver o que eu faço o dia todo. Talvez eu tome minhas decisões consultando um astrólogo, talvez não tão esperto quanto Tales, mas eu sempre terei uma desculpa plausível de por que os lucros estão estagnados.

Mas se me derem opções de comprar novas ações da Apple em alguns anos? Agora eu teria a ganhar com o aumento do preço da ação. Claro, se eu exercer minha opção, isso vai diminuir o valor das ações, mas se o peço continuar subindo, isso não vai importar muito.

Tudo isso soa perfeitamente sensível, e em 1990 os economistas Kevin J. Murphy e Michael Jensen publicaram um influente artigo sobre o assunto.

“Na maioria das companhias”, escreveram, “a compensação de altos executivos é virtualmente independente do desempenho”.

Então, quando o presidente Clinton cortou isenções para pagamentos de executivos, ele beneficiou recompensas ligadas à performance. Conselheiro do então mandatário, Robert Reich explicou o que aconteceu: “Só mudou a remuneração dos executivos de salários para opções sobre ações”.

Um mercado de ações em ascensão significava que até mesmo um executivo-chefe que consulta astrologia teria se dado bem. A diferença entre os salários dos patrões e dos trabalhadores aumentou. Um congressista da era Clinton diz que a lei “merece um lugar de destaque no Museu de Consequências Não Intencionais”.

Mas espere: se as opções incentivam os executivos a fazer um trabalho melhor, então isso não é necessariamente ruim, certo? Infelizmente, isso acabou sendo um grande “se”.

Quais opções realmente incentivam é maximizar o preço das ações de uma empresa em uma determinada data. Se você acha que é exatamente a mesma coisa que administrar bem uma empresa, tenho algumas ações da Enron para vendê-lo.

Se as opções de ações não são a melhor maneira de recompensar o desempenho, os conselhos de administração da empresa não deveriam procurar alternativas?

Em teoria, sim. É trabalho do conselho negociar com os chefes das empresas em nome dos acionistas. Na prática, esse é outro problema do principal-agente, pois os chefes costumam influenciar quem são os diretores e quanto são pagos. Existe um potencial óbvio de conflito de interesse.

No livro Pay Without Performance (“Remuneração sem Desempenho”, em tradução livre), Lucian Bebchuk e Jesse Fried argumentam que os diretores não se importam de verdade com uma ligação entre remuneração e desempenho, mas precisam “camuflar” essa indiferença dos acionistas. A melhor forma de compensar gatos gordos é a “compensação de camuflagem”, e opções sobre ações parecem ser uma maneira de fazer isso.

Talvez acionistas precisem ainda de outro agente para supervisionar como a diretoria recompensa os chefes.

Há um candidato: muitas pessoas detêm ações não de modo direto, mas por meio de fundos de pensão, e há algumas evidências de que esses chamados investidores “institucionais” podem persuadir conselhos de administração a serem negociadores mais duros.

Quando um grande acionista pode exercer algum tipo de controle, há um elo mais genuíno entre a remuneração dos executivos e a performance deles. No entanto, essa ligação parece também bastante rara.

Os pagamentos feitos a executivos são frequentes nas manchetes de jornais, mesmo em países nos quais é menor a diferença da remuneração deles em relação ao trabalhador comum.

De todo modo, há surpreendentemente poucas evidências do que faz sentido.

Quão possível é avaliar bem o que um chefe faz? Há divergências.

Os chefes estavam menos motivados nos anos 1960 porque ganhavam “apenas” 20 vezes mais que os trabalhadores comuns? Parece difícil.

Por outro lado, boas decisões no comando de uma grande empresa têm muito mais valor do que as ruins. Então, talvez aqueles executivos valham mesmo os salários de até nove dígitos. Talvez.

Mas se é isso mesmo, não está claro para eleitores e trabalhadores, muitos dos quais ainda irritados com o que Clinton deu voz nos anos 1990.

Talvez os chefes executivos devam aprender com Tales, que foi esperto o bastante para fazer mais dinheiro, mas sábio o suficiente para refletir se deveria.

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ALMANAQUE: Roda Capitalista.

Almanaque.

“A nossa economia baseia-se em gastar bilhões de dólares para persuadir as pessoas de que a felicidade está em comprar coisas, e depois insistir que a única maneira de ter uma economia viável é fazer coisas para as pessoas comprarem, então eles vão ter empregos e conseguir dinheiro suficiente para comprar as coisas.”

 Philip Slater – Comentarista esportivo da BBC.

 

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NOTÍCIAS: Por que devemos focar no ‘como’ e não no ‘por que’ trabalhamos.

Notas.

Por que o trabalho moderno parece tão insatisfatório? Será que estamos cometendo o erro de procurar o “por que”, quando deveríamos desesperadamente responder “como”?

Se pudéssemos inventar empregos, teríamos que nos esforçar muito para criar algo tão pouco satisfatório quanto os trabalhos do início do século 21.

Uma série de reuniões intermináveis que nos fazem esquecer do nosso próprio nome, e-mails que parecem idênticos àqueles que deletamos no dia anterior – tudo isso em meio ao burburinho dos escritórios de design aberto, sem paredes ou divisórias.

Passei os últimos dois anos pesquisando e escrevendo um livro sobre como melhorar a cultura corporativa moderna – e o que observei foi um lembrete chocante do que precisa ser consertado.

Os desafios envolvendo os ambientes de trabalho modernos vão além das distrações, se traduzindo em algo mais substancial. A Mental Health Foundation (ONG dedicada à pesquisa da saúde mental) diz que 74% dos britânicos se sentiram sobrecarregados por estresse em algum momento do ano passado, sendo o trabalho a principal causa.

Segundo algumas estimativas, funcionários dos quais se espera que permaneçam online após o expediente passam mais de 70 horas conectados ao escritório por semana.

Metade das pessoas que fazem horas extras apresentam os níveis mais altos de estresse.

É por isso que palestras de consultores motivacionais, como Simon Sinek, parecem ser cada vez mais incompatíveis com a experiência dos profissionais no ambiente corporativo.

Quando ‘por que’ não é suficiente.

Sinek ganhou fama e reconhecimento por insistir na tese de que os millennials precisavam entender o “por quê” do trabalho antes de se comprometerem com os desafios envolvidos.

“Grandes empresas não contratam pessoas qualificadas e as motivam, elas contratam pessoas motivadas e as inspiram”, declarou Sinek.

A inspiração, no caso, seria dizer “por que” eles estavam fazendo o trabalho. Mas está ficando claro que esse foco singular no “propósito” está criando dissonância e insatisfação no chão de fábrica.

Pessoas tomando café no trabalho

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Profissionais de todas as idades se deparam com um dos grandes “problemas de primeiro mundo”: “Como posso estar trabalhando nesta nobre organização orientada por propósitos e ainda assim não estar feliz?”

Um número cada vez maior de empregadores está sendo alvo de críticas dos funcionários pela disparidade entre o que prometeram a eles, quando se candidataram à vaga, e a realidade do trabalho.

Os protestos de funcionários do Google contra assédio sexual na empresa em 2018, um ano após a denúncia feita por Susan Fowler contra a Uber, são marcos importantes de uma longa trajetória de descontentamento no ambiente de trabalho – apesar de haver respostas grandiosas para a pergunta “por que”.

Está cada vez mais claro que, embora o foco no “por que” do trabalho possa criar uma visão atraente para um CEO se apoiar, não impede os funcionários de se sentirem desmotivados em suas mesas.

Parece que é hora de deixarmos para trás a bravata do “por que” para entrar em uma discussão relativamente mundana de “como”: “Como posso me sentir mais realizado e menos ansioso no trabalho?”

O poder das pequenas mudanças.

Embora não exista um Steve Jobs para revelar a versão mais nova e sofisticada do seu emprego, está ficando claro que somos capazes de promover mudanças no nosso dia a dia, por conta própria, que podem ajudar a tornar o trabalho menos desagradável.

Protesto de funcionários do Google

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Uma vez que os profissionais aceitam que o “como” é importante, muitos se sentem revigorados ao perceber que têm autonomia para iniciar a mudança. O maior fardo do trabalho para a maioria das pessoas é o maldito tempo gasto em reuniões. O simples ato de reduzir pela metade o número de participantes pode ser um ato de misericórdia.

O banco de investimentos Bridgewater Associates percebeu que reuniões com menos gente pareciam ser mais eficazes, elevando o nível das discussões. O desafio, neste caso, é que todo mundo acredita que é na reunião na qual não se está presente que todas as coisas boas acontecem.

Para provar que esse “medo de estar perdendo algo” era equivocado, eles começaram a gravar todas as reuniões – e o resultado foi que ninguém mais reclamou ao ser retirado da lista de participantes.

Há outras questões: os funcionários estão cada vez mais cientes de que é comprovado por pesquisas que fazer uma pausa adequada para almoçar de três a quatro vezes por semana melhora a tomada de decisão e reduz o cansaço acumulado de sexta-feira que atormenta tanta gente.

Indo mais além, se apropriar da tradição cultural sueca do fika para dar uma volta e tomar um café com um colega, como parte da rotina, parece ter efeitos positivos. Nos deixa menos intolerantes com os e-mails e refresca nossa cabeça à medida que encerramos a jornada de trabalho.

Na verdade, o proveito de caminhadas pode ser estendido – às reuniões, por exemplo, que poderiam ser conversas em movimento. A cientista Marily Oprezzo, de Stafford, no Reino Unido, descobriu que caminhar melhorou o pensamento criativo de 81% das pessoas que ela analisou.

Reunião de trabalho

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Colocar uma nova reunião na agenda pode parecer uma heresia quando tentamos organizar a semana de trabalho, mas as “reuniões sociais” estão se tornando populares.

Margaret Heffernan, que foi CEO de cinco companhias, descreveu a introdução de uma reunião social semanal em uma das empresas em que trabalhou, nos EUA, como “absolutamente transformadora” para a cultura corporativa.

Heffernan observou que incentivar os funcionários a passar um tempo socializando entre si durante a jornada de trabalho os tornava mais propensos a cooperar ao longo da semana.

Os ambientes corporativos estão contaminados pela síndrome da pressa, uma consequência das demandas implacáveis do trabalho moderno – e o impacto desse burnout (esgotamento físico e mental) pode ser complicado, especialmente para os profissionais mais jovens.

Quando o trabalho é impiedoso, o foco no objetivo grandioso do “por que” trabalhamos não vai ajudar, talvez seja hora de cuidar do “como”.

*Bruce Daisley é vice-presidente do Twitter para Europa, Oriente Médio e África. É autor do livro ‘The Joy of Work – 30 Ways To Reinvent Your Work Culture and Fall in Love With Your Job Again’ (“A alegria de trabalhar – 30 maneiras de reinventar seus hábitos e de se apaixonar novamente pelo seu trabalho”, em tradução livre).

Clique aqui para ler a matéria na íntegra e aqui para a matéria original (em inglês).

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NOTAS: Como a sensação de ser vigiado no trabalho impacta a produtividade e a saúde.

Notícias.

Deu na BBC News por Padraig Belton.

A vigilância no local de trabalho está ligada a uma melhoria da produtividade ou é simplesmente uma forma de controlar a equipe e eliminar os funcionários com desempenho insatisfatório?

Courtney Hagen Ford, de 34 anos, deixou seu emprego como caixa de banco ao concluir que o monitoramento ao qual era submetida era “desumanizante”.

Seu empregador vigiava quais teclas ela digitava e usava um programa de computador para monitorar quantos dos clientes que ela ajudava contraiam empréstimos ou contratavam serviços. “A pressão era implacável”, lembra ela. “Era uma situação horrível.”

Ela decidiu que seria melhor trabalhar vendendo fast food, mas, ironicamente, deixou o banco para fazer um doutorado em tecnologia de vigilância.

Courtney não está sozinha em suas críticas a esse tipo de monitoramento, que está em alta em todo o mundo, à medida que empresas busquem medidas para que seus funcionários sejam mais produtivos e eficientes.

Mais da metade das empresas com uma receita anual acima de US$ 750 milhões (R$ 2,92 bilhões) usaram técnicas de monitoramento “não tradicionais” com suas equipes no ano passado, diz Brian Kropp, vice-presidente da empresa de pesquisa Gartner.

Isso inclui ferramentas para analisar emails, trocas de mensagens, uso de computadores e a movimentação de funcionários pelo escritório. Algumas empresas também estão monitorando batimentos cardíacos e padrões de sono para ver como isso afeta o desempenho.

Em 2015, 30% usaram essas ferramentas. Para 2020, Kropp estima que 80% o façam. E a análise de dados da força de trabalho será um mercado de de US$ 1,87 bilhão (R$ 7,3 bilhões) até 2025, segundo a consultoria americana Grand Review Research.

Por que as empresas estão tão interessadas em monitorar funcionários?

Ben Waber, presidente da Humanyze, uma empresa americana de análise de ambientes de trabalho, defende que isso dá às empresas a capacidade de avaliar como seus funcionários estão atuando e interagindo, o que pode ser bom não só para o negócio mas também para os próprios funcionários.

Sua empresa reúne dados de serviços de e-mail e mensagens instantâneas dos funcionários e usa crachás equipados com aparelhos de identificação por radiofrequência (RFID) e microfones.

Assim, pode verificar quanto tempo uma pessoa gasta conversando e o volume e tom de sua voz. Embora isso possa parecer invasivo, para não dizer assustador, seus defensores argumentam que também pode proteger funcionários contra o assédio moral e sexual.

Parte dessa análise de dados pode produzir resultados inesperados, diz Waber. Por exemplo, um grande cliente da indústria de tecnologia descobriu que os programadores que costumavam almoçar em mesas para 12 pessoas tendiam a superar o desempenho daqueles que se sentavam em mesas para quatro pessoas.

Almoçar em grupos maiores levou a uma maior interação com equipes de outras partes da empresa, diz ele, e isso melhorou a troca de ideias e “a uma diferença de mais de 10% de performance”, algo que provavelmente teria passado despercebido sem essa análise.

Nos últimos anos, um escritório compartilhado chamado Epicenter, na Suécia, foi além e realizou “festas do chip”, em que as pessoas podiam ter microchips com RFID do tamanho de um grão de arroz implantados em suas mãos.

Elas podem usar os implantes para acessar portas controladas eletronicamente, trocar contatos ou monitorar como a velocidade de digitação se correlaciona com a frequência cardíaca, diz Hannes Sjöblad, do Epicenter, que também tem um chip em sua mão.

O implante “não transmite nenhum dado a menos que você o coloque a um centímetro de distância de um aparelho de leitura, então, quem tem um pode controlar isso”, afirma ele.

Chips implantados podem parecer algo extremo, mas é um passo relativamente pequeno em relação ao uso de crachás e biometria, diz Jeffrey Stanton, professor da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, que pesquisa o estresse relacionado ao trabalho.

 

Qual é a reação dos funcionários?

Enquanto essas medidas forem voluntárias, “haverá uma ênfase nos usos voltados para a conveniência, de modo que um número substancial de trabalhadores opte por ter um chip implantado”, acredita Stanton.

Mas se forem usadas ​​para reduzir o tempo de folga ou intervalos para descanso, “provavelmente entraremos em uma zona ruim”, diz. Quanto mais as ferramentas de vigilância são usadas para “tirar autonomia”, mais elas se tornam impopulares.

Isso depende muito de como tais iniciativas de monitoramento são comunicadas, argumenta Kropp, da Gartner.

Em 2016, o jornal britânico Daily Telegraph instalou dispositivos de monitoramento por calor e movimento sob as mesas dos funcionários. A direção disse que era para descobrir quais mesas estavam ocupadas para fins de gerenciamento de energia, mas a equipe achou que estava sendo espionada e se revoltou. Os dispositivos foram removidos após 24 horas.

 

Se os chefes não se comunicam de maneira eficaz, os funcionários pensam o pior, diz Kropp. Mas, se eles são transparentes sobre as informações coletadas – e o que estão fazendo com isso – 46% dos funcionários “geralmente não se incomodam com isso”.

Embora muitos desses sistemas de monitoramento usem dados anônimos e a participação seja voluntária, muitos funcionários permanecem céticos e temem que isso mine sua liberdade. Nos países menos liberais, os trabalhadores não têm escolha alguma.

Mas, para alguns, os benefícios são óbvios. “Tenho narcolepsia”, explica Jessica Johnson, de 34 anos, de Canberra, na Austrália. Ela adormece por curtos períodos durante o dia e fica desorientada quando acorda. Isso “afeta minha memória e minha capacidade de me concentrar”, diz ela.

Ela trabalhou para uma companhia de seguros, na qual os funcionários usavam um programa chamado Timely para registrar as horas de trabalho. Isso a ajudou identificar o que estava fazendo antes de adormecer e a continuar de onde parou.

“Você o instala no seu telefone e, em seguida, no seu computador, e é assim que você obtém todos os dados”, diz Mathias Mikkelsen, presidente da Timely. “Os algoritmos analisam todas as informações e criam gráficos.”

Você pode saber, por exemplo, quando tempo está desperdiçando em reuniões improdutivas ou respondendo emails. Assim, pode mostrar aos seus chefes que está “perdendo muito tempo com coisas as quais não foi contratada para fazer”, diz Mikkelsen.

Assim, a vigilância no local de trabalho pode empoderar os funcionários e ser útil para empresas que buscam se tornar mais eficientes e lucrativas. Mas, se implementada da forma errada, pode se tornar uma ferramenta de opressão contraproducente.

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NOTAS: O trabalho está matando as pessoas e ninguém se importa.

Notícias.

Deu na BBC News Mundo por Cecilia Barría.

O escritor e pesquisador Jeffrey Pfeffer não considera que sua frase “trabalho está matando as pessoas e ninguém se importa” seja uma metáfora.

O professor da Escola de Pós-Graduação em Negócios da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, argumenta que sua tese é baseada em pesquisas realizadas durante décadas tanto em seu país como em outros lugares do planeta.

Pfeffer é autor ou coautor de 15 livros sobre teoria organizacional e recursos humanos. Em seu último livro, “Morrendo por um salário” (em tradução livre do inglês), ele argumenta que o sistema de trabalho atual adoece e mata as pessoas.

Na obra, Pfeffer conta o caso de Kenji Hamada, um homem de 42 anos que morreu por causa de um ataque de coração quando estava em seu escritório em Tóquio. Hamada trabalhava 75 horas por semana e, todos os dias, demorava cerca de duas horas para chegar ao trabalho.

Pouco antes de sua morte, Hamada havia trabalhado 40 dias seguidos sem folga – sua esposa contou que ele estava extremamente estressado.

O caso de Hamada é apenas um de vários exemplos coletados por Pfeffer em seu livro. Na publicação, o pesquisador fala dos efeitos de um sistema de trabalho que muitas vezes se torna “desumano” por excesso de carga laboral.

Segundo evidências compiladas por Pfeffer, 61% dos trabalhadores americanos consideram que o estresse lhes causou problemas de saúde; 7% dizem que já foram hospitalizados por causas relacionadas ao trabalho.

O pesquisador estima que o estresse esteja relacionado à morte de 120 mil trabalhadores americanos.

De um ponto de vista econômico, o estudioso acredita que as empresas dos Estados Unidos gastam cerca de U$ 300 bilhões ao ano para cobrir problemas relacionados a doenças de seus funcionários.

A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, conversou com o pesquisador. Confira os principais trechos abaixo.

BBC – No livro, você menciona que existe um sistema de trabalho tóxico que está matando as pessoas. Quais evidências você tem sobre esse assunto e como o trabalho moderno afeta os trabalhadores?

Jeffrey Pfeffer – Existem provas dos efeitos da carga excessiva de trabalho na saúde das pessoas. As longas jornadas, demissões e falta de planos de saúde provocam uma enorme insegurança econômica, conflitos familiares e doenças.

O trabalho tem se tornado desumano. Por um lado, as empresas desconsideram a responsabilidade que eles têm com seus empregados. Mas também há insegurança entre os trabalhadores informais, contingente que vem crescendo nos últimos anos.

BBC – Quem é responsável por esse fenômeno?

Jeffrey Pfeffer – Se a gente pensar nos anos 50 e 60, os diretores de empresas diziam que era importante equacionar os interesses dos funcionários, clientes e acionistas. Hoje, tudo está centrado nos acionistas.

Nos bancos de investimentos, por exemplo, há uma prática generalizada em que os funcionários só voltam para casa para tomar banho, praticamente. Depois, retornam ao escritório.

Sob esse sistema, muitos trabalhadores ficam viciados em drogas, porque começam a usar cocaína e outras drogas para se manterem acordados.

BBC – No caso dos Estados Unidos, você escreveu que o local de trabalho é a quinta causa de morte nos Estados Unidos.

Jeffrey Pfeffer – Escrevi que era ‘pelo menos’ a quinta causa de mortes, talvez seja até mais que isso.

BBC – E quem são os responsáveis por essas mortes?

Jeffrey Pfeffer – Os empregadores são os responsáveis. Os governos também são responsáveis por não fazer nada a respeito.

BBC – Então, qual o papel da política em tudo isso?

Jeffrey Pfeffer – Tem um papel enorme. Temos que fazer algo para diminuir esses feitos. Mas não somos capazes de fazer nada em um nível individual.

Se quisermos resolver o problema de maneira sistêmica, será preciso uma intervenção sistêmica a partir de algum tipo de regulação.

BBC – Qual é a reação de diretores de empresa quando você conversa com eles sobre a precarização do trabalho?

Jeffrey Pfeffer – Ninguém diz que os dados estão errados, porque eles são bastante assustadores. Mas esse assunto é como um jogo de ‘batata quente’: as pessoas sabem que existe um problema, mas ninguém quer assumir o encargo.

Os custos de saúde são enormes. As condições de trabalho causam doenças crônicas como diabetes ou problemas cardiovasculares.

BBC – Falando desses custos, as empresas podem responder que fazer mudanças no sistema de trabalho vai afetar os lucros corporativos.

Jeffrey Pfeffer – Isso não é verdade. Sabemos que as pessoas estressadas têm uma maior probabilidade de pedir demissão. Sabemos que trabalhadores doentes são menos produtivos.

Sabemos por estudos realizados nos Estados Unidos e no Reino Unido que 50% dos casos em que funcionários faltam ou pedem licença médica estão relacionados ao estresse causado pelo trabalho.

O Instituto Americano do Estresse calcula que o custo anual causado pelo estresse chega a U$ 300 bilhões (mais de R$ 1,1 trilhão).

Então, torna-se muito caro manter trabalhadores doentes ou empregados que vão trabalhar mas têm rendimento baixo. E isso custa uma fortuna a uma empresa.

BBC – Do lado dos trabalhadores, você escreveu que as pessoas deveriam cuidar melhor de si mesmas. Mas se um funcionário pede melhores condições de trabalho, ele pode acabar demitido. Como essas mudanças que senhor prega podem ser feitas na prática?

Jeffrey Pfeffer – Primeiro, os trabalhadores precisam assumir a responsabilidade de cuidar de sua própria saúde. Se você não consegue equilibrar seu trabalho e sua vida pessoal, é melhor sair e procurar outro emprego.

Tem gente que contesta: ‘Não do posso sair do emprego’. Eu respondo: ‘se você está em uma sala cheia de fumaça, você vai sair, porque as consequências para sua saúde serão severas’.

Outro ponto é que a população pressione os governos para criar leis que protejam os trabalhadores de forma coletiva, pois o sistema atual também tem um custo para a sociedade.

Clique aqui para ler o texto original.

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NOTAS: Local de trabalho.

Notas.

Deu na BBC por Jeff Pfeffer:

O que fazer para evitar que o ambiente de trabalho nos mate.

Em 2016, um engenheiro de software da Uber, com uma renda anual de seis dígitos, cometeu suicídio. O motivo, segundo sua família, foi seu alto nível de estresse no trabalho.

Um estagiário do banco Merrill Lynch de 21 anos desmaiou e morreu em Londres depois de trabalhar 72 horas seguidas.

Quando a gigante do aço ArcelorMittal fechou uma de suas fábricas, um funcionário de 56 anos morreu de ataque cardíaco três semanas depois. Teria sido o choque de perder o emprego depois de tanto tempo, afirmaram parentes à época.

Os casos, ainda que extremos, são sintomas de um problema cada vez mais comum: a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho contabiliza que mais da metade dos 550 milhões de dias de trabalho perdidos anualmente devido a faltas “está relacionada ao estresse”.

Em 2015, uma análise feita com base em quase 300 estudos constatou que práticas nocivas no local de trabalho elevavam a mortalidade, assim como o fumo passivo, por exemplo.

Tais práticas incluem desde longas jornadas de trabalho, conflitos entre trabalho e família, ausência de jornadas regulares ou previsíveis e, no caso dos EUA, o fato de não se ter plano de saúde entre os benefícios contratuais.

A insegurança econômica decorrente do desemprego também está listada entre os fatores que geram malefícios à saúde.

Não há dúvida de que o local de trabalho vem deixando as pessoas doentes e causando até mesmo mortes – e isso é motivo de preocupação. Com o aumento dos custos de saúde em todo o mundo, nossa “segunda casa” tornou-se um importante problema de saúde pública.

“Seu chefe tem papel mais importante em sua saúde do que seu médico de família”, diz Bob Chapman, CEO da empresa de tecnologia Barry-Wehmiller.

O Fórum Econômico Mundial estima que cerca de três quartos dos gastos com saúde em todo o mundo estejam associados a doenças crônicas e doenças não transmissíveis, responsáveis por 63% de todas as mortes.

A doença crônica vem tanto do estresse quanto dos comportamentos não saudáveis que ele induz, como fumar, beber, usar drogas ou comer demais.

Inúmeras pesquisas mostram que o local de trabalho é uma das principais causas de estresse, o que explica, pelo menos em parte, a crise dos serviços de saúde que estamos vivendo.

Homem estressado

Segundo o Instituto Americano de Estresse, o estresse no local de trabalho custa à economia dos Estados Unidos cerca de US$ 300 bilhões por ano.

Custo do estresse

Um artigo do qual fui coautor em uma importante revista especializada indicava que práticas de gestão ineficientes causam 120 mil mortes anualmente nos EUA. Além disso, calculamos os custos extras de assistência médica em US$ 190 bilhões por ano.

Isso tornaria o local de trabalho a quinta principal causa de morte nos Estados Unidos, à frente da doença renal ou o Mal de Alzheimer. No Reino Unido, segundo dados oficiais, 12,5 milhões de dias úteis foram perdidos devido a estresse, depressão ou ansiedade relacionados ao trabalho no biênio 2016-2017.

É preciso lembrar ainda que práticas de trabalho prejudiciais aos funcionários também são nocivas às empresas.

As longas jornadas de trabalho afetam negativamente os índices de produtividade. Cortes ou demissões não melhoram o desempenho organizacional e, muitas vezes, levam ao êxodo dos melhores funcionários.

Além disso, por causa de custos diretos, como indenizações, e custos indiretos, como perder pessoas com fortes relacionamentos com clientes, pode não haver, na verdade, economia de recursos.

Durante décadas, pesquisas mostraram que dar às pessoas maior controle sobre como e quando fazem seu trabalho aumenta a motivação e o engajamento.

Não surpreende que funcionários estressados estejam mais propensos a se demitir – e a alta rotatividade sai caro. Estudos vêm demonstrando o que parece ser óbvio: empregados doentes e estressados não são mais proficientes ou produtivos em seu trabalho quanto aqueles mais saudáveis.

Mulher chorando

Vivemos uma era de maior insegurança econômica

Cenário pessimista

Os indicadores mostram, infelizmente, um cenário pessimista.

Cortes de empregos, que costumavam ocorrer apenas em tempos econômicos difíceis, agora são rotineiros. Quando a brasileira 3G Capital fundiu as gigantes de alimentos Heinz e Kraft, 20% da força de trabalho foi reduzida, à medida que a empresa consolidava a produção e eliminava funções que se sobrepunham.

A chamada “gig economy“, baseada no trabalho temporário e feito por freelancers, faz com que estes sejam tempos de maior insegurança econômica, já que muita gente não consegue saber qual será sua renda daqui a uma semana.

A tecnologia que permite a varejistas e a outras empresas, como hotéis e restaurantes, flexibilizar o número de funcionários faz com que os salários sejam cada vez mais variáveis e que as pessoas enfrentem restrições para conciliar o trabalho com a família e as tarefas domésticas.

Também houve uma mudança importante na gestão das empresas. Nos anos 50 e 60, CEOs equilibravam-se entre interesses de acionistas, clientes, funcionários e comunidade – o chamado “capitalismo consciente”.

Agora, contudo, os interesses dos acionistas falam mais alto. Poucos líderes parecem entender que, quando as pessoas vêm trabalhar para eles, elas colocam seu bem-estar físico e psicológico em suas mãos.

Mas, conscientes disso, algumas empresas decidiram mudar a forma como tratam seus funcionários.

Nelas, os empregados ganham um dia de folga e são obrigados a tirá-lo.

Os gerentes não enviam e-mails ou mensagens de texto a qualquer hora. As pessoas trabalham, vão para casa e têm tempo para relaxar. Algumas companhias chegam, inclusive, a oferecer acomodação, de modo que as pessoas possam ter um emprego e uma vida familiar.

Os funcionários são tratados como adultos e têm controle sobre o que fazem e como fazem para cumprir suas responsabilidades profissionais. Ou seja, não há microgerenciamento.

Mais importante do que isso: as empresas são lideradas por indivíduos que levam a sério seus deveres com seus funcionários. Na SAS Institute, desenvolvedora de um dos softwares estatísticos mais utilizados no mundo, um dos cargos de direção é ocupado por uma pessoa cuja função não é estritamente cuidar do crescimento dos negócios: ela é responsável por garantir o bem-estar dos funcionários.

As pessoas precisam escolher seu empregador não apenas pelo salário e oportunidades de crescimento profissional, mas também com base no impacto que o trabalho terá em sua saúde física e psicológica. Por outro lado, os empregadores não devem focar apenas o lucro, mas também a saúde de seus funcionários.

Já os governos, preocupados os crescentes custos na área da saúde, precisam se concentrar em melhorar o ambiente de trabalho, porque o estresse está claramente deixando as pessoas doentes. Nada disso é necessário – ninguém deveria estar morrendo por trabalhar.

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NOTAS: Para cientistas, acordar cedo afeta produtividade de trabalhadores

Notas.

Deu na BBC por Renuka Rayasam.

Se você é uma daquelas pessoas que apertam o botão “soneca” do despertador a cada manhã e não consegue sair da cama, não se culpe. O problema pode ser sua rotina de trabalho.

Um número crescente de pesquisas mostra que, para muitos de nós, nossas agendas profissionais estão fora de sincronia com nossos relógios biológicos. E especialistas querem que empregadores urgentemente tomem nota.

O sono é um recurso estratégico que muitas empresas estão ignorando, de acordo com um estudo preparado por Cristopher Barnes, professor de administração da Foster School of Business, pertencente à Universidade de Washington.

Barnes explica no estudo que, quando escalas de trabalho estão alinhadas com os padrões naturais de sono, isso resulta em mais qualidade e inovação porque os empregados estão mais concentrados, menos estressados e relativamente mais saudáveis.

Ciclos

O oposto também é verdade: trabalhadores cansados tendem a cometer mais erros graves e a sofrer acidentes de trabalho. A pesquisa de Barnes revelou até que pessoas que dormem tarde se comportam de maneira menos ética pela manhã do que à noite, comportamento contrário ao de pessoas que acordam cedo.

Mas não se trata apenas da quantidade de horas que alguém dorme. Para você ser produtivo às 8 da manhã, isso depende do ritmo circadiano. Todos os organismos vivos, das bactérias aos humanos, têm um relógio biológico interno, como explica Till Roenneberg, professor do Instituto de Psicologia Médica da Universidade Ludwig-Maximilian, em Munique.

E, nos humanos, esse relógio varia um bocado.

“É como os pés. Algumas pessoas tem pés grandes e outras, pequenos. Mas a maioria está no meio termo”, explica Roenneberg.

Ele explica que nossas vidas não costumam levar em conta os ritmos circadianos que tínhamos no passado, quando passávamos mais tempo do lado de fora e sob luz natural. Muitas empresas começam seu expediente às 8 ou 9 da manhã, o que iria contra o relógio biológico dos empregados.

Aliado à pressão por produtividade e pela disponibilidade de resolver assuntos de trabalho fora do horário do expediente, através de e-mails e telefonemas, isso causa um fenômeno conhecido como jetlag social – nossos organismos estão sempre no fuso horário errado. O pesquisador estima que mais de 70% das pessoas acordam mais cedo do que deveriam se o objetivo era estarem descansadas e produtivas.

Esse descompasso tem início na adolescência, segundo Paul Kelly, neurocientista da Universidade de Oxford, no Reino Unido. A puberdade acelera os relógios biológicos e, quando as crianças chegam ao ensino secundário, estão, em média, levantando três horas mais cedo do que deveriam porque as aulas podem começar, por exemplo, às 7h30m. O resultado? Privação de sono crônica, o que afeta a capacidade de concentração e pode levar a problemas de saúde a longo prazo, como obesidade e diabetes.

Em alguns distritos americanos e britânicos, escolas começaram a adotar horários mais tardios para o início das aulas.

À medida que as pessoas envelhecem, os relógios biológicos começam a voltar a despertar mais cedo, mas Kelley afirma que a maior parte da população mundial ainda acorda muito cedo. Ele defende que a jornada de trabalho ideal deveria começar às 10h.

“Não é racional começar a jornada às 8h”, diz ele.

Isso, porém, contrasta os estereótipos da vida no escritório, em que os trabalhadores que chegam mais cedo são tidos como mais diligentes, por exemplo, ao passo que a turma trabalhando mais tarde é vista como mais “vadia”.

“Mas o problema é que os ritmos circadianos são controlados pela biologia e não por nós”, completa Kelley.

Barnes acredita que o favorecimento dos “madrugadores” é uma das razões pelas quais políticas de trabalho flexível volta e meia falham. O professor estudou uma série de empresas que introduziram o horário flexível e descobriu que trabalhadores que escolheram horários de entrada mais cedo eram frequentemente mais valorizados em avaliações de desempenho, mesmo se trabalhassem o mesmo número de horas de quem começava a jornada mais tarde.

Sincronia

“Esse tipo de percepção impede a sincronização do início da jornada de trabalho com seu processo circadiano”, diz o americano.

Usando suas pesquisas sobre cronotipos (termo que descreve se uma pessoa é “madrugadora” ou “criatura da noite”), Roenneberg conduziu experimentos na montadora Volkswagen e numa empresa siderúrgica, ambas na Alemanha. Ele ajustou os turnos de trabalho para que eles combinassem com os relógios biológicos, dando turnos vespertinos e noturnos para empregados que gostam de levantar mais tarde e matutinos para os madrugadores.

Em ambos os casos ele constatou que a sincronização resultou em maior produtividade e que os trabalhadores se sentiram mais saudáveis e menos cansados tanto no trabalho quanto no tempo livre. Ryan Olson, cientista do Instituto de Ciência da Saúde Ocupacional, nos EUA, encontrou resultados semelhantes para trabalhadores de escritório. “Com a tecnologia que temos hoje, não há razão para manter horários rígidos”, afirma.

Olson organizou um estudo de um ano em uma empresa internacional de tecnologia com sede nos EUA. Antes do início do experimento, empregados tinham que chegar no trabalho entre 8h e 9h, mas também exigia-se deles atender durante a noite à chamadas telefônicas de colegas de empresa baseados no exterior. Para prevenir que quem entrasse mais cedo fosse privilegiado, os participantes do estudo receberam a liberdade para trabalhar horários mais flexíveis desde que apresentassem os mesmos resultados – por exemplo, a entrega de projetos para clientes.

O programa durou três meses e incluiu workshops para ensinar os trabalhadores a julgar colegas pela maneira que eles escolhiam para passar o tempo e promoveu atividades para estimular os empregados a valorizar o tempo pessoal. No estudo, empregados foram encorajados a deixar o trabalho para resolver problemas da casa ou participar de eventos escolares dos filhos no meio do dia. Tudo para ajudar as pessoas a equilibrar vida pessoal e profissional.

Mas o programa também deu aos funcionários uma hora extra de sono por semana – o que equivale a uma semana de sono por ano. Olson argumenta que o benefício desse tempo extra durou mais de um ano após o início do estudo e que a empresa está trabalhando em mudanças em seu esquema de trabalho.

“Há um velho ditado que diz que dormir é para os fracos. Mas sinto uma mudança de atitudes e que as pessoas perceberam que não adianta privar as pessoas de sono. As empresas agora começaram a ouvir”, diz o cientista.

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NOTÍCIAS: Trabalhar em excesso é como dirigir bêbado.

Notícias.

Deu na BBC por José Luis Peñarredonda.

Longas jornadas de trabalho aumentam os riscos de acidentes, os níveis de estresse e provocam até dor física. Mas o grande problema é que muitas pessoas simplesmente não podem evitá-las.

De acordo com as últimas estatísticas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 400 milhões de pessoas trabalham 49 ou mais horas por semana, uma proporção considerável do quase 1,8 bilhão de trabalhadores em todo o mundo.

Em entrevista ao New York Times, até mesmo o empresário Elon Musk, criador da Tesla, se comoveu ao contar ter passado a noite de seu aniversário de 47 anos dentro de uma fábrica. “Sem amigos, nada”, disse. E provavelmente foi só mais um dia em em semana de 120 horas de trabalho. “Isso realmente tem ocorrido às custas de ver meus filhos. E de ver amigos”, acrescentou.

Mas esgotar-se como se isso valesse uma medalha de honra abre precedentes perigosos. Trabalhar por muitas horas e finais de semanas se tornou uma marca da cultura de startups do Vale do Silício – e tem se espalhado por várias partes do mundo.

Pode parecer óbvio: uma pessoa que trabalha em excesso fica cansada e, portanto, mais propensa a sofrer um acidente no trabalho. Mas provar essa relação é impressionantemente difícil.

Um estudo que analisou 13 anos de registros de trabalho nos Estados Unidos descobriu que “trabalhar em empregos com horas extras estava associado a uma taxa de risco de lesões 61% maior em comparação com trabalhos sem hora extra”.

Esse estudo não chega a dizer que o cansaço é a principal causa do aumento de risco, mas há amplas evidências disso. Por exemplo, se você acordou às 8h e ficou de pé até 1h do dia seguinte (ou seja, ficou acordado por 17 horas seguidas), seu desempenho físico provavelmente será pior do que se você tivesse uma concentração de 0,05% de álcool no organismo. Essa é a média que um homem de 73 kg teria se tivesse bebido duas latas de 355ml de cerveja. É isso: você está “bêbado” de cansaço.

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NOTÍCIAS: Que benefícios trazem os escritórios que permitem que você trabalhe de pé?

Notícias.

Deu na BBC.

 

Vários estudos correlacionam a vida sedentária a uma série de doenças, como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardíacos.

Muitos que trabalham em escritórios passam longos períodos do dia sentados, e o uso constante de e-mails, programas de mensagens e as tarefas diante do computador fazem com que sequer tenhamos que nos levantar para falar com os colegas que estão a vários metros de distância, em outros departamentos.

Homem trabalha em escritório

GETTY IMAGES Especialistas recomendam: deveríamos fazer pausas e nos movimentar por duas das oito horas da jornada.

Por isso, faz uns anos que alguns escritórios internacionais começaram a permitir que seus funcionários trabalhem de pé, investindo muito dinheiro em equipamentos para isso. Mas, de fato, isso é bom para a saúde?

Além das horas que ficamos sentados no trabalho ou quando estudamos, cada vez mais passamos nosso tempo livre nessa mesma posição, assistindo TV, jogando video game, lendo, navegando na internet ou até mesmo nos meios de transporte.

Não há uma recomendação oficial sobre quantas horas do dia em que ficamos sentados seriam excessivas. Mas vários especialistas recomendam que deveríamos fazer intervalos durante os períodos de trabalho e estudo, além de nos movimentar em ao menos duas das oito horas de uma jornada de trabalho padrão.

E ir gradualmente aumentando o tempo em que nos movimentamos até passar metade do turno – ou seja, quatro horas – fazendo o que chamam de “atividades de intensidade leve”.

Manter-se ativo é bom para a saúde física e mental

Essa é uma das recomendações de um comunicado publicado em 2014 no periódico British Journal of Sports and Medicine. Outro relatório publicado no mesmo ano pela autoridade de saúde da Inglaterra, a Public Health England, recomenda minimizar o tempo em que passamos sentados.

“Manter-se ativo é bom para a saúde física e mental. Mudanças simples de comportamento, como interromper longos períodos em que se passa sentado, podem fazer uma grande diferença.”

Segundo o grupo de especialistas que fez o comunicado, ficar de pé ou fazer algum tipo de movimento por mais de duas horas por dia no trabalho está associado a menores riscos para a saúde.

E quem ficava de pé ao menos quatro horas por dia tinha um risco ainda menor, independentemente do nível de atividade física da pessoa.

Nesse contexto, os escritórios que permitem trabalhar de pé oferecem a oportunidade de mudar a postura e evitar ficar horas demais sentado.

A questão não é se esses escritórios são melhores do que os tradicionais ou não: a chave está no fato de que passar horas demais sentado não é bom para a saúde.

Trabalhar algumas horas de pé dá a oportunidade de uma pessoa ser mais ativa, assim como subir e descer escadas, fazer pausas no trabalho e mudar a postura regularmente ou fazer reuniões caminhando, uma moda há alguns anos nos escritórios mais inovadores.

Mulher trabalha em escritório

GETTY IMAGES Escritórios que permitem trabalhar de pé oferecem a oportunidade de evitar ficar horas demais sentado.

O ponto positivo é que esses locais oferecem uma alternativa ao sedentarismo prolongado, ainda que passar muitas horas de pé também possa ser contraproducente para pessoas que sofrem de dores da coluna, por exemplo.

Se isso não é uma solução, pode ajudar a melhorar a saúde dos empregados.

Segundo um estudo recente da Universidade de Deakin, na Austrália, com mais de 230 profissionais de escritórios, a adoção das mesas ajustáveis que permitem alternar entre trabalhar de pé ou sentados pode prevenir doenças associadas à obesidade.

O investimento vale a pena para as empresas?

O estudo, publicado no Scandinavian Journal of Work, Environment and Health, estima que o custo de oferecer esse tipo de opção aos trabalhadores é de US$ 344 (cerca de R$ 1400) por pessoa, mas os autores da pesquisa acreditam que esse valor pode ser reduzido com a produção em maior escala das mesas ajustáveis, com pedidos maiores e com compartilhamento dos equipamentos pelas equipes.

Homem trabalha em escritório

GETTY IMAGES Estudo estimou que custo de oferecer opção de trabalhar de pé é de US$ 344 (R$ 1381) por pessoa.

“Essa intervenção tem o potencial de ter um impacto positivo, significativo e sustentável para reduzir o tempo que se passa sentado no trabalho, mas o mais importante é que vale a pena o investimento”, disse a pesquisadora Lan Gao, líder do estudo.

“Na verdade, não há evidências suficientes para fazer uma recomendação específica sobre quanto tempo sentados ou deitados está associado a resultados piores para a saúde”, disse ela ao jornal britânico The Guardian. “Mas se recomenda interromper o tempo em que se fica sentado ou deitado com a maior frequência possível.”

Por outro lado, ainda não há muitos estudos a respeito, mas uma pesquisa recente com 96 pessoas concluiu que trabalhar de pé no escritório por 30 minutos não tinha nenhum efeito adverso sobre a criatividade dos trabalhadores em suas tarefas profissionais.

Mas a pesquisa, publicada em 2017 no International Journal of Environmental Research and Public Health, diz que ainda resta investigar o impacto sobre a produtividade após várias horas de trabalho.

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NOTÍCIAS: A ciência por trás da intuição – e como ela pode nos ajudar a tomar decisões.

Notícias.

Deu na BBC por Valerie van Mulukom (The Conversation)

Imagine o diretor de uma grande empresa anunciando uma importante decisão e justificando-a com base na intuição. Isso seria visto com incredulidade. Não é óbvio que decisões importantes devem ser pensadas cuidadosa, deliberada e racionalmente?

De fato, confiar na intuição geralmente traz má reputação, especialmente no mundo ocidental, onde o pensamento analítico tem sido constantemente promovido nas últimas décadas. Gradualmente, muitos passaram a pensar que os seres humanos progrediram do ato de confiar no pensamento primitivo, mágico e religioso para se fiar na lógica analítica e científica. Como resultado, as emoções e a intuição são vistas como falhas, até excêntricas.

No entanto, essa atitude se baseia no mito do progresso cognitivo. As emoções não são respostas assim tão burras que sempre precisam ser ignoradas ou até corrigidas pela aptidão racional. Elas são avaliações do que você acabou de vivenciar ou pensar sobre – nesse sentido, elas são também uma forma de processamento de informação.

A intuição ou o instinto também são o resultado de vários processamentos que ocorrem no cérebro. Pesquisas sugerem que o cérebro é uma grande máquina de previsões, constantemente comparando a informação sensorial e as experiências atuais com o conhecimento depositado e as memórias de experiências passadas. Cientistas chamam isso de “estrutura de processamento preditivo”.

Isso assegura que o cérebro está sempre preparado para lidar com as situações da melhor forma possível. Quando há uma incompatibilidade (algo que não foi previsto), seu cérebro atualiza o modelo cognitivo.

Essa compatibilidade entre os modelos anteriores (com base em experiências passadas) e experiências atuais acontece automática e subconscientemente. As intuições ocorrem quando seu cérebro estabelece combinações e incompatibilidades (entre o modelo cognitivo e a experiência atual), mas isso ainda não chegou ao não chegou ao nível da consciência.

Por exemplo, você pode estar dirigindo por uma rodovia no escuro ouvindo alguma música, quando de repente você tem a intuição de dirigir mais perto da faixa que divide a pista. Continuando na direção, você percebe que evitou um enorme buraco que poderia ter causado grande dano ao carro. Você fica feliz por ter confiado no seu instinto mesmo que não saiba de onde ele veio. Na realidade, o carro que está longe na sua frente fez um desvio parecido (pois nele estavam pessoas locais que conhecem a estrada), e você percebeu o movimento mesmo que não conscientemente.

Quando você tem muita experiência em uma área específica, seu cérebro tem mais informação para combinar as experiências atuais com as do passado. Isso torna a intuição mais confiável. E significa que, assim como a criatividade, sua intuição pode melhorar com a experiência.

Diferenças entre análise e intuição

Na literatura psicológica, a intuição geralmente é explicada como um ou dois modos de pensar, junto ao raciocínio analítico. O pensamento intuitivo é descrito como automático, rápido e subconsciente. Por outro lado, o pensamento analítico é lento, lógico, consciente e deliberado.

Muitos explicam a divisão entre o pensamento analítico e o intuitivo como dois tipos de processamento (ou “estilos de pensamento”) opostos, trabalhando como uma gangorra. Entretanto, uma recente meta-análise – uma pesquisa na qual o impacto de um grupo de estudos é medido – mostrou que o pensamento analítico e o intuitivo não são correlatos e podem ocorrer ao mesmo tempo.

Assim, embora seja verdade que um estilo de pensamento provavelmente pareça dominante sobre o outro em qualquer situação – em particular o pensamento analítico -, a natureza subconsciente do pensamento intuitivo torna difícil determinar exatamente quando ele ocorre, já que muita coisa acontece sob o guarda-chuva da nossa consciência.

De fato, os dois estilos de pensamento são na realidade complementares e podem funcionar como em um concerto – com frequência empregamos ambos simultaneamente. Até pesquisas pioneiras podem começar como um pensamento intuitivo que leva cientistas a formular ideias e hipóteses inovadoras, e depois elas seriam ou não validadas por rigorosos testes e análises.

Além disso, enquanto a intuição é vista como desleixada e imprecisa, o pensamento analítico pode também ser prejudicial. Estudos mostram que pensar demais sobre algo pode prejudicar seriamente o processo de tomada de decisão.

Em outros casos, o pensamento analítico pode consistir simplesmente em justificativas tomadas após um evento ou racionalizações de decisões baseadas no pensamento intuitivo. Isso ocorre por exemplo quando temos que explicar nossas decisões sobre dilemas morais. Esse efeito levou algumas pessoas a se referirem ao pensamento analítico como um “secretário de imprensa” ou “advogado interior” da intuição. Muitas vezes, não sabemos por que tomamos decisões, mas ainda assim queremos ter motivos para essas escolhas.

As falhas da intuição

Então será que deveríamos nos basear apenas na intuição, já que ela ajuda nossa tomada de decisão? É complicado. A intuição se baseia em um processamento evolutivamente mais antigo, automático e rápido, é vítima da desorientação, como de tendências cognitivas. Esses são erros sistemáticos do pensamento, que podem ocorrer automaticamente. Apesar disso, familiarizar-se com um viés cognitivo comum pode ajudar a identificá-lo em ocasiões futuras.

Da mesma forma, como o processamento rápido é antigo, ele pode estar um pouco desatualizado. Considere, por exemplo, um prato de donuts. Mesmo que você se sinta compelido a comer todos de uma vez, é improvável que precise dessa quantidade enorme de açúcar e gordura. Entretanto, na época dos “caçadores-coletores”, estocar energia era um instinto sábio.

Por isso, para cada caso que envolve uma decisão baseada na sua avaliação, considere se sua intuição mensurou a situação. Trata-se de uma situação evolutiva antiga ou nova? Ela envolve inclinações cognitivas? Você tem experiência ou expertise nesse tipo de situação? Se for evolutivamente antiga e envolver tendências cognitivas e se você não tiver experiência nela, então é melhor confiar no pensamento analítico. Do contrário, sinta-se livre para usar seu pensamento intuitivo.

Está na hora de parar a caça às bruxas da intuição e enxergá-la pelo que ela é: um estilo de processamento rápido, automático e subconsciente que pode nos dar informações muito úteis que a deliberação analítica não pode. Precisamos aceitar que o pensamento analítico e o intuitivo deveriam ocorrer concomitantemente e ser pesados um contra o outro em decisões difíceis.

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NOTÍCIAS: A poderosa e invisível razão pela qual pessoas com pouco talento se tornam bem-sucedidas.

Notícias.

Deu na BBCÀs vezes relutamos em creditar nosso êxito na vida à sorte. Preferimos atribuir um ganho material ou um resultado positivo à nossa inteligência, nossas habilidades ou ao trabalho árduo.

Ridvan_Celik/Getty Images

Mas se nosso sucesso está diretamente relacionado à nossa capacidade, por que parece haver tantas pessoas bem-sucedidas com talento medíocre? E por que será que as pessoas mais inteligentes do mundo não são também as mais ricas?

Um novo estudo, escrito por uma equipe de pesquisadores italianos, os físicos Alessandro Pluchino e Andrea Rapisarda, e o economista Alessio Biondo, usou um programa de computador que simula o sucesso definido pela riqueza financeira para mostrar que as pessoas mais bem-sucedidas do mundo não são necessariamente as mais talentosas. Elas são, segundo eles, as mais sortudas.

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NOTÍCIAS: O que é a regra do 52-17 e como ela pode nos ajudar a ser mais produtivos no trabalho.

Notícias.

Deu na BBC:

As famosas oito horas de trabalho diárias fixadas pela legislação trabalhista de diversos países acabam se tornando, com frequência, nove, dez ou até mesmo 12 horas consecutivas em dias muito atribulados no escritório. Muitas vezes, não sobra nem mesmo tempo para almoçar.

Mas, segundo especialistas, esses hábitos de trabalho excessivos, cada vez mais comuns, prejudicam a produtividade.

Um estudo elaborado pela Draugiem Group, uma organização da Letônia que reúne várias startups, identificou que uma longa jornada de trabalho não melhora seu rendimento. O que realmente importa, de acordo com a pesquisa, é como você divide seu tempo de trabalho e a estrutura de execução das suas tarefas.

A conclusão foi que as pessoas que fazem pausas programadas na rotina demonstram ser mais produtivas do que aquelas que trabalham por mais horas consecutivas sem descanso.

O estudo propõe a regra chamada “52-17”, que basicamente significa trabalhar com máxima dedicação por 52 minutos e descansar 17 minutos.

“Não é que a rotina de trabalho de oito horas esteja obsoleta, mas ela simplesmente mudou para um modelo de horas mais flexíveis”, explicou à BBC Artis Rozentals, diretor executivo do Draugiem Group.

“Um conselho para as pessoas é que parem para reparar como é seu rendimento diário e repensem como usar seu tempo”, completou.

Monitoramento produtivo ou espionagem?

O estudo também sugere que as próprias empresas monitorem a forma como cada empregado utiliza seu tempo – algo que poderia ser mais polêmico, já que provavelmente nem todo mundo se sentiria confortável com um chefe controlando o que cada um faz em cada minuto do seu dia.

“Para mim, seria como uma espionagem. Não ficaria confortável com isso”, afirmou o funcionário de um banco nos Estados Unidos.

Para executar esse plano, a empresa poderia instalar um software que permitiria aos patrões acompanharem tudo o que os empregados fazem durante a jornada de trabalho, conforme explica Rozentals.

“A empresa pode saber se ele está usando seu tempo em tarefas relacionadas com o trabalho ou em assuntos pessoais”, observou.

“Isso também permitiria à companhia contabilizar o tempo usado em um projeto específico para calcular o custo dele.”

‘Técnica do tomate’

A ideia de fazer pausas no trabalho não é nova. Diversos estudos psicológicos fazem essa recomendação – um consultor italiano, Francesco Cirillo, chega a propor que o ideal seria trabalhar 25 minutos consecutivos e descansar cinco, o que chamou de “técnica do tomate”.

O nome foi inspirado naqueles relógios de cozinha em formato de tomate usados para cronometrar o tempo de receitas.

Os críticos, porém, pontuam que em muitas profissões essa técnica seria impraticável.

Por exemplo, um cirurgião não vai poder parar uma cirurgia no meio para isso, um piloto de avião também não poderá interromper um voo, um advogado não poderá parar de trabalhar no meio de um julgamento por conta dos “minutos do tomate”.

No entanto, os que defendem as pausas programadas insistem que o cérebro humano não está preparado para ficar concentrado na mesma tarefa por oito horas consecutivas e afirmam que não é bom para o corpo ficar oito horas sentado em uma cadeira.

Do ponto de vista do médico, especialistas alegam que o horário flexível mostra um impacto positivo para os olhos, as costas, a circulação sanguínea e para os níveis de estresse.

Talvez o debate sobre isso precise acontecer de uma forma mais diversa, considerando que os períodos de concentração das pessoas são diferentes. Para algumas, a estratégia do 52-17 pode funcionar bem, mas o mais interessante é que cada um busque a sua maneira ideal de dividir o tempo para que a rotina seja mais produtiva.

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Desemprego cria ‘funcionários-polvo’ e aumenta pressão sobre quem trabalha.

Notícias & Almanaque.

Demissões têm levado vários profissionais ainda empregados a acumular funções Deu na BBC por Ingrid Fagundez.

Em uma grande agência de emprego no centro de São Paulo, uma cena se repete: com currículos em mãos, dezenas de pessoas formam fila para falar com a recepcionista. “Você se cadastrou no nosso site?”, ela pergunta. A frustração dos candidatos é visível, assim com o cansaço da mulher que, do outro lado do balcão, atende centenas deles em uma manhã. Continuar lendo

Como funciona a universidade sem professores.

Notícias & Almanaque.

Deu na BBC por Matt Pickles.

Uma universidade revolucionária, sem professores, onde não há livros e nada é pago, acaba de ser aberta no Vale do Silício, na Califórnia. A ideia é receber por ano 1 mil estudantes interessados em programação de computadores e desenvolvimento de software. Durante o curso, os alunos trabalham sempre em grupo e avaliam os trabalhos uns dos outros.Sala da universidade sem professores Continuar lendo

Fazer jejum prolongado pode aumentar a produtividade no trabalho?

Notícias & Almanaque.

Deu na BBC Capital por Peter Bowes.

A prática do jejum intermitente vem conquistando cada vez mais adeptos em todo o mundo, atraídos pela ideia de cortar calorias drasticamente em certos dias da semana. Uma prova é a popularidade da chamada “dieta 5:2”, que defende uma alimentação normal durante cinco dias e uma ingestão mínima nos outros dois.

Estudos científicos realizados nos Estados Unidos reuniram evidências de que a restrição de calorias pode trazer benefícios para a saúde a longo prazo, como um sono de melhor qualidade ou menos variações de humor, por exemplo.

Mas, agora, uma comunidade de especialistas em tecnologia da Califórnia acredita ter encontrado mais uma vantagem desse tipo de jejum.

Segundo eles, a produtividade aumenta nos dias em que não se alimentam, quando relatam ter uma sensação de maior agilidade mental e capacidade de concentração.

Com o nome de WeFast (“Nós jejuamos”, em tradução literal), o grupo reúne os chamados “biohackers”, pessoas que argumentam que manipular a biologia do corpo humano pode levar a uma vida mais saudável e satisfatória.

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É absurdo ver vitória de Trump como retrocesso, diz Mangabeira Unger.

Notícias & Almanaque.

Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump

Getty Images

Deu na BBC Brasil por Ingrid Fagundez.

Para pensar o trabalho no Brasil: Fragmentos da entrevista de Mangabeira Unger a Ingrid Fagundez, da BBC Brasil – 14/11/16.

Os brasileiros não têm razão para considerar esse acontecimento (a vitória de Trump) tão absurdo e incompreensível. O Brasil é o país do mundo mais parecido com os Estados Unidos. Como eles, nosso atributo mais importante é a vitalidade, hoje encarnada numa pequena burguesia empreendedora e numa massa de trabalhadores pobres que vem atrás dela.

A tragédia dos dois (países) é negar oportunidades à maioria, que é cheia de energia, mas sem condições de transformá-la em ação fecunda.

Na nossa realidade, o formato desse enigma foi ter confiado num projeto baseado na massificação do consumo e na produção e exportação de commodities. Enquanto a mineração e a pecuária pagavam as contas, funcionou. Quando deixaram de pagar, ruiu.

Na discussão brasileira, os dois substitutos são as agendas (anticorrupção) da Polícia Federal e do conserto das contas públicas. É isso que serve de substituto para um projeto nacional que não existe. Também há um grande vazio na política brasileira, embora com outra feição e origens. Mas o resultado é semelhante.


Não pode ser [no Brasil] a continuação do nacional-consumismo. Tem que ser um projeto focado nos interesses da produção e do trabalho.

Temos que ter um projeto de qualificação da nossa produção e dos trabalhadores na agricultura, serviços e indústria. Isso exige uma relação colaborativa entre governo e empresas, sobretudo as pequenas e médias.


Temos no Brasil 40% da população brasileira na economia informal. Na economia formal, uma parte crescente dos trabalhadores está em situação de trabalho precarizado. Se você somar os informais e os precarizados, é a maioria da força de trabalho do país. Quem os representa? Qual é o projeto para organizar, proteger e qualificar essa maioria?

A esquerda tradicional não faz isso. Ela faz parte do corporativismo das minorias organizadas, que comandam o país.

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Ser medíocre é o segredo da felicidade?

Notícias & Almanaque.

Image copyright THINKSTOCKDeu na BBC por Manuela Saragosa:

No livro Ardil 22, o autor, Joseph Heller, escreveu: “Alguns homens nascem medíocres, outros conquistam a mediocridade e alguns homens têm a mediocridade imposta a eles”.

Heller pegou uma frase de Shakespeare a respeito da grandeza e a inverteu totalmente.

A ideia do autor é clara: a mediocridade é ruim e deve ser evitada. No entanto, a maioria das pessoas vive o que pode ser chamada de uma vida comum. O que nos leva à pergunta: o que há de errado em aceitar a mediocridade?

O assunto se transformou em pesquisa para dois acadêmicos italianos, Gloria Origgi, pesquisadora e filósofa no Instituto Jean Nicod, em Paris, e Diego Gambetta, professor de sociologia na Universidade de Oxford, Grã-Bretanha. Continuar lendo

Por que os cientistas não sabem configurar seus instrumentos de trabalho? & O que são análises científicas superficiais?

Notícias & Almanaque.

Deu na BBC:

Cientistas culpam Excel por erro em estudos de genética.
Pesquisadores dizem que software converte nomes de genes em datas; empresa diz que isso pode ser corrigido nas configurações.

Um quinto dos trabalhos acadêmicos analisados tinha um erro (Foto: BBC/Microsoft)

O programa de computador Excel, da Microsoft, foi apontado como o culpado por erros identificados em trabalhos acadêmicos sobre genética.

Três pesquisadores que assinam um estudo sobre o problema alegam que o software de tabulação converte automaticamente os nomes de certos genes para datas. Continuar lendo

Tédio no trabalho.

Notícias & Almanaque.

Deu na BBC News por Alex Morrison, Alex Therrien e Emma Aileso.

Francês pede mais de R$ 1 milhão em indenização por ‘tédio’ no trabalho.

Nada de horas extra, problemas com férias ou outras questões trabalhistas. Um trabalhador francês está processando a empresa onde trabalhava por um motivo bem menos comum: tédio.

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Vamos viajar

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Sobreviver ao trabalho

Segundo extensa e bem documentada reportagem da BBC, os países emergentes e não emergentes também, estão tentando, às vezes desesperadamente, importar cérebros – profissionais altamente qualificados – de onde quer que venham. No caso do Brasil, os profissionais mais requisitados são: engenheiros mecânicos, engenheiros elétricos, programadores e desenvolvedores de TI, engenheiro de TI, engenheiros civis, programadores e analistas de data-base.

Três ilações são óbvias: 1. Esta gente só vem com salários altos; 2. Quem já os tem, que pague bem, senão irá perde-los. 3. Há muita gente mal remunerada que irá embora, não só profissionais destas áreas, que são também requeridas pelos outros países, mas profissionais como médicos, enfermeiros, maitres d’hotel, contadores, dentistas, farmacêuticos, fonoaudiólogos, psicólogos, radiologistas, profissionais que são demandados em lugares bem legais, como a Austrália, a Áustria, a Bélgica, o Canadá, a Finlândia, a Irlanda, a Noruega, a Suíça e os Estados Unidos.

Veja aqui o mapa completo de profissões por país.

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