conceito

Pierre Bourdieu: a teoria na prática.

Epistemologia.

Este artigo apresenta um programa para aplicação da forma de investigar de Pierre Bourdieu às pesquisas em ciências humanas e sociais. A partir da exposição sobre as suas fontes e práticas epistemológicas, o artigo discute o sistema de conceitos que Bourdieu utiliza e desenvolve um roteiro genérico de pesquisa baseado nas suas investigações.

Conclui com um resumo das críticas às suas concepções e uma apresentação sintética do seu legado.

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Conceito: Trabalho dependente – trabalho independente.

Trabalho.

Em alguns países europeus, a convenção acadêmica e jurídica adota as expressões “trabalho dependente” e “trabalho independente” para significar as modalidades de relação do trabalhador com uma estrutura hierárquica.

Trabalhador independente” é todo o aquele que desenvolve o trabalho por conta própria, utilizando os seus próprios meios e instrumentos. “Trabalhador dependente” é todo aquele que está integrado na estrutura hierárquica de uma organização, utilizando os meios e instrumentos de trabalho a ela pertencentes.

Na Europa o foco da maior parte das discussões sobre a questão laboral é o da substituição acelerada – e aparentemente irreversível – do trabalho dependente pelo independente. No Brasil cuidamos e discutimos quase com exclusividade a modalidade declinante do trabalho dependente: a do emprego.

 

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Pieper: o trabalho apropriado.

Trabalho & Filosofia.

No emaranhado de conceitos com que se pretende descrever a universalidade do fenômeno do trabalho há um sem número de incongruências, de lapsos, de imperfeições.

O trabalho é esforço produtivo? Mas um bancário produz exatamente o quê? O trabalho é esforço remunerado? Mas o que dizer do trabalho da dona de casa, ou do trabalho voluntário? E, afinal, o que o trabalho do bancário, da dona de casa, e do voluntário têm em comum entre si e com o trabalho do policial ou o do artesão? O trabalho de quem produz para si e para os seus é o mesmo trabalho de quem produz para os outros, para o governo, para a empresa, para o sistema? O trabalho do comerciante é igual ao trabalho do pedreiro, que produz a casa em que não vai morar? (mais…)

Kant: trabalho criativo ou vazio existencial

Perplexidades & Filosofia.

kantNa Antropologia (2006), Kant deixou escrito que a partir do momento em que tomamos consciência do tempo que passa sobrevém o horror ao vácuo (horror vacui), a sensação da morte lenta, da vida que se esvai.

É o sentimento de vacuidade que nos faz procurar as diversões, os prazeres, os passatempos, os jogos, a sociabilidade inócua. Mas logo nos damos conta que o desperdício do tempo vital não o substitui.  O ser humano preenche sua vida através de ações e não através de distrações. No lazer, na ociosidade, experimentamos uma “falta de vida”. (mais…)

O que é uma instituição?

Perplexidades & Filosofia

humor de arquitectura

Etimologicamente, o termo “instituição” refere a algo instituído (in+stäre), isto é, fixado, estabelecido ou instaurado.

Nas ciências sócio-humanas a palavra “instituição” denomina as estruturas, crenças ou formas de conduta consagradas pela coletividade.

Durkheim (e a sociologia depois dele) explicou que os indivíduos integram uma realidade composta de instituições preexistentes a eles. De forma que as pessoas insertas em uma sociedade devem compreender suas instituições, mesmo que de algum modo as rejeitem.

Esta compreensão está longe de ser pacífica. O conceito de instituição, que parece claro e indubitável é, no entanto, ambíguo.

Ambiguidade

Os entendimentos etimológico e sociológico primários de “instituição” têm sido objeto de severos reparos ao longo dos dois últimos séculos. Não por acaso, já que o termo é francamente equívoco. Ao denotar uma estrutura normativa que define as relações de um segmento da sociedade, abarca entidades díspares, como a família, o governo, a escola, a Igreja, um banco, etc.

O conceito corresponde a cortes diferentes do social: um referido à forma outro ao conteúdo.

De uma parte exprime um padrão organizado de condutas ou de atividades (estabelecido por lei ou costume) consistente, autorregulado e recorrente (Huntington), regido por normas reconhecidas e aceitas por uma comunidade (Weber). São exemplos deste significado os institutos políticos – que regulam as formas de se alcançar e de se exercer o poder -, a família e o que é considerado uma família, as entidades econômicas – que regulam a produção e distribuição de bens e serviços -, e assim por diante

De outra parte, o termo “instituição” refere ao estabelecimento, fundação ou organização criada para promover um determinado tipo de empreendimento. São exemplos deste significado as organizações bancárias, as universidades, a instituição militar, etc.

Desambiguação

A mais aceita desambiguação do conceito é a oferecida pelo filósofo lógico John Searle, que define uma instituição como: um sistema de regras constitutivas (procedimentos, práticas) aceito coletivamente que nos permitem criar fatos institucionais.

A definição de Searle incorpora as ideias tradicionais de Durkheim, de Huntington e de Weber. É restrita bastante para determinar os limites do que se pode denominar instituição e ampla o suficiente para abarcar as duas acepções – formal e de conteúdo – do termo.

O conceito assim definido remete a três elementos essenciais:

  • as regras constituintes,
  • os fatos institucionais,
  • a função de status, e
  • os poderes deônticos.

Elementos de significado

Estes elementos se articulam da seguinte forma: as regras de constituição compreendem a geração de um fato institucional como uma atribuição coletiva de uma função de status. O ponto característico da função de status é a geração de poderes deônticos, isto é de coisas que se pode e que não se pode fazer no contexto institucional (obrigações, permissões, interdições, etc.).

Estas “regras de constituição” têm a forma “X conta como (vale como – count as) Y em um contexto C”, onde um objeto, pessoa, ou estado de coisas X é atribuído um estatuto especial, o status Y, de modo que a pessoa ou o objeto possa executar funções que não poderia executar isoladamente, isto é, fora do contexto institucional.

“Fatos institucionais” são ocorrências próprias das instituições.  Os fatos institucionais derivam de “intencionalidades coletivas”.

Intencionalidade é um termo filosófico. Não tem a ver com a intenção, o ter um propósito deliberado. Designa a característica da mente de se dirigir para objetos e eventos. As esperanças, os medos, os desejos, as emoções em geral são intencionalidades. São sentimentos e emoções não deliberados em relação aos objetos.

“Intencionalidades coletivas” são intencionalidades compartilhadas por um grupo. As crenças, as esperanças, os medos, os desejos compartilhados são indicativos de um perfil institucional. As famílias, as confissões religiosas, as universidades, o sistema democrático, as forças armadas, a economia de mercado ou de controle centralizado são instituições porque, entre outras características, correspondem a intencionalidades coletivas determinadas, como no passado corresponderam a intencionalidades coletivas o duelo e a primazia dos nobres sobre as virgens.

A “atribuição de funções” é à capacidade de impor o emprego de objetos que não tem originalmente a função para o qual é empregado. Ferramentas ou, mais primitivamente, o uso de um tronco de árvore como assento, são atribuição de funções.

As atribuições de funções específicas de status são casos particulares em que o objeto ou a pessoa a quem é atribuída a função a desempenha unicamente em virtude da aceitação coletiva de que o objeto ou a pessoa tem o status necessário para desempenhá-la. Esta atribuição tem a forma X vale como Y no contexto C. Por exemplo, o movimento M no jogo de futebol conta como gol, isto é vale um ponto. Exemplos de atribuição de funções são o valor da moeda em um pais, o lugar da mulher em uma comunidade, a propriedade privada de um habitante da cidade, o cargo na polis grega, etc.

As intenções coletivas e as atribuições de funções de status geram e regulam “poderes deônticos”, isto é, direitos, deveres, obrigações, permissões, iniciações, requisitos, certificações, etc., reconhecidos e aceitos pela coletividade. Os poderes deônticos conformam a estrutura de poder institucional.

Circularmente, as regras constitutivas das instituições determinam funções de status reconhecidas e aceitas pela coletividade. Funções de status estas que são desempenhadas devido a este reconhecimento e aceitação.

Síntese

Para que um segmento do social possa ser considerado e criticado como uma instituição é necessário:

  1. Discriminar as crenças, as esperanças, os medos, os desejos, isto é, as intencionalidades coletivas próprias deste segmento social;
  2. Verificar a existência de atribuição de funções de status a pessoas ou a objetos específicos deste segmento social. Isto é, a existência de sistemas de valoração, de gradação, de hierarquização de pessoas e objetos que caracterizem o segmento;
  3. Especificar poderes deônticos (deveres, interdições, etc.) próprios do segmento em questão.

utilize


Durkheim, Emile(1984)Règles de la méthode sociologique p. XXIII. http://classiques.uqac.ca/classiques/Durkheim_emile/regles_methode/durkheim_regles_methode.pdf
Huntington, Samuel P. (1965). "Political Development and Political Decay" (PDF). World Politics 17 (3): 386–430. JSTOR 2009286
Searle, John R. (2005). What is an institution?. Journal of Institutional Economics; 1: 1, 1–22; The JOIE Foundation 2005 doi:10.1017/S1744137405000020.
Weber, Max Cf. Sheldon S. Wolin (1981). Max Weber: Legitimation, Method, and the Politics of Theory. Political Theory. Vol. 9, No. 3 (Aug., 1981), pp. 401-424

O sonho do jovem Karl.

Perplexidades & Filosofia.

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Para os que olham com o distanciamento que só a perda da fé proporciona o Marx da juventude, o Marx dos Manuscritos econômico-filosóficos, é infinitamente mais interessante que o da maturidade, daquele o senhor barbudo que escreveu O Capital.

Ao apresentar a deterioração da individualidade como consequência imediata do trabalho que “aliena a natureza do homem, aliena o homem de si mesmo, o papel ativo, a sua atividade fundamental, aliena do mesmo modo o homem a respeito da espécie; transforma a vida genérica em meio da vida individual.”[1] Marx, o moço, pintou uma imagem trágica do trabalho não criativo em qualquer época e, contrariamente ao que ele sempre acreditou, um retrato válido em qualquer sistema econômico que tenha existido ou que venha a existir.

O Marx jovem é ainda mais cativante ao descrever o ser humano livre e consciente que viria à luz quando fosse suplantada a divisão do trabalho assalariado, feito mercadoria[2]. Naquele futuro distante, o trabalhador desalienado pela falência das relações do sistema capitalista de produção, seria finalmente emancipado. Um momento que, como sabemos, não chegou a existir. E que, infelizmente, não vemos como possa vir a existir, porque as categorias que o Marx jovem e sonhador acreditou serem exclusivas do capitalismo são inerentes ao tipo de trabalho e não ao sistema econômico que o rege e explora.

UTILIZE E CITE A FONTE.
[1] MARX, Karl (2003) Manuscritos econômico –filosóficos; Tradução de Jesus Ranieri; São Paulo; Boitempo.

[2] Mészários, István (2006) A teoria da alienação em Marx. São Paulo: Boitempo.

O que é identidade?

Perplexidades & Filosofia

Colored-Fingerprint-Vector“Idem” significa, em latim, “o mesmo”, uma noção que reúne os atributos de igualdade e de continuidade. Aplica-se àquilo que é único nos diferentes momentos de sua existência, ainda que percebido, concebido ou nomeado de várias maneiras.

A identidade é um conceito que tem dupla denotação: unidade em meio à diversidade e permanência em meio à mudança. Nas duas acepções, o termo “identidade” é aplicado tanto a indivíduos – a cada trabalhador – como a coletividades – a grupos de trabalhadores.

Individual

A identidade individual, no sentido da unidade em meio à diversidade, alude à busca de determinação da pessoa, do modo como o Eu se vê a si como objeto e como um objeto em meio a outros[1]. A principal linha analítica da identidade individual é a da construção social da pessoa, o estudo de como uma comunidade constrói as concepções de cada um dos seus membros e da sua inserção na vida social[2]. Interessa particularmente ao campo do trabalho, a construção da identidade profissional, de como o trabalhador se situa e é situado entre seus pares.

No sentido da permanência em meio à mudança, a identidade individual toma o cerne da estrutura psíquica como identidade continua (o ego psicológico). Analisa os conflitos, problemas, etc. ao longo da vida individual e, por consequência, da vida laboral.[3]

As duas acepções da identidade laboral estão presentes nas discussões das ciências humanas em tematizações como “perda de identidade”, “crise de identidade”, “busca de identidade” e “colapso do ego”. Situações provocadas ou impostas por distúrbios da psique, por tradições, ideologias, pela cultura, religião, pressão social, etc.[4]

Coletiva

Aplicada a coletividades, a identidade refere à característica de um grupo de indivíduos distintos no tempo e no espaço que, no entanto, apresentam atributos e propriedades comuns. Nas ciências humanas a identidade coletiva alude a concepções como a de consciência de classe. Trata da questão de como um grupo – oprimido ou opressor – desenvolve uma percepção autoconsciente de si e se mobiliza para a ação.[5] Refere-se também à identificação de instituições e grupos, com na “identidade visual”.

A identidade coletiva no campo do trabalho liga-se, de forma similar, à recuperação ou afirmação dos denominados grupos identitários, conjuntos étnicos, etários, religiosos, de orientação sexual, etc. enquanto coletividades de trabalhadores.

Especificamente nos estudos relacionados ao trabalho, consideram-se dois tipos de identidade coletiva: a identidade de inquietações, que conformam os “grupos de interesse”, e a identidade de atributos, que conformam os grupos com predicados comuns, geralmente denominados “grupos identitários”.

Seguindo a denominação filosófica – em que as identidades diferem dos indiscerníveis (a identidade lógica (≡)) por não apresentarem a totalidade dos atributos e propriedades em comum – os grupos de interesse e os grupos identitários podem ser caracterizados por um único item – seja de interesse ou de atributo.

No campo do trabalho, os grupos de interesse mais frequentemente estudados são aqueles que apresentam traços, ambições ou rejeições comuns relacionados ao poder, a rendimentos e à segurança. Os grupos identitários mais frequentemente estudados são aqueles que apresentam traços, posições e relações ligadas ao gênero (feminismo), à formação e à faixa etária.

utilize


[1] Berger, Peter L. & Thomas Luckmann (201). A Construção Social da Realidade: Tratado de Sociologia do Conhecimento. Petropolis. Vozes.
[2] Lasch, Christopher (1985) The Minimal Self: Psychic Survival in Troubled Times. New York. W. W. Norton & Company
[3] Freud, Sigmund (1999) Obras completas. Buenos Aires: Amorrortu.
[4] Erik H. Erikson. Identity, youth and crisis. New York: W. W. Norton Company, 1968
[5] Marx, Karl (2004) Manuscritos econômico-filosóficos. Tradução de Jesus Ranieri. Boitempo Editorial.

O que é um valor?

Perplexidades & Filosofia

Conceitos & DefiniçõesValor é um bem subjetivo. Tanto no sentido abstrato, de ter valor, como no sentido concreto, de ser um valor, o termo designa um atributo das coisas que consiste em merecerem mais ou menos estima por um individuo ou por um grupo (serem desejadas), ou que consiste em satisfazerem certo fim ou interesse (serem úteis).

O valor não tem substância. É um objeto autônomo das realidades existentes. Não se pode ver o belo, mas podemos qualificar uma coisa de bela, ou de nociva, ou de boa, ou de cara …

O termo ‘valor’ tem origem econômica nos mercados da Grécia arcaica. A palavra grega para valor – áksios,a,on, – conota o bem, tangível ou não, que merece o preço que se paga por ele. A partir da Antiguidade, o conceito de valor percorre um longo caminho. Para os sofistas era uma apreciação relativa, expressa no dito de Protágoras de que “o homem é a medida de todas as coisas”.

Já Platão – contra a concepção dos sofistas de que os valores são conferidos pelos homens – sustentou que o valor deriva de uma apreciação absoluta. Tem valor o que é – em si – bom, belo, justo e verdadeiro.

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O legado do trabalho

CATEGORIA PT

Sobreviver ao trabalho

Karl Marx denominou de trabalho morto a parcela do esforço que conserva-se em cada objeto, em cada processo herdado e apropriado pelo capital. Na mesa sobre a qual escrevemos, na forma de expressão que usamos estão depositados o trabalho do carpinteiro que primeiro aparou uma madeira, do remoto gramático que torneou a primitiva oração.

O trabalho morto não refere a uma realidade. É uma figura de retórica. Sinédoque, que lembra que a riqueza é uma construção, que a cultura é uma edifício, que seguimos os que nos precederam, que somos anões no ombro de gigantes. A figura não dá conta da questão filosófica de saber o que, de fato, subsiste do nosso trabalho depois que nos vamos.

As inumeráveis soluções oferecidas a esta questão derivam de quatro argumentos clássicos: o de Sócrates, o de Aristóteles, o de Orígenes, o de Avicena.

O argumento socrático, constante no Fédon, é de que fica a memória dos outros. Nada físico, nada psíquico, nada pragmático restará de nós no mundo quando já não formos.

O argumento aristotélico, cristianizado por S. Tomás de Aquino ao explicar a ressurreição dos corpos, é a de que a existência, dependente que é da corporeidade, deixa ao partir as marcas do que fizemos: a nós e ao mundo.

Orígenes, que teve que se haver com a fé na consumação dos corpos, tomou a frase de Cristo que diz que no Céu de nada recordaremos, para assegurar que não restará matéria. Reduzidos (ou elevados) à condição de pneuma, uma mistura de ar e fogo, se algo do nosso trabalho ficar, não será marca nem memória, mas o evanescente.

Avicena, o filósofo do Islã, argumentou que a materialidade do corpo só é necessária para construir a Identidade, um ego metafísico. Transitada pelo mundo, a Identidade não dependerá do corpo para subsistir. Do nosso trabalho morto não restará resquício, não ficará nem mesmo a memória. A nossa ou a dos objetos.

A tênue marca, a fugida memória, o evanescente ou o nada. Parece sensato trabalharmos para a posteridade?

Referências
Marx, Karl (1974). Para a crítica da economia política, in Os Pensadores, Vol. XXXV, Abril Cultural, São Paulo.
Fédon in Platon, Obras completas (1981). Traducción y notas de Maria Araujo et ali; Marid; Aguilar S.A. de Ediciones
Jaeger, Werner (1995) Aristóteles, Fondo de Cultura Económica, México, México.

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O trabalho e a corrosão do caráter

CATEGORIA PT

0,,20918984,00Richard Sennett, professor da New York University e da London School of Economics, autor de A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo, Rio de Janeiro, Record, 2004 e de O Artífice, Rio de Janeiro, Record, 2009, é um especialista mundialmente respeitado. Abaixo alguns dos resultados das suas pesquisas, relatados em uma entrevista à Philosophie Magazine nº 68.

Carreira. Nos anos 60 havia mais demanda por trabalho do que oferta de trabalhadores. Nos anos 80 o desemprego em massa se consolidou. Desde a virada do século pontifica a insegurança no trabalho. A precariedade do vínculo com as organizações foi internalizada. O trabalho já não se insere no tempo pessoal. A ideia de carreira tornou-se obsoleta: o que há é uma sucessão de empregos.

Conteúdo e vida pessoal. O trabalhador vive um presente perpétuo, sem uma narrativa que faça sentido, sem uma aspiração profissional. O trabalho na atualidade perdeu o sentido de vocação e de projeção para o futuro, perdeu-se o Beruf, termo alemão que associa esforço produtivo e confiança.

Produtividade. As competências laborais são adquiridas nos mercados, inclusive os internacionais. Houve a esperança, principalmente a partir da experiência holandesa, que a disputa por trabalho incrementasse a produtividade. Mas o resultado tem se demonstrado perverso. Primeiro porque o trabalhador se esforça para conseguir e manter o emprego, não necessariamente para produzir. Segundo porque o aumento da produtividade levou a que as populações dos centros mais desenvolvidos se tornassem mais numerosas do que a quantidade de postos de trabalho disponíveis para estas mesmas populações.

Solução. A solução mais apoiada pelos intelectuais é a da renda mínima garantida pelo Estado associada a um tempo máximo de horas trabalhadas, de modo que todos possam trabalhar e progredir profissionalmente.

A se evitar. O exemplo a ser evitado é a da “academia”. As competências necessárias para ingressar e se manter no meio acadêmico da atualidade são conseguir financiamentos e atingir metas que nada tem a ver com o saber, [muito menos com o saber técnico ou o erudito]. Os jovens professores/pesquisadores simplesmente não têm tempo de fazer ciência nem permissão para serem inventivos e criativos.

[Nota circunstancial: quem se comprometeu a produzir rapidamente uma vacina para ebola foram os laboratórios, não as universidades. Coisas como esta não rendem para o ranking.]

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Perplexidades do trabalho adâmico.

CATEGORIA PT

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A tradição judaico-cristã atribui o trabalho a uma tentação momentânea e a uma condenação eterna.

Quando Eva, instigada pela serpente, seduziu Adão e o fez provar do fruto proibido disparou eventos ainda mais duvidosos do que o de uma serpente falar.

Primeiro temos o episódio do fruto, que, aliás, a Bíblia não diz qual é. Nas tradições orientais é um figo, na nossa uma maçã, provavelmente porque em latim malum designa tanto o mal quanto a maçã. Pois este fruto, que talvez não tenha sido nem maçã nem figo, encalacrou-se na garganta de Adão, originando o pomo de mesmo título e uma dúvida cismática: a de saber se a mulher é integralmente má enquanto o homem o é só parcialmente, devido à providencial entalação. O gogó sendo, neste caso, um sinal exterior benéfico para o recrutamento de mão-de-obra.

Segundo: Deus, ao expulsar Adão e Eva do Paraíso, lhes dá o que vestir. Esta é a origem do pudor, que não alcança as gentes peladas – indígenas americanos, povos africanos e dos mares do sul, recém-nascidos pagãos etc. A dúvida aqui é a de saber se a vestimenta é um castigo ou um presente, já que os que andam sem roupa não costumam conhecer o fenômeno do trabalho, exceto os nudistas, mas estes não são propriamente nus, senão que desnudos.

Terceiro e último: Deus condena Eva a parir em sofrimento e Adão a ganhar o sustento com o suor do seu rosto. Aí temos o trabalho de parto e o trabalho em geral como condenações. A dúvida consiste em saber se a cesariana, a produtividade decorrente do desenvolvimento tecnológico e tudo que diminua o sofrimento da mulher e que propicie a dolce vita aos mortais em geral elude os desígnios divinos, constituindo-se, por isto, em pecado.

Gênese, 3, 1-17

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Conceitos-chave – o trabalho grego.

CATEGORIA PT

ESCRAVOS NA GRECIA ANTIGA

Os gregos da época clássica desconheciam o termo “trabalho” na forma que utilizamos hoje. Não que desconhecessem o fenômeno, mas davam tratamento normativo, moral e relevância distinta, conforme se tratasse das subdivisões do esforço com produto tangível, poíesis, e do esforço com resultado intangível.

A poïesis, “fabricação” era dividida em:

  • esforço penoso – pónos, “pena”, a lida diária e constante,
  • esforço criativo – érgon (dispêndio de energia), o trabalho que gera resultados;

Enquanto o esforço com resultado intangível compreendia:

  • a administração do viver ou o viver eticamente – prâxis, o cuidado de si mesmo;
  • a contemplação e a ciência – theoria;
  • a gestão da polis, do social e, talvez, a luta pelo poder – política.

O confuso conceito de ”trabalho em geral” data do Renascimento.

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Simplexidade

CATEGORIA TR

Sobreviver ao trabalho

Conceitos-chave: simplex

Simples é o que não tem ou não pode ter partes. A agregação de unidades simples (elementares) forma um composto, como as mônadas de Leibniz. O simples opõe-se ao composto, não ao complexo. Uma entidade simples – como Deus – pode ser infinitamente complexa. Por isto, os filósofos desde Platão pensam que o simples pertence a uma dimensão mais elevada do que o composto.

Simplexidade (simplexity, simplixité) é o termo empregado por Pieter Schoute em 1900 para designar os simplexes, as formas elementares da geometria e da topologia como o segmento de reta e o triangulo, que combinadas, permitem construir todas as figuras possíveis. Um simplex é chamado assim por ser sempre o polígono mais simples de sua dimensão, isto é, um triângulo (2D) é o polígono que possui menos vértices e arestas, o tetraedro (3D) é o que possui menos vértices e arestas e faces. E assim por diante

Simplex é também a denominação de um algoritmo criado pelo matemático americano George Dantzig para maximizar um resultado mediante o insulamento de uma função-objetivo. As quantidades que se deseja otimizar são representadas por variáveis, e a função objetivo apresenta-se como  coeficientes proporcionais das variáveis. As restrições são apresentadas como inequações e indicam peculiaridades, como o fato de uma empresa necessitar um nível de desempenho laboral determinado. Dentre as possibilidades de valores para as variáveis que atendam às restrições, o algoritmo encontra aqueles que dão à função objetivo o maior (ou menor, quando for o caso) total possível.

Mais recentemente os simplexes têm sido empregados para descrever os mecanismos neurais complexos acionados por estímulos simples como o que nos faz desviar de um projetil arremessado contra nós. Ainda no campo das neurociências, o termo veio a significar a emergência de etapas simples no desenvolvimento humano – engatinhar, andar, linguagem, gesto da mão – que evitam que o cérebro constitua todas as redes neurais ao mesmo tempo.

A constatação da analiticidade dos simples levou à compreensão e a intervenção sobre elementos estruturais para resolução de problemas complexos. Um exemplo de aplicação é o de pesquisadores holandeses que em fevereiro de 2014 lograram medir o índice pluviométrico sem utilizar pluviômetros: como a chuva (simples 1) atenua o sinal da telefonia móvel (simples 2) foi possível aplicar um único algoritmo para medir instantaneamente o índice da precipitação em todo o país.

A análise dos simples tem uma função primordial na racionalização do trabalho. Seja pela compreensão da sintaxe dos processos, que permite analisar a sistematicidade de elos decisórios, seja pela compreensão da semântica dos fluxos operacionais, que permite a racionalidade no emprego de recursos, seja, por último, pela aplicação de algoritmos que permite a economia do fator trabalho e, por consequência, ganhos de produtividade material, informacional, tecnológica e monetária.

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O que é o trabalho – conceito

CATEGORIA PT

Conceitos & DefiniçõesAfinal é possível dizer que é o trabalho?

O problema de definir o que vem a ser o trabalho corresponde ao questionamento do suposto de que a competência linguística deriva do conhecimento da descrição do significado do termo em relação ao seu objeto.

Existem quatro ordens de argumentação sobre as condições de possibilidade da expressão de um conceito:

1. o argumento do engano ou da ignorância em relação aos atributos;

2. o argumento do externalismo ou da impossibilidade de conceituar fora de contexto;

3. o argumento do limiar ou da impossibilidade de determinar os limites precisos de validade do conceito;

4. o argumento da tipicidade ou da percepção dos casos que recaem sob o conceito.

O argumento da ignorância diz que é possível aplicar corretamente um conceito e estar errado em relação aos seus atributos. Por exemplo: até a era moderna, acreditava-se que a varíola originava-se de miasmas no sangue, o que era incorreto, é claro, mas a identificação da doença e parte do tratamento dispensado aos enfermos, como a higiene e o isolamento, praticados a partir deste conceito errôneo, eram corretos. O argumento diz ainda ser possível ignorar a extensão do conceito [seus atributos e propriedades associadas] e aplicá-lo corretamente. Por exemplo: é possível tratar-se correta e eficazmente uma doença sem conhecer os seus elementos constituintes e a sua etiologia, como é o caso de medicamentos indígenas e dos remédios caseiros. Tanto que a pesquisa médica procede muitas vezes de forma inversa, conceitualiza as propriedades de um medicamento a partir dos efeitos dos tratamentos e não a partir de hipóteses sobre atributos de uma planta. Segundo este argumento uma definição completa e acabada do que vem a ser o trabalho é não só impossível, uma vez que o nosso conhecimento sobre o fenômeno não cessa de aumentar, como desnecessária.

O argumento do externalismo diz que uma definição baseada em atributos internos do conceito não tem como fornecer as condições necessárias e suficientes para sua aplicação. Se este fosse o caso, todos os modos de apresentação do conceito deveriam coincidir, o que nunca ocorre. Tomemos o caso do conceito /ser humano/. Não há quem discorde que os seres humanos formam uma espécie distinta das demais e de que pertencemos a esta espécie. No entanto, existem pessoas que incluem como atributos essenciais dos seres humanos o terem sido criados por uma divindade e terem uma alma imortal, como existem pessoas que pensam que os seres humanos são o resultado de partículas unidas por acaso e que desaparecem integralmente ao término de suas vidas. Não há como garantir que uma ou outra perspectiva é a correta, o que não impede que o conceito /ser humano/ seja inteligível. Segundo este argumento, uma definição cabal do conceito trabalho deveria incluir todas a visões e entendimentos históricos e por existir do termo, o que é uma impossibilidade, mas que não impede que discorramos sobre o fenômeno.

O argumento do limiar ou da impossibilidade de determinar os limites precisos do conceito parte da contradição de que uma vez que as teorias tradicionais sustentam que os conceitos têm estruturas definicionais, não poderia haver dúvidas sobre os objetos que recaem sob sua definição. O argumento é fraco. Estas dúvidas existem, até para casos simples, como o de saber se os tapetes são ou não são móveis, e são difíceis de serem resolvidas logicamente. Para muitos objetos, principalmente das ciências humanas e sociais (finanças são um tema administrativo ou econômico?), parece não haver uma linha clara de demarcação dos limites do conceito, mas uma franja, uma zona de penumbra. Segundo este argumento, a definição do conceito de trabalho seria sempre imprecisa e questionável.

O argumento da tipicidade ou, como foi denominado pelos psicólogos, o argumento do efeito típico, consiste em que temos a tendência a considerar alguns exemplares como mais típicos ou representativos de um conceito. As investigações empíricas levadas a efeito nos anos 1970 e 1980 demonstraram que tendemos a categorizar, por exemplo, /pardal/ como mais representativo de /ave/ do que /galinha/ ou do que /avestruz/. Além disto, a nossa categorização perceptual tem mais presteza e segurança em considerar correta a proposição “um pardal não é um peixe” do que a proposição “um pinguim não é um peixe”. E esta distinção na forma como percebemos os casos se dá independentemente do fato de sabermos perfeitamente que pinguins não são peixes, mas uma espécie do mesmo gênero de bípedes, emplumados, com asas, que põe ovos, que nidificam etc. Esta constatação empírica levou a psicologia a uma visão não tradicional, não filosófica, mas exclusivamente psicológica dos conceitos: a de que categorizamos os objetos tendo em mente um protótipo da classe de referência do objeto. O argumento da tipicidade implica que os atributos, aquilo que atribuímos como componente de do conceito trabalho, são fruto de condicionamentos mentais, não passíveis de estabilização lógica.

UTILIZE E CITE A FONTE.

Jerome K. Jerome

CATEGORIA ASTjerome-k-jerome“I like work: it fascinates me. I can sit and look at it for hours.”

Jerome K. Jerome

Edward O. Wilson

CATEGORIA ASTConceitos & Definições“Sometimes a concept is baffling not because it is profound but because it is wrong.” eowilson

Edward O. Wilson

Trabalho em geral e trabalho em abstrato.

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O que o trabalho do pedreiro tem a ver com o do profissional de TI? E o trabalho do médico como o de piloto de helicóptero? Muito pouco, diríamos. No entanto o trabalho como tema de formulações teóricas e práticas tem sido tratado como um fenômeno unívoco. Este entendimento, costume ou vício data do Renascimento. Até então sequer existia um termo genérico para o que hoje denominamos trabalho. São dois os pais da ideia: os filósofos John Locke, que em 1690 descreveu a noção de trabalho em geral, e Adam Smith, que em 1776 definiu o trabalho em abstrato. Com o passar do tempo, ficou evidente que estes conceitos se tornaram insuficientes para explicar o fenômeno do papel do fator humano na produção e para esclarecer sua situação no quadro econômico-organizacional. Esta é uma discussão que ressurge periodicamente, sem que, no entanto se avance na equalização das dificuldades que gera. O texto em anexo, publicado na Gestão.org, é uma contribuição para o processo de reconstrução do corpus conceitual contemporâneo do gerenciamento  de pessoas. Nele são analisadas as contribuições de John Locke e de Adam Smith, e examinados os que termos em que permanecem ou vêm perdendo vigência os atributos relativos ao conceito de trabalho em geral e ao conceito do trabalho em abstrato por eles formulado.

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O ensaio teórico

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Conceitos & Definições

Para dar conta de uma exigência da burocracia acadêmica, tem-se exigido de mestrandos e doutorandos a elaboração de “ensaios teóricos” sobre os temas das suas dissertações e teses.

No campo especifico da gestão do trabalho, e provavelmente nos outros campos também, os documentos que têm sido apresentados como ensaios teóricos padecem geralmente de duas deficiências: não são ensaios e não são teóricos.

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Governo e Setor Público – Conceitos Básicos

Trabalho & Produtividade

Governo e Setor Público: Produtividade do trabalho no setor público
CNPq nº 4001199/2008-4

O propósito deste artigo é o de trazer à discussão alternativas para a superação das barreiras à produtividade do trabalho, decorrente dos exageros normativos que pautam o setor público brasileiro.

O horizonte de investigação é o do posicionamento da administração pública em face do contexto socioeconômico contemporâneo. A metodologia utilizada foi a da análise de conteúdo de entrevistas não estruturadas que compõem a fase de sondagem de uma pesquisa em curso orientada para o tema.

A interpretação das declarações dos entrevistados evidencia origens de improdutividade: a perpetuação dos servidores improfícuos, a naturalização da ineficiência, o desvio de foco, a recusa à inovação e a reprodução dos sistemas normativos existentes.

O estudo sugere três estratégias para superação das barreiras à produtividade: simplificação dos sistemas normativos, aferição do resultado do trabalho e flexibilização das normas.

O termo “governo” tem uma acepção antiga, a de Rousseau, que o dá como o poder executivo submetido à autoridade do soberano, e quatro acepções contemporâneas:

  1. A forma de organização do Estado, seu regime constitucional, equivalente ao termo grego “politeia”, que Montesquieu dividiu em três espécies: republicano, monárquico e despótico. É a conotação própria da filosofia e da ciência política, que utilizamos, por exemplo, quando falamos em governo democrático;
  2. O conjunto de organismos controlados e dirigidos pelos que detém o poder, termo inadequado, que se confunde com a administração pública, mas é de larga utilização nas considerações econômicas e na mídia;
  3. O conjunto de órgãos de poder no âmbito do Estado, sinônimo de autoridade pública. Esta é que mais convém à segmentação necessária aos estudos da administração pública. É a acepção utilizada, por exemplo, quando se trata da qualidade da gestão dos negócios públicos.
  4. A acepção em voga é a de Michel Foucault, que diz que o governo não é nem um órgão, nem uma instância de dominação, mas o conjunto de relações de poder que conformam o dispositivo normalizador das sociedades modernas. Foucault construiu esta concepção a partir do conceito de “pastoral”, dos primórdios do cristianismo. Uma noção completamente diversa das formas greco‐romanas, a pastoral visava dirigir as almas para a sua salvação. O governo contemporâneo visaria, mediante o uso de técnicas de poder, orientar as vidas dos indivíduos e dos grupos para a salvação do Estado.

Para fins de pesquisa, adotamos a denominação “governo” para conotar a instância do Estado que congrega a autoridade pública. Neste sentido, o governo distingue‐se da administração pública pelo caráter abstrato, exterior à materialidade das organizações.

Adotamos o termo “setor público” para designar o conjunto de organizações financiadas pelo orçamento público, dirigidas e controladas pelos governos. Esta definição é uma síntese operacional de definições encontradas na literatura técnica sobre o tema.

Utilizamos termos como “função pública” e “servidor público” genericamente. Procuramos evitar as imprecisões da legislação. A expressão “servidor público”, por exemplo, é definida pela lei 8112, que versa sobre o regime jurídico dos servidores civis da União, das autarquias e das fundações pública federais, em seu artigo 2º como “a pessoa investida em cargo público” . A mesma lei define a expressão “cargo público” como “o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas ao servidor”. Ou seja um dialelo: o servidor é o que se ocupa do cargo e o cargo é aquilo de que o servidor se ocupa.

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Conceitos operacionais em Pierre Bourdieu

Epistemologia & Método

O ponto de partida da sóciofilosofia de Pierre Bourdieu é o de que, na construção do objeto investigado, é preciso separar as categorias que pré-organizam o mundo social e que se fazem esquecer por sua evidência. O que significa levar à campo conceitos sistêmicos, ideias que pressupõem uma referência permanente ao sistema completo das suas inter-relações, noções que estão referidos a uma teoria.

Os conceitos primários formulados e aperfeiçoados por Bourdieu são o de ‘habitus’ e o de ‘campo’. A estes se agregam outros, secundários, mas nem por isto menos importantes, e que formam a rede de interações que orienta a sociologia relacional, a explicação, a partir de uma análise, em geral fundada em estatísticas, das relações internas do objeto social. A teoria do ‘habitus’ e a teoria do campo são entrelaçadas. Uma é o meio e a consequência da outra.

O texto completo está no livro Métodos Estruturalistas.

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